Sim, é uma vibe "ser ou não ser". Na verdade, é um pouco mais específico. É questionar o que significa "ser", antes de se perguntar o que se é e o que não se é.
O que vocês pensam sobre "ser", o verbo? O predicativo, não o intransitivo.
Quando se fala em atribuições, elas vêm da onde? Quando nós dizemos que alguém "é" alguma coisa, estamos nos baseando no quê? O que acontece/ o que significa quando quem "é" deixa de ser o que se espera? Ou melhor, quando nossas expectivas são quebradas porque alguém não age como você espera que ele seja?
Ah-há!
Primeiro ponto de tudo: humano lidando com humano.
Tudo não passa de correlações criadas por nós. Para a natureza, nós simplesmente existimos. Nós seríamos como a grama: cresce quando quer, o quanto quer, por onde quer, sem rédeas, sem cortador-de-grama. Ser, na natureza, é simplesmente existir. Seguir o fluxo. Sem noção de tempo-espaço, mas vivendo só dele.
Mas isso é muita confusão para a racionalidade humana. Existe uma necessidade humana de classificar, sistematizar, definir. Nós fazemos isso para não nos confundirmos, não nos perdemos, não ficarmos loucos. Para "ser", você se baseia naquilo que é mais frequente na pessoa. Exemplificando: se fulano é estudioso, significa que ele costuma ter uma disciplina de estudo. Mas não significa que ele sempre vai a seguir. Não significa que ele não terá preguiça de estudar, e deixará de estudar alguma vez por causa disso.
Basicamente, classificar o outro está intrissicamente ligado a frequência com que esse outro faz ou pensa alguma coisa. Este é o "ser" sob as perspectivas sociais.
Nós mesmos nos sujeitamos a ela. A gente se define dessa maneira também. Somos nós mesmos nos vendo como terceiros.
Já devem ter ouvido falar que nós somos várias pessoas: como cada outro nos vê, como nós mesmos nos vemos e o que realmente somos.
No caso, estou me atendo a refletir sobre o tal de "o que realmente somos".
A gente se enxerga de uma maneira e mesmo nós somos incoerentes com o que pensamos sobre nós mesmos, seja mentalmente, seja agindo.
Fazemos besteiras; nos arrependemos; nem percebemos que o que fizemos é diferente do que pensamos, ou melhor, incoerente com que pensamos; magoamos os outros por quebrar suas perspectivas com relação a nós (e que nós mesmos ajudamos a construir) por algum momento; sentimos coisas de vez em quando que não costumamos sentir, e, portanto, falamos como se não sentissemos; pensamos, nem que seja por instantes, coisas que refutamos com vigor quando racionalizamos de maneira mais trabalhada (e é essa que nos guiamos e, por consequência, expomos socialmente); achamos que temos capacidades que de vez em quando falham, mas mesmo assim a gente diz que tem (e os outros acham que a gente sempre tem, ou esperam por isso); de vez em quando nos sentimos atingidos por coisas que normalmente não nos atingiriam; muitas vezes o que pensamos não é posto em ação por nós mesmos, mas nos entendemos como o que pensamos, e não o que agimos (afinal, dá-se a justificativa da "oportunidade", ou, em geral, falta de percepção sobre nossas ações); criticamos e nos sentimos incomodados com coisas das quais a gente diz que não gosta, mas faz também...
Tanta coisa! A incoerência persegue-nos. Persegue-nos não simplesmente porque somos "errados". Persegue-nos porque a gente inventou definições para nos entendermos entre nós, em sociendade, e não vivermos no nosso próprio mundinho, em que só você mesmo entende/compreende o que você faz (e olhe lá!).
O problema, talvez, está em se prender a essas definições. Para entender o outro, e a você mesmo, não se pode guiar apenas pela trilha dessas definições. Há varios ramos interligados, como a floresta selvagem que a natureza deixa fluir. Às vezes, o que os outros entendem por incoerência, não é incoerência para nós, mas uma sobreposição de contextos, raciocínios, sensações e prioridades, racionalizadas ou momentâneas. Às vezes a gente sabe bem o que fez. Alguns não conseguem lidar bem depois, se arrependem. Outros conseguem se compreender, aceitar o que foi feito e, dependendo, buscar lidar de outra forma no futuro (uma conquista não tão fácil).
Por isso, não é difícil perceber o porquê das pessoas se desentederem tanto. Se há tanta incoerência e sutileza num ser só, que dirá procurar algo harmonioso em tantas pessoas juntas. Se um grupo de 5 já são 5 complexidades que de vez em quando se desentendem... MEU DEUS! 6,5 bilhões é uma loucura!!! Dois já são capazes de nervos em ebulição.
Não é uma questão de nos conformamos com as nossas incoerências e as dos outros. Mas as entender. E, no caso de nós com nós mesmos, procurar identificá-las e as evitar ou as repensar.
De qualquer maneira, o ponto central é ter consciência de que somos o que vivemos. Se a gente buscar viver sempre melhor e de maneira mais equilibrada, buscar ser aquilo que nós entendemos como correto ou/e bom, então entender que ser de uma maneira classificada é só uma construção humana.
Nada de se auto-destruir ou destruir o outro porque você/ele foi "diferente" do que se espera. Nós, porque, sabendo/ tendo ciência do que nos aconteceu, é sempre uma oportunidade para se entender e seguir em frente. Os outros, porque nós não sabemos tudo que está dentro do contexto deles - as coisas que aconteceram, suas emoções, que tipo de raciocínio é priorizado naquele momento -, então o que nos resta é tentar compreender, e aproveitar para enxergar com mais clareza quem eles são - o mais próximo do fluxo natural de existência.
Em geral, decepções e irritações acabam se mostrando bem menores do que realmente são toda vez que se busca a compreensão.
Sempre bom ter clareza de entendimentos cruciais sobre o humano para poder praticar compreensão com mais facilidade.
É, nada como um dia de praia sozinha e uma tpm exigindo que você reveja a maneira como você enxerga algumas coisas.
O que vocês pensam sobre "ser", o verbo? O predicativo, não o intransitivo.
Quando se fala em atribuições, elas vêm da onde? Quando nós dizemos que alguém "é" alguma coisa, estamos nos baseando no quê? O que acontece/ o que significa quando quem "é" deixa de ser o que se espera? Ou melhor, quando nossas expectivas são quebradas porque alguém não age como você espera que ele seja?
Ah-há!
Primeiro ponto de tudo: humano lidando com humano.
Tudo não passa de correlações criadas por nós. Para a natureza, nós simplesmente existimos. Nós seríamos como a grama: cresce quando quer, o quanto quer, por onde quer, sem rédeas, sem cortador-de-grama. Ser, na natureza, é simplesmente existir. Seguir o fluxo. Sem noção de tempo-espaço, mas vivendo só dele.
Mas isso é muita confusão para a racionalidade humana. Existe uma necessidade humana de classificar, sistematizar, definir. Nós fazemos isso para não nos confundirmos, não nos perdemos, não ficarmos loucos. Para "ser", você se baseia naquilo que é mais frequente na pessoa. Exemplificando: se fulano é estudioso, significa que ele costuma ter uma disciplina de estudo. Mas não significa que ele sempre vai a seguir. Não significa que ele não terá preguiça de estudar, e deixará de estudar alguma vez por causa disso.
Basicamente, classificar o outro está intrissicamente ligado a frequência com que esse outro faz ou pensa alguma coisa. Este é o "ser" sob as perspectivas sociais.
Nós mesmos nos sujeitamos a ela. A gente se define dessa maneira também. Somos nós mesmos nos vendo como terceiros.
Já devem ter ouvido falar que nós somos várias pessoas: como cada outro nos vê, como nós mesmos nos vemos e o que realmente somos.
No caso, estou me atendo a refletir sobre o tal de "o que realmente somos".
A gente se enxerga de uma maneira e mesmo nós somos incoerentes com o que pensamos sobre nós mesmos, seja mentalmente, seja agindo.
Fazemos besteiras; nos arrependemos; nem percebemos que o que fizemos é diferente do que pensamos, ou melhor, incoerente com que pensamos; magoamos os outros por quebrar suas perspectivas com relação a nós (e que nós mesmos ajudamos a construir) por algum momento; sentimos coisas de vez em quando que não costumamos sentir, e, portanto, falamos como se não sentissemos; pensamos, nem que seja por instantes, coisas que refutamos com vigor quando racionalizamos de maneira mais trabalhada (e é essa que nos guiamos e, por consequência, expomos socialmente); achamos que temos capacidades que de vez em quando falham, mas mesmo assim a gente diz que tem (e os outros acham que a gente sempre tem, ou esperam por isso); de vez em quando nos sentimos atingidos por coisas que normalmente não nos atingiriam; muitas vezes o que pensamos não é posto em ação por nós mesmos, mas nos entendemos como o que pensamos, e não o que agimos (afinal, dá-se a justificativa da "oportunidade", ou, em geral, falta de percepção sobre nossas ações); criticamos e nos sentimos incomodados com coisas das quais a gente diz que não gosta, mas faz também...
Tanta coisa! A incoerência persegue-nos. Persegue-nos não simplesmente porque somos "errados". Persegue-nos porque a gente inventou definições para nos entendermos entre nós, em sociendade, e não vivermos no nosso próprio mundinho, em que só você mesmo entende/compreende o que você faz (e olhe lá!).
O problema, talvez, está em se prender a essas definições. Para entender o outro, e a você mesmo, não se pode guiar apenas pela trilha dessas definições. Há varios ramos interligados, como a floresta selvagem que a natureza deixa fluir. Às vezes, o que os outros entendem por incoerência, não é incoerência para nós, mas uma sobreposição de contextos, raciocínios, sensações e prioridades, racionalizadas ou momentâneas. Às vezes a gente sabe bem o que fez. Alguns não conseguem lidar bem depois, se arrependem. Outros conseguem se compreender, aceitar o que foi feito e, dependendo, buscar lidar de outra forma no futuro (uma conquista não tão fácil).
Por isso, não é difícil perceber o porquê das pessoas se desentederem tanto. Se há tanta incoerência e sutileza num ser só, que dirá procurar algo harmonioso em tantas pessoas juntas. Se um grupo de 5 já são 5 complexidades que de vez em quando se desentendem... MEU DEUS! 6,5 bilhões é uma loucura!!! Dois já são capazes de nervos em ebulição.
Não é uma questão de nos conformamos com as nossas incoerências e as dos outros. Mas as entender. E, no caso de nós com nós mesmos, procurar identificá-las e as evitar ou as repensar.
De qualquer maneira, o ponto central é ter consciência de que somos o que vivemos. Se a gente buscar viver sempre melhor e de maneira mais equilibrada, buscar ser aquilo que nós entendemos como correto ou/e bom, então entender que ser de uma maneira classificada é só uma construção humana.
Nada de se auto-destruir ou destruir o outro porque você/ele foi "diferente" do que se espera. Nós, porque, sabendo/ tendo ciência do que nos aconteceu, é sempre uma oportunidade para se entender e seguir em frente. Os outros, porque nós não sabemos tudo que está dentro do contexto deles - as coisas que aconteceram, suas emoções, que tipo de raciocínio é priorizado naquele momento -, então o que nos resta é tentar compreender, e aproveitar para enxergar com mais clareza quem eles são - o mais próximo do fluxo natural de existência.
Em geral, decepções e irritações acabam se mostrando bem menores do que realmente são toda vez que se busca a compreensão.
Sempre bom ter clareza de entendimentos cruciais sobre o humano para poder praticar compreensão com mais facilidade.
É, nada como um dia de praia sozinha e uma tpm exigindo que você reveja a maneira como você enxerga algumas coisas.