segunda-feira, 29 de junho de 2009

Que diferença faz a maioridade?

Tudo bem que eu já abordei esse assunto indiretamente em vários posts, mas eu estou com vontade de escrever, e esse foi o primeiro assunto que me veio na cabeça.

A resposta, a de sempre no meu mundo da relativização, é que depende de quem você é. Depende dos seus pais, depende dos seus amigos, depende do seu país, depende do que te aconteceu antes dos 18 (ou 21, ou 16...).
No meu caso, 18 anos foi só uma carteirinha entre os adultos para que eles dissessem certas coisas. Meus dois primeiros dias de 18 anos foram uma comédia pastelão. Imagine: Eu faço aniversário no natal, e geralmente a ceia é aqui em casa (naquele ano, foi). Portanto, muitos dos meus familiares vem para cá comemorar conosco. Imagine todos esses familiares falando frases clichês "Agora já pode beber!"(1), "Cuidado para não ir presa!"(2), "Agora é adulta!"(3).

1- É, isso aí! Vou tomar todas! Já que me mantive em total e completo recato como todos os adolescentes...
2 - Poxa! Agora sim posso cometer um infração! Yupi!
3- É, sou mesmo... Pago minhas contas, tenho minha casa, não devo dar satisfação para ninguém...

A minha irmã e suas amigas foram as piores. Falaram não só essas coisas, como também abriram recomendações sobre sexo, como eu devo lhe dar com as drogas na faculdade etc...
Brinquei com os meus amigos nessa época que minha família criou o "mundo mágico dos 18 anos".
Mas ela criou. Porque ele, na real, não existe. Ao menos para mim.

18 anos é como os quinze, os dezesseis... Provavelmente os vinte também. Tem coisas interessantes, é verdade: você compra bebida sem vergonha, você - se tiver condições - pode aprender a dirigir... você... ham... acho que só isso. Ah, você é obrigado a votar, se não fez isso por livre e espontanea vontade aos 16 como eu. E você passa na faculdade, se você fez as coisas direito.
Poucos resistem até os 18 para tocar os lábios no álcool. Eu na cadeia só por um azar ou uma perseguição política (?). FATO. Acho (e todos sempre souberam disso) drogas patético e dá dinheiro para o tráfico, portanto... NEVER.

Adulta? O que é... adulta? *Lagarta da Alice no país das maravilhas*

Subjetividade, para começo de conversa.
Adulto para mim paga as suas contas. Adulto para mim tem seu próprio teto (alugado ou não). Adulto só diz aonde vai quando quer. Adulto (deveria ter) tem senso crítico, mas não rígido (e chato/blasé, diga-se de passagem). Adulto (deveria) controla emoção.
Mas adulto pode (deve) gostar de Disney. Adulto pode pular jogando video game. Adulto tem direito de gostar de animação. Adulto tem todo o direito de fazer piadas patéticas. Adulto pode achar legal festa a fantasia. Adulto pode gostar de Kinder Ovo.


Que diferença faz a maioridade?
Muito pouca. Não é sinônimo de ser adulto, com certeza. Ser adulto é bem, bem mais lento.


P.S.: Às vezes eu creio que a maioria das coisas que escrevo são para pessoas mais novas que eu. Será mesmo?




*Reptar - Yes, Rugrets*
1 - O que está ouvindo? Beat it - Michael Jackson
2- Ultimo filme em dvd? Aladdin - ziguilhonésima vez, para fazer roteiro de peça infantil -> NAC nas creches da Ação Social.
3 - Último filme na tv? Harry Potter e a Ordem da Fênix - rs... adooooro...
4 - Última maluquice? - Atrazar todos os trabalhos em prol do "Bodas de Sangue" do NAC.
5 - Reflexão do Dia - Saiba o que é, antes de querer ser.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A greve na USP em 2009

Como aluna da USP, eu tenho duas coisas a comentar nesse blog:

1- Sinto por não ter postado durante meses, eu tenho até um post incompleto aqui nos rascunhos, mas me faltou tempo. Ou melhor, fui incomodada pelo o velho pensamento dos cdfs "enquanto eu estou 'perdendo' tempo neste post, eu poderia estar escrevendo aquele trabalho".

2- Quem não está viajando na lua, está a par da greve na USP, ao menos depois do confronto da última terça-feira. É quase meu dever, pelo o papel que eu estabeleci para esse blog e por ser aluna do departamento mais mobilizado da greve, comentar sobre ela.

Então, vamos desenvolver o segundo comentário hoje.

A ideia de greve está circulando desde abril entre os funcionários. Eles foram adiando as votações por conta dos feriados daquele mês, mas parecia meio inevitável. Por quê?
Na pauta dos funcionários, há uma revolta pela demissão de um dos líderes sindicais, um tal de Claudinor Brandão . Há uma confusão também porque o estado fez um concurso há uns dois, três anos atrás que não foi regularizado. Os funcionários (nas 3 universidades estaduais) que foram contratados nesse concurso iam ser demitidos, ao invés de serem regularizados. São entre 2 e 5 mil pessoas, não me lembro direito. E há a velha luta que, entra greve, sai greve, nunca se resolve: o salário nunca está de acordo com o que deveria. Esses eram os principais pontos naquele momento.

Dessas pautas, eu acho completamente duvidosa a primeira. O Brandão, até onde me foi informado, já nem estava mais trabalhando como funcionário propriamente dito, ele estava só ativo no sindicato. Ele estava sendo pago pelo governo para ficar gritando (minha opinião tendenciosa). Os funcionários acham que o motivo da demissão dele foi puramente político, uma vez que ele foi um dos lideres dos funcionários na greve de 2007 e outros tipos de incômodos "políticos".
Porém, há uma lado negro do Brandão nessa história: ele está sendo acusado de assédio sexual em uns 4 processos judiciais, vindos de meninas diferentes, que são estudantes da USP. Além disso (e por isso - e mais algumas coisas que naõ são discutidas e, portanto, eu não sei), como funcionário publico, ele sofreu um processo administrativo e burocrático que não passa só pela opinião da "autoritária" reitoria, mas por uma comissão formada por professores, funcionários e alunos, segundo uma professora me disse.
Logo, ao meu ver, defender o Brandão não é "defender as lideranças sindicais" de uma "perseguição política", como disse uma colega num debate do meu departamento, mas um ato emocional e, como de praxe, cego. Ele, acredito eu, não é flor que se cheire. E independe de haver um pedaço de "alívio político" da reitoria nessa decisão, ela não foi tomada sozinha e nem sem outros (bons) argumentos.

Enfim, nossos caros funcionários - por idealismo e, quase como consequência, por uma falta de visão pragmática - declararam greve no dia 5 de maio, uma terça-feira, fazendo os serviços que aliviam muito mais os alunos mais carentes do que qualquer outro pararem de funcionar: bandejão (restaurante universitário que custa quase 2 reias um prato muito nutritivo), ônibus circular (de graça), biblioteca, pró-aluno (sala de computador que não paga nada)...

Na minha humilde opinião, greve é um instrumento de reinvidicação que deve ser usado absolutamente em última instância. Greve é a resolução tomada quando todas as outras alternativas já foram praticadas. Ela afeta a vida das pessoas de uma maneira enorme: atrapalham planos, atrasam os estudos, deixam as pesquisas mais capengas (sem biblioteca), altera a dieta de quem precisa do bandejão...

Tentar uma reunião com a reitoria eles fizeram, fazer manifestações dentro da USP também. Mas eu não vi passeata fora da USP, não vi uma divulgação, escrita por eles, dos problemas que eles estavam tendo em nenhum pedaço midiático, não vi nenhum tipo de insistência nem mesmo dentro da USP. Eles não fizeram grandes tentativas de mobilização. Gritaram às portas da FFLCH e afins, como se isso, em pleno século XXI e 20 anos após a queda do Muro de Berlim, fizesse realmente uma grande diferença na opinião dos outros. Não rolou nem panfleto (apartidário)! Foi no boca-boca e na convocação para comparecer a debates.
Quanta ingenuidade! Meus míseros 19 anos de vida foram o suficiente para eu sacar que, definitivamente, não se deve esperar que "Maomé vá a montanha, mas que a montanha vá a Maomé". É quase patético ouvir que 700 funcionários, dos cerca de 60000, estavam na assembleia. E esses 700 declararam greve.
Ao invés de conquistar e mobilizar antes da greve, eles tentam depois, quando todos já estão com raiva dos "politicamente ativos" e, pior, sob piquetes (ou em casa assistindo Datena). Claro, não se pode esperar mais do que a metade se mobilizando. Nos EUA, onde o voto é facultativo, o normal (quando não há "Obamas" concorrendo) é uns 44% da população que pode votar comparecer às urnas. Mas 700??? Há algo errado! E o mais fácil identificar é: falha de mobilização.

Esse pessoal "politicamente ativo" costuma dizer que os outros que não comparecem são "individualistas", "alienados" e/ou até "reaças" (reacionários - "direitões"). Dizem que é um reflexo dos nossos tempos. Será que o problema está mesmo no envolvimento político das pessoas?
Mesmo que parte da culpa seja isso, e eu não nego (ainda que eu ache que não é um nível tão abaixo do que o de outros tempos), está lhes faltando perceber que os tons das mobilizações políticas líderes já não estão mais afinados com os da maioria. Não há "inimigo comum", como nos tempos da ditadura. Por conta disso, não há só uma voz nesse coreto. Mas uma voz é meio que imposta.
Essa voz imposta incomoda e, em muitos casos (e não adianta eles negarem, eu já vi, vi muitas vezes e não sou a única), ela é intolerante. Ela vaia quem fala diferente e interrompe os argumentos dos ideias diversas com gracinhas ou mesmo com discursos. Esse tipo de coisa afasta quem faz um esforcinho para acompanhar os debates políticos. Outro problema é o dos discursos partidários. Tem muita gente lá envolvida com partido e essas pessoas são, em geral, vozes muito ativas. E chatas, extremamente chatas. E eles quase sempre levam um debate que supostamente deveria discutir os problemas internos da usp para discussões governamentais duvidosas. Para adicionar à lista, há algo que está intrísseco aos dois itens anteriores, e, creio, é o mais problemático: na hora de convocar/convencer os outros de que se precisa ir aos debates, os "mobilizadores" não trazem só os problemas, mas as suas opiniões sobre os problemas. À exemplo: ao invés de dizer "estamos tentando há semanas um diálogo com a reitora, mas ela está adiando e não dá resposta", eles dizem "ela não conversa com a gente, numa posição claramente autoritária e opressora... blablabla".
Será que essa é a melhor abordagem? Essas falas soam ultrapassadas para a imensa maioria das pessoas. Elas ouvem uma coisa dessas e acionam o botãozinho no cérebro para "discurso esquerdista iludido e quixotesco". Não estou defedendo que isso é o certo a se fazer, eu acho que não se pode ignorar o que os outros têm a nos dizer (mesmo que seja de uma maneira muito chata. As vezes dá para extrair algo interessante), mas, se são eles que querem atrair os outros, se são eles que querem "abrir os olhos" dos outros, então são eles que têm de mudar primeiro, dar o primeiro passo.
Eu tenho certeza que se um lado se abre para mudanças, o outro também, nesse caso.

Obviamente que essa questão dos "politicamente ativos" e das mobilizações não é única dos funcionários. No movimento estudantil e na associação dos professores também acontecem coisas parecidas. Mas até o dia 1 de junho, eles não estavam tendo muito acordo entre si sobre a pertinência de uma greve.
Para os estudantes, apoiar as reinvidicações do funcionários já era uma pauta. Havia já também a questão da Univesp ( o programa de ensino a distância), a reforma na estatuinte (há uma enorme polêmica porque os professores têm 75% das cadeiras no Conselho Universitário, contra 15% dos funcionários e 10% dos alunos - é assim há anos, mas isso não é normal em grandes universidades. E para quem não sabe, o Conselho Univeristário é grupo que toma as decisões administrativas e políticas da USP. Pense em "vereadores". Além disso, quer-se que a eleição para reitor seja feita diretamente, e não pela escolha do Conselho) e, no caso do depto. da História, os problemas crônicos de infra-estrutura (muito aluno, poucos cursos disponíveis - queriam mais salas e mais professores - ainda que uma professora minha sugira que se discuta melhor isso, porque a solução pode estar num rigor maior para que os professores -que também são pesquisadores e tem uns direitos aí de não dar aula por não-sei-quanto tempo - não deixem de dar aula e também na abertura das salas pela manhã).

Os professores, por sua vez, tiveram seu plano de carreira alterado sem consulta, sem debate. O plano de carreira define pisos salariais e categoriza os professores entre eles. O novo plano de carreira pulverizava mais ainda a categoria e dificultava absurdamente o professor a conquistar méritos (o "topo" da categoria, nós fizemos as contas com uma professora, só poderia ser alcançado quando o prefessor tivesse, em média, 62 anos: ou seja, quando estivesse prestes a se aposentar). Além disso, o seu salário devia acompanhar os aumentos na arrecadação do ICMS, isso não acontece há 4 anos, como se não bastasse a redução de 40% no poder de compra deles com relação a 1988.

Acontece que, a partir do momento que a reitora usou uma ação judicial para chamar a polícia, as coisas esquentaram. O argumento da louca é que ela está defendendo o patrimônio público e que uma das funções dela é prezar pela ordem na universidade. Não sem razão ela diz isso, porque no dia 25 de maio, durante uma manifestação na frente da reitoria, alunos e funcionários invadiram a reitoria por algumas horas, quebrando portas e persianas. Além disso, piquete que impede os outros de irem aonde bem entendem, ainda mais um espaço publico, como as bibiliotecas, é contra a lei (e eu acho que tem de continuar a ser contra lei).
Eu imagino que por traz desses "bons" argumentos, está também uma vontade de não ter que ficar ouvindo as reinvidicações dos manifestantes. Não por maldade, uma teoria maléfica de que ela quer oprimir, mas por falta de paciência mesmo, por uma inabilidade política de extrair de discursos inflamados opiniões a se pensar, ideias a se questionar e soluções a se debater.
Inegável, porém, é perceber o quanto essa mulher não pode ser chamada de sábia. O que ela tinha na cabeça ao achar que PM no meio de uma discussão política é uma boa ideia? Por que ela não abriu mão da sua impaciência de ouvir as reinvidicações, já que ela preza pelo patrimônio publico e quer manter a ordem? Não vai haver quebra-quebra se não houver "motivo" para isso. Enfim, por que não dialogar ao invés de chamar a polícia? Por que não abrir o debate?

Os alunos (mobilizados) da História se irritaram com a presença da polícia e foram os primeiros a declarar greve, junto com os da Educação. Logo depois, a FFLCH já estava em greve. E, na quinta-feira, dia 4, os professores fizeram uma assembleia e declararam greve também.
Temos um problema aqui: desde quando é motivo para greve a presença da polícia?
Eles dizem: a polícia não entrava na USP desde de 69. E fazem comparações de conjucturas, intencionando uma volta da repressão aos movimentos sociais.
Eu digo: isso é motivo o suficiente para uma grande passeata, para muito barulho, mas não para uma greve.

A pauta mais forte da greve, e a que mais mobiliza por enquanto, é a que pede a retirada da polícia. E quando isso acontecer? O que será do movimento? Será que o resto é forte o suficiente para que uma greve mobilize?
Até a Politécnica fez uma assembleia que declarou repúdio a ação da polícia na terça-feira, dia 9. Não se sabe que lado incendiou o conflito entre os estudantes e a PM. Mas, independente disso, houve uma prova de um dos maiores porquês (e o que mais me preocupava) a polícia não podia estar ali no campus: a polícia é absolutamente despreparada (no sentido que ela não é bem treinada para esse tipo de ação) para lidar com manifestações políticas, é, em sua natureza, ao menos a brasileira, truculenta e formada, em geral, por homens de pouca educação. Um gesto agressivo, uma ofensa, uma brincadeira imbecil vinda de um manifestante é já se poderia prever que a polícia reagiria de maneira desproporcional.
E assim foi: estudantes xingando, batendo com livros, atirando pedras e flores (tem gente que achou legal, tem gente que achou retrô essa coisa das flores. De qualquer maneira, era obviamente inofensivo), enquanto os policiais atiravam tresloucadamente balas de borracha e bombas de efeito moral.

Foi tão desproporcional que, ao fechar o cerco dos estudantes no prédio da História e da Geografia, os policiais continuaram atirando balas e bombas, sem querer saber quem era manifestante, quem era professor, quem só estava passando por ali... Continuaram atirando até quando os professores pediam para conversar, mesmo na chefe do meu departamento, a professora Marina de Mello e Souza.

Dói ver aquele idiota do Datena mandando os estudantes estudarem, chamando-os de vagabundos e afins. Ainda mais aqueles que estavam na mobilização. Eles podem ser uns chatos, movidos pela emoção e caras com certa dificuldade de tolerarem quem pensa diferente deles; mas eles (ou a imensa maioria deles) acreditam que estão fazendo aquilo por uma USP melhor, mais democrática, mais correta, e, movidos pelo sentimento de perseguição política, mais livre.
Talvez alguns dos que estão adorando ficar em casa sem ter aula e nem querem saber da mobilização e de política, pudessem ser chamados de "vagabundos", mas mesmo assim há de se questionar.

Eu acho que piquete é a maior idiotice, ele só ajuda a afastar as pessoas e as deixar com raiva. Impedir que os outros tenham aula é ridículo, além de ser uma violência. O convecimento vem das conversas, e as possibilidades de estabalecer uma conversa têm de ser exploradas a mil e não só esperar o comparecimento às assembleias. A própria ideia de greve no final do semestre é absurda.
Muitos dizem, agora, que greve mobiliza sim, porque com ela muitas pessoas que não iam nas assembleias e debates estão indo. Completa ilusão. Quantos a mais será que eles teriam conquistado se tivessem feito mais atos, mais passeatas, enviado mais e-mails, parado as pessoas nos corredores?
Estão indo aqueles que por si só estão interessados na política da univerisdade (e que querem defender suas ideias, inclusive as que são contrárias a greve e certas pautas). Muitos outros poderiam ter sido convencidos. È mais fácil convencer (de que há problemas na universidade que devem ser discutidos) do que se pensa, porque os problemas da USP são feitos, em sua maioria, pelos erros da reitoria e do governo. Basta apresentar esses erros, nem precisa dar sua opinião sobre eles, que eles já atraíriam e indignariam muita gente.

Incomoda-me frases do tipo "a usp está em greve de novo?", "são sempre os alunos das ciências humanas...", ditas com um certo desprezo. Se a ideia de greve está certa ou não é uma coisa, mas se há greve e se são alunos das ciências humanas (ainda que não seja a maioria dos alunos que se mobilizam/ concordam) os que mais apoiam, tem seus motivos. Se há greve, a usp está com problemas. Se são os alunos de ciências humanas, é porque eles são os que mais se interessam em discutir esses problemas.
A FFLCH é a faculdade com maior número de alunos de toda a USP, uns 12 mil, entre 65 mil alunos, quase um quinto. Em compensação, seu orçamento não leva nem 5% do total da USP. Sim, os nossos cursos, em termos de custos, são mais baratos do que um curso de engenharia mecânica ou medicina, por exemplo. Mas por ser uma faculdade com gente demais (embora não só por isso), a nossa biblioteca devia ter os padrões de uma biblioteca americana: livros em várias línguas, vários exemplares... é triste saber que uma biblioteca tão defasada quanto a nossa é considera a melhor biblioteca de ciências humanas do Brasil. Além disso, todos, TODOS os prédios precisam de reforma. Tem tanta coisa... Vou deixar essa discussão para outro dia.

O importante é entender que, sendo correta ou não essa greve, tendo o apoio ou não da maioria, ela expõe problemas (que podiam ser expostos de outras maneiras)...
Ela tem motivos para ter sido declarada. Alguns nobres, outros nem tanto. Outros que despertam discussões e dividem muito os manifestantes e, portanto, não devem ser entendidos como um bloco único, muito menos devem ser distorcidos.
Jamais, pelo amor de Deus, acreditem quando alguém disser que os alunos são contra o curso a distância da Univesp porque o tal do curso possibilita que mais gente tenha acesso a universidade, como fez o editorial da Folha no sábado passado. É um absurdo, uma distorção grotesca, uma ofensa a quem costuma fazer parte dos movimentos sociais.
Nós não temos infra-estrutura para suportar os cursos a distância, e eles não foram discutidos com a "comunidade uspiana". Particularmente, eu não sou totalmente contra a Univesp, mas eu acho que algumas coisas precisam ser resolvidas antes e, principalmente, a univesp não pode ser entendida como solução para a falta de vagas, como o governo está fazendo, mas como uma alternativa para quem precisa desse tipo de curso, porém, não pode/quer pagar por ele. E mais: precisam ser discutidos os tipos de cursos que podem ser dados à distância, as possibilidades e soluções para não deixar a formação defasada. Será, que neste momento, o governo deveria criar a Univesp que, para ser feita de um jeito decente, exige muita grana? Será que não é melhor, por enquanto, se focar nos problemas de infra-estrutura que já existem, como o Crusp, que não suporta todos os alunos de baixa renda que precisam de moradia?

Pois é, as entranhas das USP são bem caóticas. Os números de 1º lugar no ranking de universidades brasileiras e maior número de publicações científicas podem enganar, mas enquanto houver problemas crônicos como ela tem e essa falta de esperteza e sabedoria política, ela jamais poderá sonhar em ficar perto de Harvard, Yale ou Cambridge...


Para ficar mais a par da greve sem ficar se baseando nos jornais/noticiários (ainda que aqui tenha coisas que eu discordo veemente... Ao menos dá um outro lado):
- Blog da greve



*Café e bolo de fubá*
1- O que está ouvindo? Ball and Chain - versão Etta James
2- Último filme no cinema? Anjos e Demônios.
3- Ultimo filme em dvd? O Falcão Maltês (sim, daquela coleção da Folha)
4- Maior novidadede aleatória desde a ultima postagem: estou fazendo o musical Into the Woods na Cultura Inglesa e eu sou a madrasta da Cinderela. =D
5- Reflexão do dia: "Parece que não há tolerância nas discussões políticas. Se falta tolerância, o diálogo é uma farsa democrática. Um impasse nunca se resolve, pois não se está realmente disposto a um consenso". (uma adaptação do que eu disse em e-mail numa discussão com a minha profª de Antiga I)