quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pirataria e consciência

O tema pirataria (digital/midiática) é uma das maiores polêmicas que vieram com a modernidade da tecnologia. Fato. Para além de demagogias ou chavões, ela guarda algo muito maior do que os pseudo-intimidadores vídeos que costumam passar na tv e, especialmente, antes dos trailers no cinema.
Eu sou do tipo contrário a qualquer repressão quanto a atitividades rebeldes, que extravazam o senso comum, e apontam para um caminho de liberdade.
Só que uma definação dessas sobre uma posição é tão polêmica quanto a própria posição.
Basicamente, eu entendo que ela pode ser vista de um jeito muito ruim, um estímulo ao crime. E é, dependendo do que se considera "crime".
A pirataria é um sinal de liberdade, mas também é um sinal de prejuízo a quem produz.
Como uma vez li numa entrevista da Superinteressante com um cara muito conhecido no meio dessa discussão, a pirataria é incontrolável e é uma tendência que a população segue. Mesmo que ela esteja quase levando a indústria fonográfica à falência, ela traz cultura a quem teve muito pouco, ou nunca, acesso a uma variedade de filmes e músicas.
Particularmente, eu não enxergo bem a pirataria que é vendida. É gente ganhando dinheiro em cima do trabalho de outrem, muitas vezes por qualidade baixa e muita canastrice. Mas para quem nem tem computador, afinal, a pirataria lucrativa é uma porta única e fluída (fluída perdeu o acento? Não, né? Não é ditongo) à cultura. É um pouco difícil julgar quem compra, e muitas vezes quem vende. Especialmente em países como o Brasil, em que o mercado informal é uma bolha que não pára de crescer. Dinheiro fácil, trabalho relativamente leve e nunhuma exigência educacional são muito atrativos para quem passa necessidade.
Quanto a "pirataria" na anárquica internet, sinto muito, mas não vejo nada que possa ser feito a respeito que não viole os direitos humanos (mais especificamente, o artigo 19 é evidente: "Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras"), mesmo que, no assunto, se contradigam ( o parágrafo do II do artigo 27 diz: "Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor" ). A revolução da informação já foi feita, e tentar brecar essa facilidade com que todos se acostumaram é uma afronta.
Baixar seriados, música, desenhos, filmes é uma prática comum de quem tem um computador. Impedir isso sem consequências é como tirar o doce de uma criança e esperar que ela não chore.
Pessoas ainda vão ao cinema e ainda compram CD ou DVDs. O original ainda tem um gosto especial. Tem gente que não liga, tem gente que liga.
A solução das empresas é se adaptar, tornar o produto mais interessante e mais barato, para que ele realmente seja desejável numa escala maior.
Vão ter aqueles que ainda assim não vão dar a mínima, mas a proporção seria BEM, BEM menor. Haveria um provável "lucro sustentável".

Numa opinião pessoal, a pratica de baixar músicas me permitiu conhecer muito mais bandas/cantores que eu jamais imaginaria. Teria muito menos gente na minha lista para prestigiar seu trabalho. Meus cantores favoritos (cantoras, em geral, na verdade) tem praticamente meu nome garantido na lista de seus fãs que iriam assistir seus shows. Infelizmente, eu gosto mais de comprar DVDs, mesmo de turnês, do que CDs. Compraria se tivesse dinheiro para os dois. hehehe.
Seriados e desenhos são um pouco mais recentes na minha história, mas esses são os menos afetados, porque não dependem de um pagamento direto do espectador, que tem o livre e gratuito acesso aos episódios, ainda que não na forma deliberada como é na internet, mas que carrega uma legião de fãs que gostam de ver - se podem - sua estréia na fonte de origem, a televisão. Essa reação é uma das coisas que me faz acreditar que, talvez, se o acesso aos produtos originais fosse mais fácil e atrativo como numa televisão, as pessoas em geral se voltariam para eles.
E, por fim, os filmes, minha mais nova inserção. Eu não troco um cinema por um filme baixado, sou amante do cinema demais para isso, mas a influência de amigos e a vontade de ver filmes que perdi e também de ver os filmes que concorrem ao Oscar antes da premiação me empurraram para um mundo de praticidade muito tentador, que eu sei que pode virar uma ameaça quando todos o descobrirem e tiveram computadores bons o suficiente para não tornar o download de um filme numa odisséia.
Ei vi "Wall-e", "Sete Vidas", 'Vicky Cristina Barcelona" e "A troca" porque os perdi quando passaram no cinema (não por falta de vontade ou desatenção , mas por uma patética solidariedade de esperar os meus amigos que diziam que queriam ver também terem dinheiro ou oportunidade para ir). Vi "Dúvida", "Milk", "Apenas um sonho" e "Quem quer ser um milionário?" porque são indicados e não sei quando vão sair por aqui e tenho medo de não ver antes da entrega dos prêmios. "O misterioso caso de Benjamin Button" fiz questão de ver no cinema, porque está passando, e, como disse, filme baixado não substitui um bom cinema.
Além disso, algo que eu não confio a todos, mas que eu enxergo como um fator importante para um número relevante de pessoas, assim como é para mim: se eu gosto de filmes, eu tenho que estimular a produção deles. Logo , pagar por eles, nem que seja de vez em quando, é mais que justo.
Bom, eu vou um pouco além, embora não espere que todos façam. Todos os filmes que citei me agradaram muito, e os que estão para vir ao cinema eu pretendo pagar o ingresso, ao menos de boa parte, mesmo que eu não veja na sala de cinema. É um tanto "maluco", e reconheço, mas me sinto melhor assim.

(Só lembrar que eu também conheço o mundo dos livros zipados/ "blogados", mas esse em raros momentos cedi, porque odeio ler textos longos demais numa tela. De fato, a única exceção foi o último livro de Harry Potter, que, como fã, eu queria saber logo o final e não queria ler justo o último da série em inglês . Além de fugir dos spoilers. Aliás, um agradecimento à equipe da Armada Tradutora que foi muito eficiente e competente E, também como fã, fiz questão de comprar o livro assim que saiu por aqui).

As pessoas podem não sustentar a indústria através da consciência, mas o desejo de qualidade é um algarismo constante na equação do consumidor. Qualidade acessível diminui pirataria.
Pirataria não é para ser reprimida, é para ser desconstruída.


*Palmas ao fim de Guantánamo*
1- O que está ouvindo? My time flies - Enya
2- Último filme visto? Apenas um Sonho - Kate Winslet e Leonardo DiCaprio se encontram novamente em um filme de gente pertubada, com os dois em plena forma.
3- Último filme no cinema? O Curioso Caso de Benjamin Button - ainda não vi "O Leitor" e "Frost/Nixon", mas mesmo q tenha achado "Quem quer ser um milionário?" (aposta dos jornais) muito bom, Benjamin Button é excepcional e por enquanto faço votos para que ele ganhe.
4- Último seriado visto? 3º episódio de Lost, em sua quinta temporada, cada vez mais excitante e instigante.
5- Reflexão do Dia: Adaptar-se a uma ideia da maioria da população, que tem como base liberdade e informação, é muito mais sensato do que tentar reprimir.

2 comentários:

Paula disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH Benjamim Button... eu SABIA q vc ia gostar, tanto qto eu gostei! e, tomara que vc leia esse comentário logo, pq qro mtoooo conversar dele ctg, e AH qdo sair Frost/Nixon, EU vou, garantidamente ctg. mas, me chama? vc sabe q sou rica e tenho dinheiro de sobra HUSHUSAUHHSU

Spencer_pretty disse...

sinceramente, muita coisa está envolvida com a pirataria... mas puxa, pra que pagar um cd por exemplo - preço exorbitante - se vc conbsegue de graça na net? alem do mais eu vejo por mim que amo cantores italianos completamente descponhecidos no brasil e só consigo cd's deles pela net pq se fosse pagar por ele importado... bem, eu morreria de fome...
a questão é, não dá mais para se gastar o que se pede para gastar para ter algo original. admito q dvd eu ainda prefiro o original, mas eu compro aqueoes da promoçao de 12,90, mas compro.... mas também eu compro aquele filme que vi na net e que adorei e que ficaria feliz de te-lo original....