Mandei, por sms, a uma amiga, comparsa-mor de lógicas, numa época recente de caos galáctico batalhando com a frieza da serenidade e do controle de si:
"O maior desafio de uma decisão é saber não ter medo das consequências, causem elas arrependimentos ou não. Porque uma decisão bem ponderada sabe o peso dos valores, e isso é o que dá coragem".
A época, que ainda se faz sentir entre nós, as duas passavam por coisas que esta minha reflexão se encaixava perfeitamente. Ela me acompanhava já a um bom tempo, mas essa forma sucinta foi retirada ao final de um mini-surto de frustração.
Frustração básica de pouco tempo para muito o que fazer.
Só que desta vez o pouco tempo só era pouco por opções que fiz, conscientes, mas que juntas geraram desorganização. A desorganização foi uma consequência, a pseudo-neura e a frustração também. Elas eram resultado da opção que fiz nesse semestre de dar mais atenção aos amigos e a família e de arcar com todas adversidades que vinham de um projeto comandado por mim.
Eram coisas que tinham um valor para mim, e que geraram frutos, os quais ainda colho (e ainda cultivo a horta).
No momento em que cheguei a essa sentença, vi tudo mais claro. Meu nervosismo passou, e continuei a fazer o que tinha e o que dava para fazer, como sempre fiz nessas situações.
Não adianta ficar olhando para trás, resmungando do que não fez. Ainda mais se o que não foi feito ficou desse jeito porque você fez outra coisa. Não se trata de criar desculpas, mas ter consciência exata do que foi feito. É simplesmente ter agido com reflexão.
Antes de tomar uma decisão, pensa-se nas possibilidades. No que vai acontecer se se fizer algo, e se não se fizer. Saber o que vai acontecer, e saber o que dará para ser feito. Saber para quê você fará, e se isso é o melhor. Saber o quê, para você, significa "melhor". Saber as medidas de cada peso. Ter certeza dos valores que você dá a elas.
É um jogo complexo. Não é tão simples quanto falar. Mas uma vez que se torna uma decisão, se bem feita, qualquer coisa que bata nela reconcheteará, porque você terá um argumento. Não tem como não ter coragem de tomar uma decisão se você estiver armada de argumentos.
O ruim é quando dá preguiça de explicar aos outros tudo o que você pensou. Mas Mahatma Gandhi nos acompanha. Paciência!!
Quanto à minha amiga, ela está aprendendo ainda...
*Rio + sol + água + samba*
1- O que está ouvindo: Samba-enredo de 2010 da Unidos da Tijuca ;D
2- Último filme no cinema: Julie & Julia - Meryl Streep, uma delícia.
3- Livro que está lendo: A tragédia do Líbano - Domingo del Pino
4- O que fará hoje a noite: Ensaio de bateria da Unidos da Tijuca! Yeah Yeaaaaaah!
5- Reflexão do dia: "Refletir sobre si é uma obra de Igreja"
sábado, 26 de dezembro de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ligações entre a confusão no Irã e em Honduras
Atualizando os que estão em outro mundo:
Após as eleições presidenciais deste ano no Irã, que teve suspeitas de fraude nas urnas (o argumento mais grave, na minha opinião, é o de que é o resultado foi dado duas horas depois de fecharem as urnas. Detalhe: urnas com votos de papel de todo o país, que tem cerca de 70 mi de pessoas -a votação pra prefeito de São Paulo no ano passado, com urna eletrônica, demorou quase 4 horas para ser contada), milhares de iranianos - jovens e velhos, homens e mulheres - saíram às ruas pedindo que os resultados fossem revistos. Foram duramente repreendidos pela polícia de Mahmoud Ahmadinejad, presidente supostamente reeleito, o que gerou muitos conflitos e mortes de manifestantes, mas não conseguiu acabar com o movimento.
Aliás, o movimento havia dado uma diminuída (pelos menos na cobertura dos jornais) nas últimas semanas, mas ontem teve uma grande passeata em homenagem as vitimas, havendo conflito com a polícia novamente.
Em Honduras, num imbróglio ainda meio mal explicado, o presidente eleito pela população, Manuel Zelaya, recebeu um golpe por opositores com o apoio do Exército e da Suprema Corte, após ele tentar fazer um consulta nacional sobre a mudança na Constituição. Essa consulta era considerada ilegal segunda a Constituição do país, e Zelaya recebeu uma ação judicial para que não a realizasse. Ele insistiu no assunto, e foi deposto por descumprir ordem judicial.
Ele foi exilado e até agora está tentando entrar no país por meio da fronteira com a Nicarágua. Sinceramente, ele está fazendo o maior show com isso (entrar no país em um caminhão dirigido por ele, com centenas de seguidores e jornalistas junto), e atropelando meios mais adequados de se resolver a questão (como um acordo que os EUA já se disponibilizou a mediar, e que ele aceitou, por sinal).
De uma maneira ou de outra, Zelaya aparentemente tem apoio da maioria da população hondurenha, que se manifesta com o presidente eleito por eles, ou faz suas próprias passeatas na capital Tugucigalpa, e de praticamente toda a comunidade internacional, que não reconhece o governo golpista.
Acho que é meio óbvio o que há de comum entre os dois.
Populações exercendo e lutando pelo seu direito a democracia, mesmo que estas sejam frágeis nos países em que se encontram.
Por motivos bastante subjetivos, o que está acontecendo no Irã me emociona mais do que em Honduras.
A população não se calar diante de um governo opressor, em uma cultura que já por si só contem comportamentos considerados ocidentalmente como conservadores e submissos (devido a maioria xiita dos muçulmanos do país), é um indicador de coragem e transformação que pode estar surgindo no Irã.
Ahmadinejah é um cara bem populista, tem sua base eleitoral nos pobres, e é um político de muita lábia. Seu discurso varia segundo a platéia. Para a comunidade internacional, ele faz uso de palavras próprias de vítima injustiçada, especialmente no que diz respeito ao seu programa nuclear. Internamente, ele bate em todos que se opõem as suas idéias, mas isso não costumava ser um grande problema para ele.
Agora que esse bater está afetando muito diretamente a população (de uma maneira bastante ultrajante, afinal a fraude é bem óbvia) e que até o aiotolá (maior autoridade do país, líder religioso instituído pela Revolução Iraniana), que apoia o presidente, chegou a dizer que talvez fosse melhor rever a contagem da eleição, Ahmadinejah ou aprende a aceitar os apelos da populção, ou no seu próximo escorregão insultante acabará sendo tirado da presidência pela população.
É claro que esta é uma opinião otimista minha. Governos tiranos devem ser retirados com a vontade da população. Sempre há aquela ajuda na surdina (ou na cara dura) de outros países, mas quem faz as coisas acontecerem é a população. É assim que transformações sólidas acontecem, porque se torna algo do qual a população se orgulha, e a lembrança da luta é algo que perdura e se tenta preservar.
Bem diferente da palhaçada que aconteceu no Iraque. Que só foi merda atrás de merda.
Democracias, especialmente no Oriente Médio, tem de ser algo almejado pela a própria população, com pensamentos e modelos vindos dos próprios árabes (claro que, por ser um modelo político bem ocidental, haverá influência. Mas que seja só de idéias, aceitas e bem recebidas pelos árabes). Pode ser muito lento, mas é um processo necessário. Caso contrário, uma intervenção direta de outros países se torna algo que gera ódio e rejeição a essas ideias, sem que elas tenham a oportunidade de serem realmente bem discutidas, sem que elas possam entrar na mente da maioria da população.
O Irã finge que tem democracia. Se diz uma república islâmica. Mas lá, como em todo lugar que a democracia é frágil, manda o poder e as influências. Ainda mais porque essa coisa de aiatolá é uma enganação que faz os muçulmanos se sentirem intimidados a se opor, com medo de estarem desrespeitando a religião.
Mas não é ruim sonhar com um dia em que O Corão receberá a interpretação individual de cada um, e então governos como Irã não poderão abusar da religião para controlar a população. E essa população não permitirá ser governada sem que se considere de maneira consistente a sua vontade.
Sobre Honduras, confesso, não sei muito de sua história. Mas certamente um lugar em pleno século XXI que tem seu presidente deposto por uma desculpa esfarrapada como a que foi dada pelos golpistas não tem uma democracia forte. A própria ação judicial já é absurda. Que Constituição é essa que não permite a voz da população?
Mas, em termo judiciais, ok o presidente ser repreendido... Mas ser deposto é um exagero oportunista.
Só que esse golpe não vai longe. A não ser que sejam reveladas informações muito sórdidas sobre o Zelaya ou o próprio cometa um grande erro que indigne a comunidade internacional (não acho isso totalmente impossível, a julgar pelas atitudes impulsivas e meio wanna-be-herói que ele vem tendo), os golpistas não conseguirão governar.
Honduras iria receber sanções comerciais e a coisa ia ficar bem difícil (e quem sofre mais é a população - que possivelmente se revoltaria ainda mais). Também existiria a possibilidade de uma intervenção da ONU - e se isto acontecesse, ia virar uma situação caótica (Eu esperaria que fosse MUITO melhor planejada do que o que eles fizeram no Haiti... Mas tenho minhas dúvidas).
Em Honduras, uma intervenção internacional é menos grave do que no Irã, já que não se pode por culpa em culturas ou mentalidades. Não tem como o governo hondurenho contra-atacar com uma campanha de insultos ao ocidente e sua incompreensão com relação a uma religião em específica. É um outro contexto.
Não dá para usar a desculpa que os interpostos comerciais são uma repreensão ideológica, como ocorre no Irã. A população sabe bem que seria uma repreensão a um governo que não foi eleito por eles. É uma situação insustentável para o governo golpista.
Eles vão cair.
É meio difícil para mim, como brasileira, ficar falando que esses lugares não tem "democracia forte", sabendo que um americano ou um suíço diriam o mesmo sobre o Brasil.
É claro que são níveis diferentes, e o Brasil, mesmo que mancando, está sim avançando em termos de democracia.
Sim, nós temos de conviver com políticos que não ligam para a opinião pública e ver a maioria que se elege não passar de uma corja endinheirada e influente. Mas, de toda a maneira, é a população que elege. Muito mal, mas é ela.
Mas um americano e um suíço achariam engraçado, quando não patético, que a democracia no Brasil se resuma a eleições do executivo e do legislativo, com poucas consultas populacionais. Lá eles elegem até o juiz principal da cidade. A Suiça consulta a população até para saber se eles aceitam que aviões do Exército utilizem certa área do espaço aéreo. Quase a metade dos estados norte-americanos fizeram um plebiscito junto com as eleições do ano passado para saber se a população aceita o casamento gay.
Pena que os brasileiros andam cada vez mais indiferentes, e mesmo que a mídia fique pressionando para que o Congresso Nacional, no mínimo, envergonhe-se das coisas que acontecem por lá, poucos acham mais importante protestar do que ver seu programa na tv aos domingos.
Que tal se inspirar um poucos nos iranianos e nos hondurenhos?
(ressalvas para as gravidades dos problemas, mas por que não se contagiar?)
Um PS para meus amigos que farão vestibular este ano:
- Estudem a importância geopolítica do Irã e a Revolução Iraniana
Vídeos do Irã:
- Sinta o tamanho das manifestações.
- Confusão com os ataques policiais (note o perfil do iraniano que postou esse vídeo)
- Protesto de ontem no cemitério em que pessoas foram rezar por quem morreu no movimento
Só uma coisa que achei muito curiosa e estava no post de um dos canais desses iranianos protestantes:
"Amercian high school teacher's responce on recent events in Iran that has been posted to one of Persian blogs:
I teach at a NYC high school, and recently one student stood up to our very intimidating principal, (something that almost never happens). When he did not get permission for what he intended another student said Lets go Iranian on him. By that he meant organize a protest. And so now they IRAN anything they want to change. So it has become a verb now and to Iran the situation is to stand up to authority, well at least here in this corner of the universe. And it is a huge bonus for me because I cannot usually get them to even pay attention to another part of the world.
Point being, even these students who get very small amounts of news equate Iranian with bravery and I completely agree, and wish I had that kind of intestinal fortitude.
You have our greatest admiration and respect!"
Tradução:
A resposta de uma professora da high school [equivalente ao Ensino Médio] americana diante dos recentes eventos no Irã que foi postada em blog persa [os Iranianos tem decendência persa, para os que faltaram nessa aula de História, e muitas vezes se utilizam dela para se denominar]:
Eu ensino em uma high school de Nova York e recentemente um(a) estudante contra o(a) muito intimidante diretor(a) (algo que quase nunca acontece). Quando ele/a não conseguiu permissão para o que queria, outro (a) estudante disse "Vamos iraniar nele(a)"!. Ele/a quis dizer organizar um protesto. E agora eles "iraniam" coisas que eles querem mudar. Isso virou um verbo agora e iraniar uma situação é levantar-se contra a autoridade, bom, ao menos nesse canto do universo. E é um grande ganho para mim, porque eu não consiguia nem ao menos fazê-los prestar atenção em outra parte do mundo [NT: ela/e quis dizer que a situação no Irã fez seus alunos prestarem atenção em outros lugares além daqueles comuns a eles]
A dado ponto que até alunos veem poucas notícias entendem Iran como sinônimo de bravura e eu concordo completamente, e queria ter esse tipo de persitência intestinal [traduzi literalmente essa expressão, mas no Brasil se diria, provavelmente, "ter esse estômago". Mas a americana é mais precisa]
*Chocolate quente italiano é pastoso*
1 - O que está ouvindo? Prologue (The book of Secrets) - Loreena Mckennit
2- Último filme no cinema? Inimigos Públicos - Apesar da crítica boa, vale mais pelo Jonnhy Depp e a Marion Cottilard do que pelo diretor.
3 - Última grande leitura (tirando as de trabalhos universitáios): 17 mangás de Fullmetal Alchemist em uma semana.
4 - Último delírio: Achar que podia fazer em 6h o que levei 11h para fazer.
5- Reflexão do Dia: Influencie pelo exemplo, não pela força.
Após as eleições presidenciais deste ano no Irã, que teve suspeitas de fraude nas urnas (o argumento mais grave, na minha opinião, é o de que é o resultado foi dado duas horas depois de fecharem as urnas. Detalhe: urnas com votos de papel de todo o país, que tem cerca de 70 mi de pessoas -a votação pra prefeito de São Paulo no ano passado, com urna eletrônica, demorou quase 4 horas para ser contada), milhares de iranianos - jovens e velhos, homens e mulheres - saíram às ruas pedindo que os resultados fossem revistos. Foram duramente repreendidos pela polícia de Mahmoud Ahmadinejad, presidente supostamente reeleito, o que gerou muitos conflitos e mortes de manifestantes, mas não conseguiu acabar com o movimento.
Aliás, o movimento havia dado uma diminuída (pelos menos na cobertura dos jornais) nas últimas semanas, mas ontem teve uma grande passeata em homenagem as vitimas, havendo conflito com a polícia novamente.
Em Honduras, num imbróglio ainda meio mal explicado, o presidente eleito pela população, Manuel Zelaya, recebeu um golpe por opositores com o apoio do Exército e da Suprema Corte, após ele tentar fazer um consulta nacional sobre a mudança na Constituição. Essa consulta era considerada ilegal segunda a Constituição do país, e Zelaya recebeu uma ação judicial para que não a realizasse. Ele insistiu no assunto, e foi deposto por descumprir ordem judicial.
Ele foi exilado e até agora está tentando entrar no país por meio da fronteira com a Nicarágua. Sinceramente, ele está fazendo o maior show com isso (entrar no país em um caminhão dirigido por ele, com centenas de seguidores e jornalistas junto), e atropelando meios mais adequados de se resolver a questão (como um acordo que os EUA já se disponibilizou a mediar, e que ele aceitou, por sinal).
De uma maneira ou de outra, Zelaya aparentemente tem apoio da maioria da população hondurenha, que se manifesta com o presidente eleito por eles, ou faz suas próprias passeatas na capital Tugucigalpa, e de praticamente toda a comunidade internacional, que não reconhece o governo golpista.
Acho que é meio óbvio o que há de comum entre os dois.
Populações exercendo e lutando pelo seu direito a democracia, mesmo que estas sejam frágeis nos países em que se encontram.
Por motivos bastante subjetivos, o que está acontecendo no Irã me emociona mais do que em Honduras.
A população não se calar diante de um governo opressor, em uma cultura que já por si só contem comportamentos considerados ocidentalmente como conservadores e submissos (devido a maioria xiita dos muçulmanos do país), é um indicador de coragem e transformação que pode estar surgindo no Irã.
Ahmadinejah é um cara bem populista, tem sua base eleitoral nos pobres, e é um político de muita lábia. Seu discurso varia segundo a platéia. Para a comunidade internacional, ele faz uso de palavras próprias de vítima injustiçada, especialmente no que diz respeito ao seu programa nuclear. Internamente, ele bate em todos que se opõem as suas idéias, mas isso não costumava ser um grande problema para ele.
Agora que esse bater está afetando muito diretamente a população (de uma maneira bastante ultrajante, afinal a fraude é bem óbvia) e que até o aiotolá (maior autoridade do país, líder religioso instituído pela Revolução Iraniana), que apoia o presidente, chegou a dizer que talvez fosse melhor rever a contagem da eleição, Ahmadinejah ou aprende a aceitar os apelos da populção, ou no seu próximo escorregão insultante acabará sendo tirado da presidência pela população.
É claro que esta é uma opinião otimista minha. Governos tiranos devem ser retirados com a vontade da população. Sempre há aquela ajuda na surdina (ou na cara dura) de outros países, mas quem faz as coisas acontecerem é a população. É assim que transformações sólidas acontecem, porque se torna algo do qual a população se orgulha, e a lembrança da luta é algo que perdura e se tenta preservar.
Bem diferente da palhaçada que aconteceu no Iraque. Que só foi merda atrás de merda.
Democracias, especialmente no Oriente Médio, tem de ser algo almejado pela a própria população, com pensamentos e modelos vindos dos próprios árabes (claro que, por ser um modelo político bem ocidental, haverá influência. Mas que seja só de idéias, aceitas e bem recebidas pelos árabes). Pode ser muito lento, mas é um processo necessário. Caso contrário, uma intervenção direta de outros países se torna algo que gera ódio e rejeição a essas ideias, sem que elas tenham a oportunidade de serem realmente bem discutidas, sem que elas possam entrar na mente da maioria da população.
O Irã finge que tem democracia. Se diz uma república islâmica. Mas lá, como em todo lugar que a democracia é frágil, manda o poder e as influências. Ainda mais porque essa coisa de aiatolá é uma enganação que faz os muçulmanos se sentirem intimidados a se opor, com medo de estarem desrespeitando a religião.
Mas não é ruim sonhar com um dia em que O Corão receberá a interpretação individual de cada um, e então governos como Irã não poderão abusar da religião para controlar a população. E essa população não permitirá ser governada sem que se considere de maneira consistente a sua vontade.
Sobre Honduras, confesso, não sei muito de sua história. Mas certamente um lugar em pleno século XXI que tem seu presidente deposto por uma desculpa esfarrapada como a que foi dada pelos golpistas não tem uma democracia forte. A própria ação judicial já é absurda. Que Constituição é essa que não permite a voz da população?
Mas, em termo judiciais, ok o presidente ser repreendido... Mas ser deposto é um exagero oportunista.
Só que esse golpe não vai longe. A não ser que sejam reveladas informações muito sórdidas sobre o Zelaya ou o próprio cometa um grande erro que indigne a comunidade internacional (não acho isso totalmente impossível, a julgar pelas atitudes impulsivas e meio wanna-be-herói que ele vem tendo), os golpistas não conseguirão governar.
Honduras iria receber sanções comerciais e a coisa ia ficar bem difícil (e quem sofre mais é a população - que possivelmente se revoltaria ainda mais). Também existiria a possibilidade de uma intervenção da ONU - e se isto acontecesse, ia virar uma situação caótica (Eu esperaria que fosse MUITO melhor planejada do que o que eles fizeram no Haiti... Mas tenho minhas dúvidas).
Em Honduras, uma intervenção internacional é menos grave do que no Irã, já que não se pode por culpa em culturas ou mentalidades. Não tem como o governo hondurenho contra-atacar com uma campanha de insultos ao ocidente e sua incompreensão com relação a uma religião em específica. É um outro contexto.
Não dá para usar a desculpa que os interpostos comerciais são uma repreensão ideológica, como ocorre no Irã. A população sabe bem que seria uma repreensão a um governo que não foi eleito por eles. É uma situação insustentável para o governo golpista.
Eles vão cair.
É meio difícil para mim, como brasileira, ficar falando que esses lugares não tem "democracia forte", sabendo que um americano ou um suíço diriam o mesmo sobre o Brasil.
É claro que são níveis diferentes, e o Brasil, mesmo que mancando, está sim avançando em termos de democracia.
Sim, nós temos de conviver com políticos que não ligam para a opinião pública e ver a maioria que se elege não passar de uma corja endinheirada e influente. Mas, de toda a maneira, é a população que elege. Muito mal, mas é ela.
Mas um americano e um suíço achariam engraçado, quando não patético, que a democracia no Brasil se resuma a eleições do executivo e do legislativo, com poucas consultas populacionais. Lá eles elegem até o juiz principal da cidade. A Suiça consulta a população até para saber se eles aceitam que aviões do Exército utilizem certa área do espaço aéreo. Quase a metade dos estados norte-americanos fizeram um plebiscito junto com as eleições do ano passado para saber se a população aceita o casamento gay.
Pena que os brasileiros andam cada vez mais indiferentes, e mesmo que a mídia fique pressionando para que o Congresso Nacional, no mínimo, envergonhe-se das coisas que acontecem por lá, poucos acham mais importante protestar do que ver seu programa na tv aos domingos.
Que tal se inspirar um poucos nos iranianos e nos hondurenhos?
(ressalvas para as gravidades dos problemas, mas por que não se contagiar?)
Um PS para meus amigos que farão vestibular este ano:
- Estudem a importância geopolítica do Irã e a Revolução Iraniana
Vídeos do Irã:
- Sinta o tamanho das manifestações.
- Confusão com os ataques policiais (note o perfil do iraniano que postou esse vídeo)
- Protesto de ontem no cemitério em que pessoas foram rezar por quem morreu no movimento
Só uma coisa que achei muito curiosa e estava no post de um dos canais desses iranianos protestantes:
"Amercian high school teacher's responce on recent events in Iran that has been posted to one of Persian blogs:
I teach at a NYC high school, and recently one student stood up to our very intimidating principal, (something that almost never happens). When he did not get permission for what he intended another student said Lets go Iranian on him. By that he meant organize a protest. And so now they IRAN anything they want to change. So it has become a verb now and to Iran the situation is to stand up to authority, well at least here in this corner of the universe. And it is a huge bonus for me because I cannot usually get them to even pay attention to another part of the world.
Point being, even these students who get very small amounts of news equate Iranian with bravery and I completely agree, and wish I had that kind of intestinal fortitude.
You have our greatest admiration and respect!"
Tradução:
A resposta de uma professora da high school [equivalente ao Ensino Médio] americana diante dos recentes eventos no Irã que foi postada em blog persa [os Iranianos tem decendência persa, para os que faltaram nessa aula de História, e muitas vezes se utilizam dela para se denominar]:
Eu ensino em uma high school de Nova York e recentemente um(a) estudante contra o(a) muito intimidante diretor(a) (algo que quase nunca acontece). Quando ele/a não conseguiu permissão para o que queria, outro (a) estudante disse "Vamos iraniar nele(a)"!. Ele/a quis dizer organizar um protesto. E agora eles "iraniam" coisas que eles querem mudar. Isso virou um verbo agora e iraniar uma situação é levantar-se contra a autoridade, bom, ao menos nesse canto do universo. E é um grande ganho para mim, porque eu não consiguia nem ao menos fazê-los prestar atenção em outra parte do mundo [NT: ela/e quis dizer que a situação no Irã fez seus alunos prestarem atenção em outros lugares além daqueles comuns a eles]
A dado ponto que até alunos veem poucas notícias entendem Iran como sinônimo de bravura e eu concordo completamente, e queria ter esse tipo de persitência intestinal [traduzi literalmente essa expressão, mas no Brasil se diria, provavelmente, "ter esse estômago". Mas a americana é mais precisa]
*Chocolate quente italiano é pastoso*
1 - O que está ouvindo? Prologue (The book of Secrets) - Loreena Mckennit
2- Último filme no cinema? Inimigos Públicos - Apesar da crítica boa, vale mais pelo Jonnhy Depp e a Marion Cottilard do que pelo diretor.
3 - Última grande leitura (tirando as de trabalhos universitáios): 17 mangás de Fullmetal Alchemist em uma semana.
4 - Último delírio: Achar que podia fazer em 6h o que levei 11h para fazer.
5- Reflexão do Dia: Influencie pelo exemplo, não pela força.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Entre limite e fraqueza.
Eu não vi "Onde os fracos não têm vez" ainda, mas acredito que os "fracos" do filme, têm a fraqueza a que me refiro (ou não, já que é um faroeste. Mas é um bom inicio de post, então vou continuar nessa linha).
Pessoas que deixam de fazer algo sem tentar; pessoas que não suportam as dores de um percurso árduo, mesmo sabendo que o fim terá bons resultados; pessoas que têm medo de seguir por algo que desconhecem e por isso desistem/nem tentam; pessoas que não se mantem firmes em uma posição, por mais que saibam que ela é melhor para todos, porque elas irão se desgastar ou, mesmo pior, irão dar muito de si e possivelmente não receberão algo que considerem equivalente ao esforço.
Esse tipo de fraqueza faz parte do ser humano. Faz parte, talvez, do seu instinto de sobrevivência. O risco e o esforço vão contra um estado natural de "conforto mental".
Felizmente, pessoas percebem que "conforto mental" não é sinônimo de felicidade, de plenitude, ou de amor a si e aos outros. O conforto mental é cômodo, mas inútil.
Um conforto mental serve para pequenos momentos em que o cérebro precisa de descanso. Viver neste estado o tempo todo, sinceramente, é declarar sua própria morte. Que utilidade tem um humano que não se preocupa, que não tenta melhorar, que não tenta alcançar algo?
Simplesmente viver não nos diferencia dos outros animais. Nos tornam muito menores do que eles, dependendo do caso.
Se superar e tentar superar os outros devia estar encrustrado em nossas mentes como algo óbvio a se fazer, por mais que ás vezes a vontade impulsiva seja contra, por achar difícil/complicado demais. Não que realmente vamos alcançar essa superação, nem que realmente precisemos de tudo isso, mas a simples tentativa traz lições e novas perspectivas. Focar naquilo que é o melhor, e não naquilo que você se acha capaz de ser sempre acaba levando para outras fronteiras.
Quanto a passar por poucas e boas por um objetivo...
Esse talvez seja o quesito mais difícil. É a sensação que me fica quando me vejo oscilar muito e vejo amigos/colegas jogarem a toalha. Não me recordo de algo que eu tenha oscilado e jogado a toalha, ainda que tenha oscilado intensamente e que os meus projetos mais ambiciosos ainda estejam em andamento. Me orgulho, sim, e não tem porque não. Mas por me encontrar numa situação desse tipo, não consigo aceitar muito que as pessoas joguem a toalha quando estão numa situação muito mais fácil que a minha. Tendo consciência que não sou mais do que ninguém, fico tentando achar os porquês.
É de criação? Tem a ver com a trajetória de vida, com certeza. Admirar pessoas que são muito severas com você e/ou com elas mesmas certamente contribui. É uma admiração que veio com a percepção ou é biológica?
É uma questão de maturidade? Tenho minhas dúvidas. Antes de tudo, o que é maturidade? Não é a maioria dos adultos que são adeptos do esforço e do risco para alcançar algo. Ainda que todos tenham passado por situações que necessitaram disso.
Não dá para saber.
E eu vou me questionando se o tipo de dedicação que eu dou para as coisas que quero é o certo a se fazer ou se é uma completa ignorância dos meus limites que no futuro eu sentirei.
E me respondo, cheia de contrapontos, que os limites são quando nada mais pode ser feito e ultrapassam as leis da física (tipo precisar de mais de 24h por dia). Só que o uma resposta dessas, até hoje, pouquíssimas vezes me impediu de continuar com certos planos.
Será que eu sou muito criativa ou esses meus conhecidos é que estão precisando de uma injeção de perseverança?
Ah, a perseverança... Leva para lugares que a preguiça não pode nem imaginar!
*"Pq eu estudei em colégio de freira"*
1- O que está ouvindo? Iron Swallow - Jonny Greenwood
2- Último filme no cinema? Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Falem o que quiser, aprendi a gostar das adaptações, e, ainda que não seja perfeito, esse é o melhor filme da série!
3- Último filme na tv? O matador, de Pedro Almodovar. Rio muito com Almodovar... xD e... OMG! Antonio Bandeiras mto novo! o.o
4- Último filme no pc? A Encruzilhada, para estudos de Blues. WTH aquela "luta" de guitarras?! Fiquei em choque!
5- Reflexão do dia: Ninguém cresce sem se enfiar em dores e dar um pouco de si.
Pessoas que deixam de fazer algo sem tentar; pessoas que não suportam as dores de um percurso árduo, mesmo sabendo que o fim terá bons resultados; pessoas que têm medo de seguir por algo que desconhecem e por isso desistem/nem tentam; pessoas que não se mantem firmes em uma posição, por mais que saibam que ela é melhor para todos, porque elas irão se desgastar ou, mesmo pior, irão dar muito de si e possivelmente não receberão algo que considerem equivalente ao esforço.
Esse tipo de fraqueza faz parte do ser humano. Faz parte, talvez, do seu instinto de sobrevivência. O risco e o esforço vão contra um estado natural de "conforto mental".
Felizmente, pessoas percebem que "conforto mental" não é sinônimo de felicidade, de plenitude, ou de amor a si e aos outros. O conforto mental é cômodo, mas inútil.
Um conforto mental serve para pequenos momentos em que o cérebro precisa de descanso. Viver neste estado o tempo todo, sinceramente, é declarar sua própria morte. Que utilidade tem um humano que não se preocupa, que não tenta melhorar, que não tenta alcançar algo?
Simplesmente viver não nos diferencia dos outros animais. Nos tornam muito menores do que eles, dependendo do caso.
Se superar e tentar superar os outros devia estar encrustrado em nossas mentes como algo óbvio a se fazer, por mais que ás vezes a vontade impulsiva seja contra, por achar difícil/complicado demais. Não que realmente vamos alcançar essa superação, nem que realmente precisemos de tudo isso, mas a simples tentativa traz lições e novas perspectivas. Focar naquilo que é o melhor, e não naquilo que você se acha capaz de ser sempre acaba levando para outras fronteiras.
Quanto a passar por poucas e boas por um objetivo...
Esse talvez seja o quesito mais difícil. É a sensação que me fica quando me vejo oscilar muito e vejo amigos/colegas jogarem a toalha. Não me recordo de algo que eu tenha oscilado e jogado a toalha, ainda que tenha oscilado intensamente e que os meus projetos mais ambiciosos ainda estejam em andamento. Me orgulho, sim, e não tem porque não. Mas por me encontrar numa situação desse tipo, não consigo aceitar muito que as pessoas joguem a toalha quando estão numa situação muito mais fácil que a minha. Tendo consciência que não sou mais do que ninguém, fico tentando achar os porquês.
É de criação? Tem a ver com a trajetória de vida, com certeza. Admirar pessoas que são muito severas com você e/ou com elas mesmas certamente contribui. É uma admiração que veio com a percepção ou é biológica?
É uma questão de maturidade? Tenho minhas dúvidas. Antes de tudo, o que é maturidade? Não é a maioria dos adultos que são adeptos do esforço e do risco para alcançar algo. Ainda que todos tenham passado por situações que necessitaram disso.
Não dá para saber.
E eu vou me questionando se o tipo de dedicação que eu dou para as coisas que quero é o certo a se fazer ou se é uma completa ignorância dos meus limites que no futuro eu sentirei.
E me respondo, cheia de contrapontos, que os limites são quando nada mais pode ser feito e ultrapassam as leis da física (tipo precisar de mais de 24h por dia). Só que o uma resposta dessas, até hoje, pouquíssimas vezes me impediu de continuar com certos planos.
Será que eu sou muito criativa ou esses meus conhecidos é que estão precisando de uma injeção de perseverança?
Ah, a perseverança... Leva para lugares que a preguiça não pode nem imaginar!
*"Pq eu estudei em colégio de freira"*
1- O que está ouvindo? Iron Swallow - Jonny Greenwood
2- Último filme no cinema? Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Falem o que quiser, aprendi a gostar das adaptações, e, ainda que não seja perfeito, esse é o melhor filme da série!
3- Último filme na tv? O matador, de Pedro Almodovar. Rio muito com Almodovar... xD e... OMG! Antonio Bandeiras mto novo! o.o
4- Último filme no pc? A Encruzilhada, para estudos de Blues. WTH aquela "luta" de guitarras?! Fiquei em choque!
5- Reflexão do dia: Ninguém cresce sem se enfiar em dores e dar um pouco de si.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Que diferença faz a maioridade?
Tudo bem que eu já abordei esse assunto indiretamente em vários posts, mas eu estou com vontade de escrever, e esse foi o primeiro assunto que me veio na cabeça.
A resposta, a de sempre no meu mundo da relativização, é que depende de quem você é. Depende dos seus pais, depende dos seus amigos, depende do seu país, depende do que te aconteceu antes dos 18 (ou 21, ou 16...).
No meu caso, 18 anos foi só uma carteirinha entre os adultos para que eles dissessem certas coisas. Meus dois primeiros dias de 18 anos foram uma comédia pastelão. Imagine: Eu faço aniversário no natal, e geralmente a ceia é aqui em casa (naquele ano, foi). Portanto, muitos dos meus familiares vem para cá comemorar conosco. Imagine todos esses familiares falando frases clichês "Agora já pode beber!"(1), "Cuidado para não ir presa!"(2), "Agora é adulta!"(3).
1- É, isso aí! Vou tomar todas! Já que me mantive em total e completo recato como todos os adolescentes...
2 - Poxa! Agora sim posso cometer um infração! Yupi!
3- É, sou mesmo... Pago minhas contas, tenho minha casa, não devo dar satisfação para ninguém...
A minha irmã e suas amigas foram as piores. Falaram não só essas coisas, como também abriram recomendações sobre sexo, como eu devo lhe dar com as drogas na faculdade etc...
Brinquei com os meus amigos nessa época que minha família criou o "mundo mágico dos 18 anos".
Mas ela criou. Porque ele, na real, não existe. Ao menos para mim.
18 anos é como os quinze, os dezesseis... Provavelmente os vinte também. Tem coisas interessantes, é verdade: você compra bebida sem vergonha, você - se tiver condições - pode aprender a dirigir... você... ham... acho que só isso. Ah, você é obrigado a votar, se não fez isso por livre e espontanea vontade aos 16 como eu. E você passa na faculdade, se você fez as coisas direito.
Poucos resistem até os 18 para tocar os lábios no álcool. Eu na cadeia só por um azar ou uma perseguição política (?). FATO. Acho (e todos sempre souberam disso) drogas patético e dá dinheiro para o tráfico, portanto... NEVER.
Adulta? O que é... adulta? *Lagarta da Alice no país das maravilhas*
Subjetividade, para começo de conversa.
Adulto para mim paga as suas contas. Adulto para mim tem seu próprio teto (alugado ou não). Adulto só diz aonde vai quando quer. Adulto (deveria ter) tem senso crítico, mas não rígido (e chato/blasé, diga-se de passagem). Adulto (deveria) controla emoção.
Mas adulto pode (deve) gostar de Disney. Adulto pode pular jogando video game. Adulto tem direito de gostar de animação. Adulto tem todo o direito de fazer piadas patéticas. Adulto pode achar legal festa a fantasia. Adulto pode gostar de Kinder Ovo.
Que diferença faz a maioridade?
Muito pouca. Não é sinônimo de ser adulto, com certeza. Ser adulto é bem, bem mais lento.
P.S.: Às vezes eu creio que a maioria das coisas que escrevo são para pessoas mais novas que eu. Será mesmo?
*Reptar - Yes, Rugrets*
1 - O que está ouvindo? Beat it - Michael Jackson
2- Ultimo filme em dvd? Aladdin - ziguilhonésima vez, para fazer roteiro de peça infantil -> NAC nas creches da Ação Social.
3 - Último filme na tv? Harry Potter e a Ordem da Fênix - rs... adooooro...
4 - Última maluquice? - Atrazar todos os trabalhos em prol do "Bodas de Sangue" do NAC.
5 - Reflexão do Dia - Saiba o que é, antes de querer ser.
A resposta, a de sempre no meu mundo da relativização, é que depende de quem você é. Depende dos seus pais, depende dos seus amigos, depende do seu país, depende do que te aconteceu antes dos 18 (ou 21, ou 16...).
No meu caso, 18 anos foi só uma carteirinha entre os adultos para que eles dissessem certas coisas. Meus dois primeiros dias de 18 anos foram uma comédia pastelão. Imagine: Eu faço aniversário no natal, e geralmente a ceia é aqui em casa (naquele ano, foi). Portanto, muitos dos meus familiares vem para cá comemorar conosco. Imagine todos esses familiares falando frases clichês "Agora já pode beber!"(1), "Cuidado para não ir presa!"(2), "Agora é adulta!"(3).
1- É, isso aí! Vou tomar todas! Já que me mantive em total e completo recato como todos os adolescentes...
2 - Poxa! Agora sim posso cometer um infração! Yupi!
3- É, sou mesmo... Pago minhas contas, tenho minha casa, não devo dar satisfação para ninguém...
A minha irmã e suas amigas foram as piores. Falaram não só essas coisas, como também abriram recomendações sobre sexo, como eu devo lhe dar com as drogas na faculdade etc...
Brinquei com os meus amigos nessa época que minha família criou o "mundo mágico dos 18 anos".
Mas ela criou. Porque ele, na real, não existe. Ao menos para mim.
18 anos é como os quinze, os dezesseis... Provavelmente os vinte também. Tem coisas interessantes, é verdade: você compra bebida sem vergonha, você - se tiver condições - pode aprender a dirigir... você... ham... acho que só isso. Ah, você é obrigado a votar, se não fez isso por livre e espontanea vontade aos 16 como eu. E você passa na faculdade, se você fez as coisas direito.
Poucos resistem até os 18 para tocar os lábios no álcool. Eu na cadeia só por um azar ou uma perseguição política (?). FATO. Acho (e todos sempre souberam disso) drogas patético e dá dinheiro para o tráfico, portanto... NEVER.
Adulta? O que é... adulta? *Lagarta da Alice no país das maravilhas*
Subjetividade, para começo de conversa.
Adulto para mim paga as suas contas. Adulto para mim tem seu próprio teto (alugado ou não). Adulto só diz aonde vai quando quer. Adulto (deveria ter) tem senso crítico, mas não rígido (e chato/blasé, diga-se de passagem). Adulto (deveria) controla emoção.
Mas adulto pode (deve) gostar de Disney. Adulto pode pular jogando video game. Adulto tem direito de gostar de animação. Adulto tem todo o direito de fazer piadas patéticas. Adulto pode achar legal festa a fantasia. Adulto pode gostar de Kinder Ovo.
Que diferença faz a maioridade?
Muito pouca. Não é sinônimo de ser adulto, com certeza. Ser adulto é bem, bem mais lento.
P.S.: Às vezes eu creio que a maioria das coisas que escrevo são para pessoas mais novas que eu. Será mesmo?
*Reptar - Yes, Rugrets*
1 - O que está ouvindo? Beat it - Michael Jackson
2- Ultimo filme em dvd? Aladdin - ziguilhonésima vez, para fazer roteiro de peça infantil -> NAC nas creches da Ação Social.
3 - Último filme na tv? Harry Potter e a Ordem da Fênix - rs... adooooro...
4 - Última maluquice? - Atrazar todos os trabalhos em prol do "Bodas de Sangue" do NAC.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
A greve na USP em 2009
Como aluna da USP, eu tenho duas coisas a comentar nesse blog:
1- Sinto por não ter postado durante meses, eu tenho até um post incompleto aqui nos rascunhos, mas me faltou tempo. Ou melhor, fui incomodada pelo o velho pensamento dos cdfs "enquanto eu estou 'perdendo' tempo neste post, eu poderia estar escrevendo aquele trabalho".
2- Quem não está viajando na lua, está a par da greve na USP, ao menos depois do confronto da última terça-feira. É quase meu dever, pelo o papel que eu estabeleci para esse blog e por ser aluna do departamento mais mobilizado da greve, comentar sobre ela.
Então, vamos desenvolver o segundo comentário hoje.
A ideia de greve está circulando desde abril entre os funcionários. Eles foram adiando as votações por conta dos feriados daquele mês, mas parecia meio inevitável. Por quê?
Na pauta dos funcionários, há uma revolta pela demissão de um dos líderes sindicais, um tal de Claudinor Brandão . Há uma confusão também porque o estado fez um concurso há uns dois, três anos atrás que não foi regularizado. Os funcionários (nas 3 universidades estaduais) que foram contratados nesse concurso iam ser demitidos, ao invés de serem regularizados. São entre 2 e 5 mil pessoas, não me lembro direito. E há a velha luta que, entra greve, sai greve, nunca se resolve: o salário nunca está de acordo com o que deveria. Esses eram os principais pontos naquele momento.
Dessas pautas, eu acho completamente duvidosa a primeira. O Brandão, até onde me foi informado, já nem estava mais trabalhando como funcionário propriamente dito, ele estava só ativo no sindicato. Ele estava sendo pago pelo governo para ficar gritando (minha opinião tendenciosa). Os funcionários acham que o motivo da demissão dele foi puramente político, uma vez que ele foi um dos lideres dos funcionários na greve de 2007 e outros tipos de incômodos "políticos".
Porém, há uma lado negro do Brandão nessa história: ele está sendo acusado de assédio sexual em uns 4 processos judiciais, vindos de meninas diferentes, que são estudantes da USP. Além disso (e por isso - e mais algumas coisas que naõ são discutidas e, portanto, eu não sei), como funcionário publico, ele sofreu um processo administrativo e burocrático que não passa só pela opinião da "autoritária" reitoria, mas por uma comissão formada por professores, funcionários e alunos, segundo uma professora me disse.
Logo, ao meu ver, defender o Brandão não é "defender as lideranças sindicais" de uma "perseguição política", como disse uma colega num debate do meu departamento, mas um ato emocional e, como de praxe, cego. Ele, acredito eu, não é flor que se cheire. E independe de haver um pedaço de "alívio político" da reitoria nessa decisão, ela não foi tomada sozinha e nem sem outros (bons) argumentos.
Enfim, nossos caros funcionários - por idealismo e, quase como consequência, por uma falta de visão pragmática - declararam greve no dia 5 de maio, uma terça-feira, fazendo os serviços que aliviam muito mais os alunos mais carentes do que qualquer outro pararem de funcionar: bandejão (restaurante universitário que custa quase 2 reias um prato muito nutritivo), ônibus circular (de graça), biblioteca, pró-aluno (sala de computador que não paga nada)...
Na minha humilde opinião, greve é um instrumento de reinvidicação que deve ser usado absolutamente em última instância. Greve é a resolução tomada quando todas as outras alternativas já foram praticadas. Ela afeta a vida das pessoas de uma maneira enorme: atrapalham planos, atrasam os estudos, deixam as pesquisas mais capengas (sem biblioteca), altera a dieta de quem precisa do bandejão...
Tentar uma reunião com a reitoria eles fizeram, fazer manifestações dentro da USP também. Mas eu não vi passeata fora da USP, não vi uma divulgação, escrita por eles, dos problemas que eles estavam tendo em nenhum pedaço midiático, não vi nenhum tipo de insistência nem mesmo dentro da USP. Eles não fizeram grandes tentativas de mobilização. Gritaram às portas da FFLCH e afins, como se isso, em pleno século XXI e 20 anos após a queda do Muro de Berlim, fizesse realmente uma grande diferença na opinião dos outros. Não rolou nem panfleto (apartidário)! Foi no boca-boca e na convocação para comparecer a debates.
Quanta ingenuidade! Meus míseros 19 anos de vida foram o suficiente para eu sacar que, definitivamente, não se deve esperar que "Maomé vá a montanha, mas que a montanha vá a Maomé". É quase patético ouvir que 700 funcionários, dos cerca de 60000, estavam na assembleia. E esses 700 declararam greve.
Ao invés de conquistar e mobilizar antes da greve, eles tentam depois, quando todos já estão com raiva dos "politicamente ativos" e, pior, sob piquetes (ou em casa assistindo Datena). Claro, não se pode esperar mais do que a metade se mobilizando. Nos EUA, onde o voto é facultativo, o normal (quando não há "Obamas" concorrendo) é uns 44% da população que pode votar comparecer às urnas. Mas 700??? Há algo errado! E o mais fácil identificar é: falha de mobilização.
Esse pessoal "politicamente ativo" costuma dizer que os outros que não comparecem são "individualistas", "alienados" e/ou até "reaças" (reacionários - "direitões"). Dizem que é um reflexo dos nossos tempos. Será que o problema está mesmo no envolvimento político das pessoas?
Mesmo que parte da culpa seja isso, e eu não nego (ainda que eu ache que não é um nível tão abaixo do que o de outros tempos), está lhes faltando perceber que os tons das mobilizações políticas líderes já não estão mais afinados com os da maioria. Não há "inimigo comum", como nos tempos da ditadura. Por conta disso, não há só uma voz nesse coreto. Mas uma voz é meio que imposta.
Essa voz imposta incomoda e, em muitos casos (e não adianta eles negarem, eu já vi, vi muitas vezes e não sou a única), ela é intolerante. Ela vaia quem fala diferente e interrompe os argumentos dos ideias diversas com gracinhas ou mesmo com discursos. Esse tipo de coisa afasta quem faz um esforcinho para acompanhar os debates políticos. Outro problema é o dos discursos partidários. Tem muita gente lá envolvida com partido e essas pessoas são, em geral, vozes muito ativas. E chatas, extremamente chatas. E eles quase sempre levam um debate que supostamente deveria discutir os problemas internos da usp para discussões governamentais duvidosas. Para adicionar à lista, há algo que está intrísseco aos dois itens anteriores, e, creio, é o mais problemático: na hora de convocar/convencer os outros de que se precisa ir aos debates, os "mobilizadores" não trazem só os problemas, mas as suas opiniões sobre os problemas. À exemplo: ao invés de dizer "estamos tentando há semanas um diálogo com a reitora, mas ela está adiando e não dá resposta", eles dizem "ela não conversa com a gente, numa posição claramente autoritária e opressora... blablabla".
Será que essa é a melhor abordagem? Essas falas soam ultrapassadas para a imensa maioria das pessoas. Elas ouvem uma coisa dessas e acionam o botãozinho no cérebro para "discurso esquerdista iludido e quixotesco". Não estou defedendo que isso é o certo a se fazer, eu acho que não se pode ignorar o que os outros têm a nos dizer (mesmo que seja de uma maneira muito chata. As vezes dá para extrair algo interessante), mas, se são eles que querem atrair os outros, se são eles que querem "abrir os olhos" dos outros, então são eles que têm de mudar primeiro, dar o primeiro passo.
Eu tenho certeza que se um lado se abre para mudanças, o outro também, nesse caso.
Obviamente que essa questão dos "politicamente ativos" e das mobilizações não é única dos funcionários. No movimento estudantil e na associação dos professores também acontecem coisas parecidas. Mas até o dia 1 de junho, eles não estavam tendo muito acordo entre si sobre a pertinência de uma greve.
Para os estudantes, apoiar as reinvidicações do funcionários já era uma pauta. Havia já também a questão da Univesp ( o programa de ensino a distância), a reforma na estatuinte (há uma enorme polêmica porque os professores têm 75% das cadeiras no Conselho Universitário, contra 15% dos funcionários e 10% dos alunos - é assim há anos, mas isso não é normal em grandes universidades. E para quem não sabe, o Conselho Univeristário é grupo que toma as decisões administrativas e políticas da USP. Pense em "vereadores". Além disso, quer-se que a eleição para reitor seja feita diretamente, e não pela escolha do Conselho) e, no caso do depto. da História, os problemas crônicos de infra-estrutura (muito aluno, poucos cursos disponíveis - queriam mais salas e mais professores - ainda que uma professora minha sugira que se discuta melhor isso, porque a solução pode estar num rigor maior para que os professores -que também são pesquisadores e tem uns direitos aí de não dar aula por não-sei-quanto tempo - não deixem de dar aula e também na abertura das salas pela manhã).
Os professores, por sua vez, tiveram seu plano de carreira alterado sem consulta, sem debate. O plano de carreira define pisos salariais e categoriza os professores entre eles. O novo plano de carreira pulverizava mais ainda a categoria e dificultava absurdamente o professor a conquistar méritos (o "topo" da categoria, nós fizemos as contas com uma professora, só poderia ser alcançado quando o prefessor tivesse, em média, 62 anos: ou seja, quando estivesse prestes a se aposentar). Além disso, o seu salário devia acompanhar os aumentos na arrecadação do ICMS, isso não acontece há 4 anos, como se não bastasse a redução de 40% no poder de compra deles com relação a 1988.
Acontece que, a partir do momento que a reitora usou uma ação judicial para chamar a polícia, as coisas esquentaram. O argumento da louca é que ela está defendendo o patrimônio público e que uma das funções dela é prezar pela ordem na universidade. Não sem razão ela diz isso, porque no dia 25 de maio, durante uma manifestação na frente da reitoria, alunos e funcionários invadiram a reitoria por algumas horas, quebrando portas e persianas. Além disso, piquete que impede os outros de irem aonde bem entendem, ainda mais um espaço publico, como as bibiliotecas, é contra a lei (e eu acho que tem de continuar a ser contra lei).
Eu imagino que por traz desses "bons" argumentos, está também uma vontade de não ter que ficar ouvindo as reinvidicações dos manifestantes. Não por maldade, uma teoria maléfica de que ela quer oprimir, mas por falta de paciência mesmo, por uma inabilidade política de extrair de discursos inflamados opiniões a se pensar, ideias a se questionar e soluções a se debater.
Inegável, porém, é perceber o quanto essa mulher não pode ser chamada de sábia. O que ela tinha na cabeça ao achar que PM no meio de uma discussão política é uma boa ideia? Por que ela não abriu mão da sua impaciência de ouvir as reinvidicações, já que ela preza pelo patrimônio publico e quer manter a ordem? Não vai haver quebra-quebra se não houver "motivo" para isso. Enfim, por que não dialogar ao invés de chamar a polícia? Por que não abrir o debate?
Os alunos (mobilizados) da História se irritaram com a presença da polícia e foram os primeiros a declarar greve, junto com os da Educação. Logo depois, a FFLCH já estava em greve. E, na quinta-feira, dia 4, os professores fizeram uma assembleia e declararam greve também.
Temos um problema aqui: desde quando é motivo para greve a presença da polícia?
Eles dizem: a polícia não entrava na USP desde de 69. E fazem comparações de conjucturas, intencionando uma volta da repressão aos movimentos sociais.
Eu digo: isso é motivo o suficiente para uma grande passeata, para muito barulho, mas não para uma greve.
A pauta mais forte da greve, e a que mais mobiliza por enquanto, é a que pede a retirada da polícia. E quando isso acontecer? O que será do movimento? Será que o resto é forte o suficiente para que uma greve mobilize?
Até a Politécnica fez uma assembleia que declarou repúdio a ação da polícia na terça-feira, dia 9. Não se sabe que lado incendiou o conflito entre os estudantes e a PM. Mas, independente disso, houve uma prova de um dos maiores porquês (e o que mais me preocupava) a polícia não podia estar ali no campus: a polícia é absolutamente despreparada (no sentido que ela não é bem treinada para esse tipo de ação) para lidar com manifestações políticas, é, em sua natureza, ao menos a brasileira, truculenta e formada, em geral, por homens de pouca educação. Um gesto agressivo, uma ofensa, uma brincadeira imbecil vinda de um manifestante é já se poderia prever que a polícia reagiria de maneira desproporcional.
E assim foi: estudantes xingando, batendo com livros, atirando pedras e flores (tem gente que achou legal, tem gente que achou retrô essa coisa das flores. De qualquer maneira, era obviamente inofensivo), enquanto os policiais atiravam tresloucadamente balas de borracha e bombas de efeito moral.
Foi tão desproporcional que, ao fechar o cerco dos estudantes no prédio da História e da Geografia, os policiais continuaram atirando balas e bombas, sem querer saber quem era manifestante, quem era professor, quem só estava passando por ali... Continuaram atirando até quando os professores pediam para conversar, mesmo na chefe do meu departamento, a professora Marina de Mello e Souza.
Dói ver aquele idiota do Datena mandando os estudantes estudarem, chamando-os de vagabundos e afins. Ainda mais aqueles que estavam na mobilização. Eles podem ser uns chatos, movidos pela emoção e caras com certa dificuldade de tolerarem quem pensa diferente deles; mas eles (ou a imensa maioria deles) acreditam que estão fazendo aquilo por uma USP melhor, mais democrática, mais correta, e, movidos pelo sentimento de perseguição política, mais livre.
Talvez alguns dos que estão adorando ficar em casa sem ter aula e nem querem saber da mobilização e de política, pudessem ser chamados de "vagabundos", mas mesmo assim há de se questionar.
Eu acho que piquete é a maior idiotice, ele só ajuda a afastar as pessoas e as deixar com raiva. Impedir que os outros tenham aula é ridículo, além de ser uma violência. O convecimento vem das conversas, e as possibilidades de estabalecer uma conversa têm de ser exploradas a mil e não só esperar o comparecimento às assembleias. A própria ideia de greve no final do semestre é absurda.
Muitos dizem, agora, que greve mobiliza sim, porque com ela muitas pessoas que não iam nas assembleias e debates estão indo. Completa ilusão. Quantos a mais será que eles teriam conquistado se tivessem feito mais atos, mais passeatas, enviado mais e-mails, parado as pessoas nos corredores?
Estão indo aqueles que por si só estão interessados na política da univerisdade (e que querem defender suas ideias, inclusive as que são contrárias a greve e certas pautas). Muitos outros poderiam ter sido convencidos. È mais fácil convencer (de que há problemas na universidade que devem ser discutidos) do que se pensa, porque os problemas da USP são feitos, em sua maioria, pelos erros da reitoria e do governo. Basta apresentar esses erros, nem precisa dar sua opinião sobre eles, que eles já atraíriam e indignariam muita gente.
Incomoda-me frases do tipo "a usp está em greve de novo?", "são sempre os alunos das ciências humanas...", ditas com um certo desprezo. Se a ideia de greve está certa ou não é uma coisa, mas se há greve e se são alunos das ciências humanas (ainda que não seja a maioria dos alunos que se mobilizam/ concordam) os que mais apoiam, tem seus motivos. Se há greve, a usp está com problemas. Se são os alunos de ciências humanas, é porque eles são os que mais se interessam em discutir esses problemas.
A FFLCH é a faculdade com maior número de alunos de toda a USP, uns 12 mil, entre 65 mil alunos, quase um quinto. Em compensação, seu orçamento não leva nem 5% do total da USP. Sim, os nossos cursos, em termos de custos, são mais baratos do que um curso de engenharia mecânica ou medicina, por exemplo. Mas por ser uma faculdade com gente demais (embora não só por isso), a nossa biblioteca devia ter os padrões de uma biblioteca americana: livros em várias línguas, vários exemplares... é triste saber que uma biblioteca tão defasada quanto a nossa é considera a melhor biblioteca de ciências humanas do Brasil. Além disso, todos, TODOS os prédios precisam de reforma. Tem tanta coisa... Vou deixar essa discussão para outro dia.
O importante é entender que, sendo correta ou não essa greve, tendo o apoio ou não da maioria, ela expõe problemas (que podiam ser expostos de outras maneiras)...
Ela tem motivos para ter sido declarada. Alguns nobres, outros nem tanto. Outros que despertam discussões e dividem muito os manifestantes e, portanto, não devem ser entendidos como um bloco único, muito menos devem ser distorcidos.
Jamais, pelo amor de Deus, acreditem quando alguém disser que os alunos são contra o curso a distância da Univesp porque o tal do curso possibilita que mais gente tenha acesso a universidade, como fez o editorial da Folha no sábado passado. É um absurdo, uma distorção grotesca, uma ofensa a quem costuma fazer parte dos movimentos sociais.
Nós não temos infra-estrutura para suportar os cursos a distância, e eles não foram discutidos com a "comunidade uspiana". Particularmente, eu não sou totalmente contra a Univesp, mas eu acho que algumas coisas precisam ser resolvidas antes e, principalmente, a univesp não pode ser entendida como solução para a falta de vagas, como o governo está fazendo, mas como uma alternativa para quem precisa desse tipo de curso, porém, não pode/quer pagar por ele. E mais: precisam ser discutidos os tipos de cursos que podem ser dados à distância, as possibilidades e soluções para não deixar a formação defasada. Será, que neste momento, o governo deveria criar a Univesp que, para ser feita de um jeito decente, exige muita grana? Será que não é melhor, por enquanto, se focar nos problemas de infra-estrutura que já existem, como o Crusp, que não suporta todos os alunos de baixa renda que precisam de moradia?
Pois é, as entranhas das USP são bem caóticas. Os números de 1º lugar no ranking de universidades brasileiras e maior número de publicações científicas podem enganar, mas enquanto houver problemas crônicos como ela tem e essa falta de esperteza e sabedoria política, ela jamais poderá sonhar em ficar perto de Harvard, Yale ou Cambridge...
Para ficar mais a par da greve sem ficar se baseando nos jornais/noticiários (ainda que aqui tenha coisas que eu discordo veemente... Ao menos dá um outro lado):
- Blog da greve
*Café e bolo de fubá*
1- O que está ouvindo? Ball and Chain - versão Etta James
2- Último filme no cinema? Anjos e Demônios.
3- Ultimo filme em dvd? O Falcão Maltês (sim, daquela coleção da Folha)
4- Maior novidadede aleatória desde a ultima postagem: estou fazendo o musical Into the Woods na Cultura Inglesa e eu sou a madrasta da Cinderela. =D
5- Reflexão do dia: "Parece que não há tolerância nas discussões políticas. Se falta tolerância, o diálogo é uma farsa democrática. Um impasse nunca se resolve, pois não se está realmente disposto a um consenso". (uma adaptação do que eu disse em e-mail numa discussão com a minha profª de Antiga I)
1- Sinto por não ter postado durante meses, eu tenho até um post incompleto aqui nos rascunhos, mas me faltou tempo. Ou melhor, fui incomodada pelo o velho pensamento dos cdfs "enquanto eu estou 'perdendo' tempo neste post, eu poderia estar escrevendo aquele trabalho".
2- Quem não está viajando na lua, está a par da greve na USP, ao menos depois do confronto da última terça-feira. É quase meu dever, pelo o papel que eu estabeleci para esse blog e por ser aluna do departamento mais mobilizado da greve, comentar sobre ela.
Então, vamos desenvolver o segundo comentário hoje.
A ideia de greve está circulando desde abril entre os funcionários. Eles foram adiando as votações por conta dos feriados daquele mês, mas parecia meio inevitável. Por quê?
Na pauta dos funcionários, há uma revolta pela demissão de um dos líderes sindicais, um tal de Claudinor Brandão . Há uma confusão também porque o estado fez um concurso há uns dois, três anos atrás que não foi regularizado. Os funcionários (nas 3 universidades estaduais) que foram contratados nesse concurso iam ser demitidos, ao invés de serem regularizados. São entre 2 e 5 mil pessoas, não me lembro direito. E há a velha luta que, entra greve, sai greve, nunca se resolve: o salário nunca está de acordo com o que deveria. Esses eram os principais pontos naquele momento.
Dessas pautas, eu acho completamente duvidosa a primeira. O Brandão, até onde me foi informado, já nem estava mais trabalhando como funcionário propriamente dito, ele estava só ativo no sindicato. Ele estava sendo pago pelo governo para ficar gritando (minha opinião tendenciosa). Os funcionários acham que o motivo da demissão dele foi puramente político, uma vez que ele foi um dos lideres dos funcionários na greve de 2007 e outros tipos de incômodos "políticos".
Porém, há uma lado negro do Brandão nessa história: ele está sendo acusado de assédio sexual em uns 4 processos judiciais, vindos de meninas diferentes, que são estudantes da USP. Além disso (e por isso - e mais algumas coisas que naõ são discutidas e, portanto, eu não sei), como funcionário publico, ele sofreu um processo administrativo e burocrático que não passa só pela opinião da "autoritária" reitoria, mas por uma comissão formada por professores, funcionários e alunos, segundo uma professora me disse.
Logo, ao meu ver, defender o Brandão não é "defender as lideranças sindicais" de uma "perseguição política", como disse uma colega num debate do meu departamento, mas um ato emocional e, como de praxe, cego. Ele, acredito eu, não é flor que se cheire. E independe de haver um pedaço de "alívio político" da reitoria nessa decisão, ela não foi tomada sozinha e nem sem outros (bons) argumentos.
Enfim, nossos caros funcionários - por idealismo e, quase como consequência, por uma falta de visão pragmática - declararam greve no dia 5 de maio, uma terça-feira, fazendo os serviços que aliviam muito mais os alunos mais carentes do que qualquer outro pararem de funcionar: bandejão (restaurante universitário que custa quase 2 reias um prato muito nutritivo), ônibus circular (de graça), biblioteca, pró-aluno (sala de computador que não paga nada)...
Na minha humilde opinião, greve é um instrumento de reinvidicação que deve ser usado absolutamente em última instância. Greve é a resolução tomada quando todas as outras alternativas já foram praticadas. Ela afeta a vida das pessoas de uma maneira enorme: atrapalham planos, atrasam os estudos, deixam as pesquisas mais capengas (sem biblioteca), altera a dieta de quem precisa do bandejão...
Tentar uma reunião com a reitoria eles fizeram, fazer manifestações dentro da USP também. Mas eu não vi passeata fora da USP, não vi uma divulgação, escrita por eles, dos problemas que eles estavam tendo em nenhum pedaço midiático, não vi nenhum tipo de insistência nem mesmo dentro da USP. Eles não fizeram grandes tentativas de mobilização. Gritaram às portas da FFLCH e afins, como se isso, em pleno século XXI e 20 anos após a queda do Muro de Berlim, fizesse realmente uma grande diferença na opinião dos outros. Não rolou nem panfleto (apartidário)! Foi no boca-boca e na convocação para comparecer a debates.
Quanta ingenuidade! Meus míseros 19 anos de vida foram o suficiente para eu sacar que, definitivamente, não se deve esperar que "Maomé vá a montanha, mas que a montanha vá a Maomé". É quase patético ouvir que 700 funcionários, dos cerca de 60000, estavam na assembleia. E esses 700 declararam greve.
Ao invés de conquistar e mobilizar antes da greve, eles tentam depois, quando todos já estão com raiva dos "politicamente ativos" e, pior, sob piquetes (ou em casa assistindo Datena). Claro, não se pode esperar mais do que a metade se mobilizando. Nos EUA, onde o voto é facultativo, o normal (quando não há "Obamas" concorrendo) é uns 44% da população que pode votar comparecer às urnas. Mas 700??? Há algo errado! E o mais fácil identificar é: falha de mobilização.
Esse pessoal "politicamente ativo" costuma dizer que os outros que não comparecem são "individualistas", "alienados" e/ou até "reaças" (reacionários - "direitões"). Dizem que é um reflexo dos nossos tempos. Será que o problema está mesmo no envolvimento político das pessoas?
Mesmo que parte da culpa seja isso, e eu não nego (ainda que eu ache que não é um nível tão abaixo do que o de outros tempos), está lhes faltando perceber que os tons das mobilizações políticas líderes já não estão mais afinados com os da maioria. Não há "inimigo comum", como nos tempos da ditadura. Por conta disso, não há só uma voz nesse coreto. Mas uma voz é meio que imposta.
Essa voz imposta incomoda e, em muitos casos (e não adianta eles negarem, eu já vi, vi muitas vezes e não sou a única), ela é intolerante. Ela vaia quem fala diferente e interrompe os argumentos dos ideias diversas com gracinhas ou mesmo com discursos. Esse tipo de coisa afasta quem faz um esforcinho para acompanhar os debates políticos. Outro problema é o dos discursos partidários. Tem muita gente lá envolvida com partido e essas pessoas são, em geral, vozes muito ativas. E chatas, extremamente chatas. E eles quase sempre levam um debate que supostamente deveria discutir os problemas internos da usp para discussões governamentais duvidosas. Para adicionar à lista, há algo que está intrísseco aos dois itens anteriores, e, creio, é o mais problemático: na hora de convocar/convencer os outros de que se precisa ir aos debates, os "mobilizadores" não trazem só os problemas, mas as suas opiniões sobre os problemas. À exemplo: ao invés de dizer "estamos tentando há semanas um diálogo com a reitora, mas ela está adiando e não dá resposta", eles dizem "ela não conversa com a gente, numa posição claramente autoritária e opressora... blablabla".
Será que essa é a melhor abordagem? Essas falas soam ultrapassadas para a imensa maioria das pessoas. Elas ouvem uma coisa dessas e acionam o botãozinho no cérebro para "discurso esquerdista iludido e quixotesco". Não estou defedendo que isso é o certo a se fazer, eu acho que não se pode ignorar o que os outros têm a nos dizer (mesmo que seja de uma maneira muito chata. As vezes dá para extrair algo interessante), mas, se são eles que querem atrair os outros, se são eles que querem "abrir os olhos" dos outros, então são eles que têm de mudar primeiro, dar o primeiro passo.
Eu tenho certeza que se um lado se abre para mudanças, o outro também, nesse caso.
Obviamente que essa questão dos "politicamente ativos" e das mobilizações não é única dos funcionários. No movimento estudantil e na associação dos professores também acontecem coisas parecidas. Mas até o dia 1 de junho, eles não estavam tendo muito acordo entre si sobre a pertinência de uma greve.
Para os estudantes, apoiar as reinvidicações do funcionários já era uma pauta. Havia já também a questão da Univesp ( o programa de ensino a distância), a reforma na estatuinte (há uma enorme polêmica porque os professores têm 75% das cadeiras no Conselho Universitário, contra 15% dos funcionários e 10% dos alunos - é assim há anos, mas isso não é normal em grandes universidades. E para quem não sabe, o Conselho Univeristário é grupo que toma as decisões administrativas e políticas da USP. Pense em "vereadores". Além disso, quer-se que a eleição para reitor seja feita diretamente, e não pela escolha do Conselho) e, no caso do depto. da História, os problemas crônicos de infra-estrutura (muito aluno, poucos cursos disponíveis - queriam mais salas e mais professores - ainda que uma professora minha sugira que se discuta melhor isso, porque a solução pode estar num rigor maior para que os professores -que também são pesquisadores e tem uns direitos aí de não dar aula por não-sei-quanto tempo - não deixem de dar aula e também na abertura das salas pela manhã).
Os professores, por sua vez, tiveram seu plano de carreira alterado sem consulta, sem debate. O plano de carreira define pisos salariais e categoriza os professores entre eles. O novo plano de carreira pulverizava mais ainda a categoria e dificultava absurdamente o professor a conquistar méritos (o "topo" da categoria, nós fizemos as contas com uma professora, só poderia ser alcançado quando o prefessor tivesse, em média, 62 anos: ou seja, quando estivesse prestes a se aposentar). Além disso, o seu salário devia acompanhar os aumentos na arrecadação do ICMS, isso não acontece há 4 anos, como se não bastasse a redução de 40% no poder de compra deles com relação a 1988.
Acontece que, a partir do momento que a reitora usou uma ação judicial para chamar a polícia, as coisas esquentaram. O argumento da louca é que ela está defendendo o patrimônio público e que uma das funções dela é prezar pela ordem na universidade. Não sem razão ela diz isso, porque no dia 25 de maio, durante uma manifestação na frente da reitoria, alunos e funcionários invadiram a reitoria por algumas horas, quebrando portas e persianas. Além disso, piquete que impede os outros de irem aonde bem entendem, ainda mais um espaço publico, como as bibiliotecas, é contra a lei (e eu acho que tem de continuar a ser contra lei).
Eu imagino que por traz desses "bons" argumentos, está também uma vontade de não ter que ficar ouvindo as reinvidicações dos manifestantes. Não por maldade, uma teoria maléfica de que ela quer oprimir, mas por falta de paciência mesmo, por uma inabilidade política de extrair de discursos inflamados opiniões a se pensar, ideias a se questionar e soluções a se debater.
Inegável, porém, é perceber o quanto essa mulher não pode ser chamada de sábia. O que ela tinha na cabeça ao achar que PM no meio de uma discussão política é uma boa ideia? Por que ela não abriu mão da sua impaciência de ouvir as reinvidicações, já que ela preza pelo patrimônio publico e quer manter a ordem? Não vai haver quebra-quebra se não houver "motivo" para isso. Enfim, por que não dialogar ao invés de chamar a polícia? Por que não abrir o debate?
Os alunos (mobilizados) da História se irritaram com a presença da polícia e foram os primeiros a declarar greve, junto com os da Educação. Logo depois, a FFLCH já estava em greve. E, na quinta-feira, dia 4, os professores fizeram uma assembleia e declararam greve também.
Temos um problema aqui: desde quando é motivo para greve a presença da polícia?
Eles dizem: a polícia não entrava na USP desde de 69. E fazem comparações de conjucturas, intencionando uma volta da repressão aos movimentos sociais.
Eu digo: isso é motivo o suficiente para uma grande passeata, para muito barulho, mas não para uma greve.
A pauta mais forte da greve, e a que mais mobiliza por enquanto, é a que pede a retirada da polícia. E quando isso acontecer? O que será do movimento? Será que o resto é forte o suficiente para que uma greve mobilize?
Até a Politécnica fez uma assembleia que declarou repúdio a ação da polícia na terça-feira, dia 9. Não se sabe que lado incendiou o conflito entre os estudantes e a PM. Mas, independente disso, houve uma prova de um dos maiores porquês (e o que mais me preocupava) a polícia não podia estar ali no campus: a polícia é absolutamente despreparada (no sentido que ela não é bem treinada para esse tipo de ação) para lidar com manifestações políticas, é, em sua natureza, ao menos a brasileira, truculenta e formada, em geral, por homens de pouca educação. Um gesto agressivo, uma ofensa, uma brincadeira imbecil vinda de um manifestante é já se poderia prever que a polícia reagiria de maneira desproporcional.
E assim foi: estudantes xingando, batendo com livros, atirando pedras e flores (tem gente que achou legal, tem gente que achou retrô essa coisa das flores. De qualquer maneira, era obviamente inofensivo), enquanto os policiais atiravam tresloucadamente balas de borracha e bombas de efeito moral.
Foi tão desproporcional que, ao fechar o cerco dos estudantes no prédio da História e da Geografia, os policiais continuaram atirando balas e bombas, sem querer saber quem era manifestante, quem era professor, quem só estava passando por ali... Continuaram atirando até quando os professores pediam para conversar, mesmo na chefe do meu departamento, a professora Marina de Mello e Souza.
Dói ver aquele idiota do Datena mandando os estudantes estudarem, chamando-os de vagabundos e afins. Ainda mais aqueles que estavam na mobilização. Eles podem ser uns chatos, movidos pela emoção e caras com certa dificuldade de tolerarem quem pensa diferente deles; mas eles (ou a imensa maioria deles) acreditam que estão fazendo aquilo por uma USP melhor, mais democrática, mais correta, e, movidos pelo sentimento de perseguição política, mais livre.
Talvez alguns dos que estão adorando ficar em casa sem ter aula e nem querem saber da mobilização e de política, pudessem ser chamados de "vagabundos", mas mesmo assim há de se questionar.
Eu acho que piquete é a maior idiotice, ele só ajuda a afastar as pessoas e as deixar com raiva. Impedir que os outros tenham aula é ridículo, além de ser uma violência. O convecimento vem das conversas, e as possibilidades de estabalecer uma conversa têm de ser exploradas a mil e não só esperar o comparecimento às assembleias. A própria ideia de greve no final do semestre é absurda.
Muitos dizem, agora, que greve mobiliza sim, porque com ela muitas pessoas que não iam nas assembleias e debates estão indo. Completa ilusão. Quantos a mais será que eles teriam conquistado se tivessem feito mais atos, mais passeatas, enviado mais e-mails, parado as pessoas nos corredores?
Estão indo aqueles que por si só estão interessados na política da univerisdade (e que querem defender suas ideias, inclusive as que são contrárias a greve e certas pautas). Muitos outros poderiam ter sido convencidos. È mais fácil convencer (de que há problemas na universidade que devem ser discutidos) do que se pensa, porque os problemas da USP são feitos, em sua maioria, pelos erros da reitoria e do governo. Basta apresentar esses erros, nem precisa dar sua opinião sobre eles, que eles já atraíriam e indignariam muita gente.
Incomoda-me frases do tipo "a usp está em greve de novo?", "são sempre os alunos das ciências humanas...", ditas com um certo desprezo. Se a ideia de greve está certa ou não é uma coisa, mas se há greve e se são alunos das ciências humanas (ainda que não seja a maioria dos alunos que se mobilizam/ concordam) os que mais apoiam, tem seus motivos. Se há greve, a usp está com problemas. Se são os alunos de ciências humanas, é porque eles são os que mais se interessam em discutir esses problemas.
A FFLCH é a faculdade com maior número de alunos de toda a USP, uns 12 mil, entre 65 mil alunos, quase um quinto. Em compensação, seu orçamento não leva nem 5% do total da USP. Sim, os nossos cursos, em termos de custos, são mais baratos do que um curso de engenharia mecânica ou medicina, por exemplo. Mas por ser uma faculdade com gente demais (embora não só por isso), a nossa biblioteca devia ter os padrões de uma biblioteca americana: livros em várias línguas, vários exemplares... é triste saber que uma biblioteca tão defasada quanto a nossa é considera a melhor biblioteca de ciências humanas do Brasil. Além disso, todos, TODOS os prédios precisam de reforma. Tem tanta coisa... Vou deixar essa discussão para outro dia.
O importante é entender que, sendo correta ou não essa greve, tendo o apoio ou não da maioria, ela expõe problemas (que podiam ser expostos de outras maneiras)...
Ela tem motivos para ter sido declarada. Alguns nobres, outros nem tanto. Outros que despertam discussões e dividem muito os manifestantes e, portanto, não devem ser entendidos como um bloco único, muito menos devem ser distorcidos.
Jamais, pelo amor de Deus, acreditem quando alguém disser que os alunos são contra o curso a distância da Univesp porque o tal do curso possibilita que mais gente tenha acesso a universidade, como fez o editorial da Folha no sábado passado. É um absurdo, uma distorção grotesca, uma ofensa a quem costuma fazer parte dos movimentos sociais.
Nós não temos infra-estrutura para suportar os cursos a distância, e eles não foram discutidos com a "comunidade uspiana". Particularmente, eu não sou totalmente contra a Univesp, mas eu acho que algumas coisas precisam ser resolvidas antes e, principalmente, a univesp não pode ser entendida como solução para a falta de vagas, como o governo está fazendo, mas como uma alternativa para quem precisa desse tipo de curso, porém, não pode/quer pagar por ele. E mais: precisam ser discutidos os tipos de cursos que podem ser dados à distância, as possibilidades e soluções para não deixar a formação defasada. Será, que neste momento, o governo deveria criar a Univesp que, para ser feita de um jeito decente, exige muita grana? Será que não é melhor, por enquanto, se focar nos problemas de infra-estrutura que já existem, como o Crusp, que não suporta todos os alunos de baixa renda que precisam de moradia?
Pois é, as entranhas das USP são bem caóticas. Os números de 1º lugar no ranking de universidades brasileiras e maior número de publicações científicas podem enganar, mas enquanto houver problemas crônicos como ela tem e essa falta de esperteza e sabedoria política, ela jamais poderá sonhar em ficar perto de Harvard, Yale ou Cambridge...
Para ficar mais a par da greve sem ficar se baseando nos jornais/noticiários (ainda que aqui tenha coisas que eu discordo veemente... Ao menos dá um outro lado):
- Blog da greve
*Café e bolo de fubá*
1- O que está ouvindo? Ball and Chain - versão Etta James
2- Último filme no cinema? Anjos e Demônios.
3- Ultimo filme em dvd? O Falcão Maltês (sim, daquela coleção da Folha)
4- Maior novidadede aleatória desde a ultima postagem: estou fazendo o musical Into the Woods na Cultura Inglesa e eu sou a madrasta da Cinderela. =D
5- Reflexão do dia: "Parece que não há tolerância nas discussões políticas. Se falta tolerância, o diálogo é uma farsa democrática. Um impasse nunca se resolve, pois não se está realmente disposto a um consenso". (uma adaptação do que eu disse em e-mail numa discussão com a minha profª de Antiga I)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Dúvidas e imprecisões
Um dos maiores sinais de amadurecimento quando se é adolescente é o momento em que descobrimos que nem tudo pode ser respondido e que, para certas coisas, você nunca vai saber qual é ou deveria ser o caminho certo. Às vezes, dúvida é uma questão de personalidade. No resto, é uma unanimidade. Bom, é verdade, às vezes é os dois, pois sempre há aqueles que tem dificuldades de se definir até no que soa óbvio para os outros.
A questão da dúvida e da imprecisão tem batido a minha porta com certa frequência ultimamente, por mais que eu já tenha criado uma pseudo-formula pessoal para lidar com ela. Não só pelo filme "Dúvida", que tem em uma de suas morais algo que até para pessoas "crescidinhas" é intragável - na vida as vezes a gente fica na dúvida para sempre e não haverá resposta -, mas porque também andei discutindo fé com amigos, além de andar brigando comigo mesma sobre o que pretendo da minha vida.
É engraçado quando você pensa em dúvida como um geral. Porque soa óbvio. Seja lá o que você estiver em dúvida, você terá que tomar uma decisão. E decisão em certos momentos é algo muito dífícil até para pessoas consideradas "decididas". Veja, tem gente que me encaixa nesse grupo. Acho que nem precisa dizer, mas geralmente é porque sei o que quero e sempre tenho opinião sobre algo. Também porque em momentos de dúvidas, vamos dizer, "materiais" (do tipo "vou levar este ou este?"), costumo ser rápida.
Em termos de personalidade, para mim é fácil medir opções, prós e contras, e escolher o que acho melhor. Complica, geralmente, quando nada soa melhor (no sentido de que as duas opções são ruins), ou quando a decisão afeta outras pessoas de maneira incisiva, em que uma é terrível para uma pessoa e boa para outra, e vice-versa.
Mas tomar uma decisão e saber mais ou menos o que vai acontecer é certamente melhor e mais fácil do que aquelas em que você não faz idéia do que acontecerá. Assim como é uma crença ou uma opinião totalmente subjetiva, em que a imprecisão reina imperadora.
O que me faz retornar a conversa com os meus amigos. Falávamos sobre energia e a validade do pensamento positivo, e acabamos caindo sobre as questões de fé. Deus existe? Como se pode afirmar? Como se pode negar? Quem disse que as razões para tal opinião são realmente provas? De onde viemos? De onde Deus veio?Existe fim para origem?
Os clichês dos questionadores e frustrados, que não sabem e ficam especulando até o fim da vida. Não sabe, nem saberá. Não conto com ETs vindo dizer qual é a verdade, nem messias. Também não perco mais meu tempo pensando nisso. Não vou chegar a lugar algum. Há dúvidas em que você pode se posicionar, ter uma opinião, mas nunca a ver como verdade, porque ela nunca será provada, nem respondida.
Aqui, nós entramos naquele terceiro grupo que falei inicialmente. Para mim, esse tipo de questão nunca terá prova. É uma pseudo-unanimidade da modernidade. Mas para os muito religiosos, sua fé traz a verdade. É um jeito perigoso de se tratar a dúvida. A dúvida que não é dúvida, apesar de várias opções e da falta de sinais realmente concretos (sendo que o termo "concreto" é deturpado para uma noção subjetiva), geralmente vem acompanhada de discussão acaloradas, ou pior, violentas. Política e religião costumam ser as maiores responsáveis por isso.
Ainda faço uma tese, mas para mim, "civilização" e "civilidade" deviam ser palavras classificadas através de respeito e pacifismo. No melhor estilo Corcunda de Notre Dame (da Disney, não do Victor Hugo), isso questionaria, na época das navegações, quem é o selvagem, e o civilizado, quem é?
As vezes, até animais são mais civilizados que nós, humanidade. É claro que quando nós é que somos pacíficos e respeitosos, por trás há uma carga de inteligência, sabedoria e sofisticação. Um "valor agregado" mais alto, de certa forma. Dá um gosto maior de orgulho.
Enfim... A dúvida e a imprecisão são as geradoras da divergência. Ou melhor, são a terra, onde o homem planta sua semente e a rega, cada com sua jardinagem, criando um matagal incontrolável e selvagem, cujas plantas invandem o espaço um do outro, as vezes sufocando, às vezes complementando e embelezando.
Dúvida faz parte do nosso caos humano, que o torna interessante e o torna odiável.
Dúvida acompanhada de imprecisão também é uma das nossas carrascas pessoais. Se na adolescência elas giram em torno do próprio umbigo, a passagem entre adolescência e vida adulta carrega seu arsenal de dúvidas em coisas que podem definir uma vida inteira, ou, menos fatalista, decisões que tomarão um pedaço do seu psicológico e dos anos mais energéticos da sua existência.
A velha escolha da faculdade; o modo como você vai morar, caso não seja na sua cidade; a maneira como você vai administrar estudo e emprego; os vários momentos em suas ações abrem o medo de escorregar e surgir com um filho para causar todos os planos e a adiantar obrigações; para onde, quando e como você fará um intercâmbio; o que você vai fazer depois da faculdade; que tipo de coisas você fará para que seu currículo seja atraente; o que o seu emprego de traz e o que ele leva; qual a perspectiva ao fazer algo, para que ele serve; se a maneira como você vê as coisas é sensata e útil...
Há perguntas também que nos acompanham até serem respondidas (num tempo indeterminado, SE respondidas), e que trazem a sombra do temor de levar uma vida inteira. Do tipo: para quê estou fazendo isso? Até que ponto isso é um traço de personalidade a ser contornado? quando sei que devo superá-lo? (é um pilar que sustenta o meu ser e algumas das coisas que gosto nele, ou é uma praga que não me faz bem?) Vale a pena dar um pedaço de mim por algo que é lento e depende de muita gente? Por que pessimismo tem mais valor que otimismo para quem é "realista"? Devo me importar com o que os outros pensam sobre mim? Existe um jeito de descobrir como não emitir julgamentos dúbios?
Cada vez que você se depara com a dúvida, e quanto mais ela fica complexa, mais você percebe que a máxima de "a vida é feita de escolhas" se trata de algo muito maior do que a simples figura da escolha. Ela abrange 6 bilhões de visões de vida e mundo, n possibilidades, n respostas sobre o certo e o errado e uma inumerável gama de acontecimentos possíveis. Além disso, você percebe que as escolhas na sua vida não são só suas e o que acontece nela não depende exclusivamente de você, mas espera que você encontre alternativas.
Se traçamos algo para nós, se trata de uma perspectiva que nos mantem espiritualmente mais estáveis. As dúvidas e as imprecisões estão lá, mas lutar para vencer as adversidades, buscando a tal luz no fim do túnel que foi definida é algo digno de um ser mais sólido. E quando essa luz do fim do túnel é apagada ou ofuscada, deve-se abrir um buraco naquele seu túnel construído, criando outro túnel, com outra luz. E outras dúvidas.
*Would you like a cup of tea?*
1- O que está ouvindo? Meu cd "Musiques des mille et une nuit - Music from Arabian Nights".
2- Último filme em DVD? Não estou lá. Uma viagem muito louca sobre 6 facetas do Bob Dylan, com 6 atores diferentes. (DVD acompanhado de uma epopéia "dvdezística" de filmes que estava louca para ver, como o último de Piratas do Caribe, Elizabeth - A era de ouro e Laranja Mecânica)
3- Último filme no cinema? Dúvida - pagando devidamente pelas magistrais atuações da rainha Meryl Streep e Philip Hoffman, que já havia visto e não me importei nem um pouco em ver de novo.
4- Última notícia feliz? 2 anos e meio depois do que devia ter acontecido, passei no First Certificate of English de Cambridge =)
5- Reflexão do Dia: Não sente para esperar a resposta da dúvida. Ela não existe. O que existe é o que VOCÊ acha melhor.
A questão da dúvida e da imprecisão tem batido a minha porta com certa frequência ultimamente, por mais que eu já tenha criado uma pseudo-formula pessoal para lidar com ela. Não só pelo filme "Dúvida", que tem em uma de suas morais algo que até para pessoas "crescidinhas" é intragável - na vida as vezes a gente fica na dúvida para sempre e não haverá resposta -, mas porque também andei discutindo fé com amigos, além de andar brigando comigo mesma sobre o que pretendo da minha vida.
É engraçado quando você pensa em dúvida como um geral. Porque soa óbvio. Seja lá o que você estiver em dúvida, você terá que tomar uma decisão. E decisão em certos momentos é algo muito dífícil até para pessoas consideradas "decididas". Veja, tem gente que me encaixa nesse grupo. Acho que nem precisa dizer, mas geralmente é porque sei o que quero e sempre tenho opinião sobre algo. Também porque em momentos de dúvidas, vamos dizer, "materiais" (do tipo "vou levar este ou este?"), costumo ser rápida.
Em termos de personalidade, para mim é fácil medir opções, prós e contras, e escolher o que acho melhor. Complica, geralmente, quando nada soa melhor (no sentido de que as duas opções são ruins), ou quando a decisão afeta outras pessoas de maneira incisiva, em que uma é terrível para uma pessoa e boa para outra, e vice-versa.
Mas tomar uma decisão e saber mais ou menos o que vai acontecer é certamente melhor e mais fácil do que aquelas em que você não faz idéia do que acontecerá. Assim como é uma crença ou uma opinião totalmente subjetiva, em que a imprecisão reina imperadora.
O que me faz retornar a conversa com os meus amigos. Falávamos sobre energia e a validade do pensamento positivo, e acabamos caindo sobre as questões de fé. Deus existe? Como se pode afirmar? Como se pode negar? Quem disse que as razões para tal opinião são realmente provas? De onde viemos? De onde Deus veio?Existe fim para origem?
Os clichês dos questionadores e frustrados, que não sabem e ficam especulando até o fim da vida. Não sabe, nem saberá. Não conto com ETs vindo dizer qual é a verdade, nem messias. Também não perco mais meu tempo pensando nisso. Não vou chegar a lugar algum. Há dúvidas em que você pode se posicionar, ter uma opinião, mas nunca a ver como verdade, porque ela nunca será provada, nem respondida.
Aqui, nós entramos naquele terceiro grupo que falei inicialmente. Para mim, esse tipo de questão nunca terá prova. É uma pseudo-unanimidade da modernidade. Mas para os muito religiosos, sua fé traz a verdade. É um jeito perigoso de se tratar a dúvida. A dúvida que não é dúvida, apesar de várias opções e da falta de sinais realmente concretos (sendo que o termo "concreto" é deturpado para uma noção subjetiva), geralmente vem acompanhada de discussão acaloradas, ou pior, violentas. Política e religião costumam ser as maiores responsáveis por isso.
Ainda faço uma tese, mas para mim, "civilização" e "civilidade" deviam ser palavras classificadas através de respeito e pacifismo. No melhor estilo Corcunda de Notre Dame (da Disney, não do Victor Hugo), isso questionaria, na época das navegações, quem é o selvagem, e o civilizado, quem é?
As vezes, até animais são mais civilizados que nós, humanidade. É claro que quando nós é que somos pacíficos e respeitosos, por trás há uma carga de inteligência, sabedoria e sofisticação. Um "valor agregado" mais alto, de certa forma. Dá um gosto maior de orgulho.
Enfim... A dúvida e a imprecisão são as geradoras da divergência. Ou melhor, são a terra, onde o homem planta sua semente e a rega, cada com sua jardinagem, criando um matagal incontrolável e selvagem, cujas plantas invandem o espaço um do outro, as vezes sufocando, às vezes complementando e embelezando.
Dúvida faz parte do nosso caos humano, que o torna interessante e o torna odiável.
Dúvida acompanhada de imprecisão também é uma das nossas carrascas pessoais. Se na adolescência elas giram em torno do próprio umbigo, a passagem entre adolescência e vida adulta carrega seu arsenal de dúvidas em coisas que podem definir uma vida inteira, ou, menos fatalista, decisões que tomarão um pedaço do seu psicológico e dos anos mais energéticos da sua existência.
A velha escolha da faculdade; o modo como você vai morar, caso não seja na sua cidade; a maneira como você vai administrar estudo e emprego; os vários momentos em suas ações abrem o medo de escorregar e surgir com um filho para causar todos os planos e a adiantar obrigações; para onde, quando e como você fará um intercâmbio; o que você vai fazer depois da faculdade; que tipo de coisas você fará para que seu currículo seja atraente; o que o seu emprego de traz e o que ele leva; qual a perspectiva ao fazer algo, para que ele serve; se a maneira como você vê as coisas é sensata e útil...
Há perguntas também que nos acompanham até serem respondidas (num tempo indeterminado, SE respondidas), e que trazem a sombra do temor de levar uma vida inteira. Do tipo: para quê estou fazendo isso? Até que ponto isso é um traço de personalidade a ser contornado? quando sei que devo superá-lo? (é um pilar que sustenta o meu ser e algumas das coisas que gosto nele, ou é uma praga que não me faz bem?) Vale a pena dar um pedaço de mim por algo que é lento e depende de muita gente? Por que pessimismo tem mais valor que otimismo para quem é "realista"? Devo me importar com o que os outros pensam sobre mim? Existe um jeito de descobrir como não emitir julgamentos dúbios?
Cada vez que você se depara com a dúvida, e quanto mais ela fica complexa, mais você percebe que a máxima de "a vida é feita de escolhas" se trata de algo muito maior do que a simples figura da escolha. Ela abrange 6 bilhões de visões de vida e mundo, n possibilidades, n respostas sobre o certo e o errado e uma inumerável gama de acontecimentos possíveis. Além disso, você percebe que as escolhas na sua vida não são só suas e o que acontece nela não depende exclusivamente de você, mas espera que você encontre alternativas.
Se traçamos algo para nós, se trata de uma perspectiva que nos mantem espiritualmente mais estáveis. As dúvidas e as imprecisões estão lá, mas lutar para vencer as adversidades, buscando a tal luz no fim do túnel que foi definida é algo digno de um ser mais sólido. E quando essa luz do fim do túnel é apagada ou ofuscada, deve-se abrir um buraco naquele seu túnel construído, criando outro túnel, com outra luz. E outras dúvidas.
*Would you like a cup of tea?*
1- O que está ouvindo? Meu cd "Musiques des mille et une nuit - Music from Arabian Nights".
2- Último filme em DVD? Não estou lá. Uma viagem muito louca sobre 6 facetas do Bob Dylan, com 6 atores diferentes. (DVD acompanhado de uma epopéia "dvdezística" de filmes que estava louca para ver, como o último de Piratas do Caribe, Elizabeth - A era de ouro e Laranja Mecânica)
3- Último filme no cinema? Dúvida - pagando devidamente pelas magistrais atuações da rainha Meryl Streep e Philip Hoffman, que já havia visto e não me importei nem um pouco em ver de novo.
4- Última notícia feliz? 2 anos e meio depois do que devia ter acontecido, passei no First Certificate of English de Cambridge =)
5- Reflexão do Dia: Não sente para esperar a resposta da dúvida. Ela não existe. O que existe é o que VOCÊ acha melhor.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Pirataria e consciência
O tema pirataria (digital/midiática) é uma das maiores polêmicas que vieram com a modernidade da tecnologia. Fato. Para além de demagogias ou chavões, ela guarda algo muito maior do que os pseudo-intimidadores vídeos que costumam passar na tv e, especialmente, antes dos trailers no cinema.
Eu sou do tipo contrário a qualquer repressão quanto a atitividades rebeldes, que extravazam o senso comum, e apontam para um caminho de liberdade.
Só que uma definação dessas sobre uma posição é tão polêmica quanto a própria posição.
Basicamente, eu entendo que ela pode ser vista de um jeito muito ruim, um estímulo ao crime. E é, dependendo do que se considera "crime".
A pirataria é um sinal de liberdade, mas também é um sinal de prejuízo a quem produz.
Como uma vez li numa entrevista da Superinteressante com um cara muito conhecido no meio dessa discussão, a pirataria é incontrolável e é uma tendência que a população segue. Mesmo que ela esteja quase levando a indústria fonográfica à falência, ela traz cultura a quem teve muito pouco, ou nunca, acesso a uma variedade de filmes e músicas.
Particularmente, eu não enxergo bem a pirataria que é vendida. É gente ganhando dinheiro em cima do trabalho de outrem, muitas vezes por qualidade baixa e muita canastrice. Mas para quem nem tem computador, afinal, a pirataria lucrativa é uma porta única e fluída (fluída perdeu o acento? Não, né? Não é ditongo) à cultura. É um pouco difícil julgar quem compra, e muitas vezes quem vende. Especialmente em países como o Brasil, em que o mercado informal é uma bolha que não pára de crescer. Dinheiro fácil, trabalho relativamente leve e nunhuma exigência educacional são muito atrativos para quem passa necessidade.
Eu sou do tipo contrário a qualquer repressão quanto a atitividades rebeldes, que extravazam o senso comum, e apontam para um caminho de liberdade.
Só que uma definação dessas sobre uma posição é tão polêmica quanto a própria posição.
Basicamente, eu entendo que ela pode ser vista de um jeito muito ruim, um estímulo ao crime. E é, dependendo do que se considera "crime".
A pirataria é um sinal de liberdade, mas também é um sinal de prejuízo a quem produz.
Como uma vez li numa entrevista da Superinteressante com um cara muito conhecido no meio dessa discussão, a pirataria é incontrolável e é uma tendência que a população segue. Mesmo que ela esteja quase levando a indústria fonográfica à falência, ela traz cultura a quem teve muito pouco, ou nunca, acesso a uma variedade de filmes e músicas.
Particularmente, eu não enxergo bem a pirataria que é vendida. É gente ganhando dinheiro em cima do trabalho de outrem, muitas vezes por qualidade baixa e muita canastrice. Mas para quem nem tem computador, afinal, a pirataria lucrativa é uma porta única e fluída (fluída perdeu o acento? Não, né? Não é ditongo) à cultura. É um pouco difícil julgar quem compra, e muitas vezes quem vende. Especialmente em países como o Brasil, em que o mercado informal é uma bolha que não pára de crescer. Dinheiro fácil, trabalho relativamente leve e nunhuma exigência educacional são muito atrativos para quem passa necessidade.
Quanto a "pirataria" na anárquica internet, sinto muito, mas não vejo nada que possa ser feito a respeito que não viole os direitos humanos (mais especificamente, o artigo 19 é evidente: "Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras"), mesmo que, no assunto, se contradigam ( o parágrafo do II do artigo 27 diz: "Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor" ). A revolução da informação já foi feita, e tentar brecar essa facilidade com que todos se acostumaram é uma afronta.
Baixar seriados, música, desenhos, filmes é uma prática comum de quem tem um computador. Impedir isso sem consequências é como tirar o doce de uma criança e esperar que ela não chore.
Pessoas ainda vão ao cinema e ainda compram CD ou DVDs. O original ainda tem um gosto especial. Tem gente que não liga, tem gente que liga.
A solução das empresas é se adaptar, tornar o produto mais interessante e mais barato, para que ele realmente seja desejável numa escala maior.
Vão ter aqueles que ainda assim não vão dar a mínima, mas a proporção seria BEM, BEM menor. Haveria um provável "lucro sustentável".
Numa opinião pessoal, a pratica de baixar músicas me permitiu conhecer muito mais bandas/cantores que eu jamais imaginaria. Teria muito menos gente na minha lista para prestigiar seu trabalho. Meus cantores favoritos (cantoras, em geral, na verdade) tem praticamente meu nome garantido na lista de seus fãs que iriam assistir seus shows. Infelizmente, eu gosto mais de comprar DVDs, mesmo de turnês, do que CDs. Compraria se tivesse dinheiro para os dois. hehehe.
Seriados e desenhos são um pouco mais recentes na minha história, mas esses são os menos afetados, porque não dependem de um pagamento direto do espectador, que tem o livre e gratuito acesso aos episódios, ainda que não na forma deliberada como é na internet, mas que carrega uma legião de fãs que gostam de ver - se podem - sua estréia na fonte de origem, a televisão. Essa reação é uma das coisas que me faz acreditar que, talvez, se o acesso aos produtos originais fosse mais fácil e atrativo como numa televisão, as pessoas em geral se voltariam para eles.
E, por fim, os filmes, minha mais nova inserção. Eu não troco um cinema por um filme baixado, sou amante do cinema demais para isso, mas a influência de amigos e a vontade de ver filmes que perdi e também de ver os filmes que concorrem ao Oscar antes da premiação me empurraram para um mundo de praticidade muito tentador, que eu sei que pode virar uma ameaça quando todos o descobrirem e tiveram computadores bons o suficiente para não tornar o download de um filme numa odisséia.
Ei vi "Wall-e", "Sete Vidas", 'Vicky Cristina Barcelona" e "A troca" porque os perdi quando passaram no cinema (não por falta de vontade ou desatenção , mas por uma patética solidariedade de esperar os meus amigos que diziam que queriam ver também terem dinheiro ou oportunidade para ir). Vi "Dúvida", "Milk", "Apenas um sonho" e "Quem quer ser um milionário?" porque são indicados e não sei quando vão sair por aqui e tenho medo de não ver antes da entrega dos prêmios. "O misterioso caso de Benjamin Button" fiz questão de ver no cinema, porque está passando, e, como disse, filme baixado não substitui um bom cinema.
Além disso, algo que eu não confio a todos, mas que eu enxergo como um fator importante para um número relevante de pessoas, assim como é para mim: se eu gosto de filmes, eu tenho que estimular a produção deles. Logo , pagar por eles, nem que seja de vez em quando, é mais que justo.
Bom, eu vou um pouco além, embora não espere que todos façam. Todos os filmes que citei me agradaram muito, e os que estão para vir ao cinema eu pretendo pagar o ingresso, ao menos de boa parte, mesmo que eu não veja na sala de cinema. É um tanto "maluco", e reconheço, mas me sinto melhor assim.
(Só lembrar que eu também conheço o mundo dos livros zipados/ "blogados", mas esse em raros momentos cedi, porque odeio ler textos longos demais numa tela. De fato, a única exceção foi o último livro de Harry Potter, que, como fã, eu queria saber logo o final e não queria ler justo o último da série em inglês . Além de fugir dos spoilers. Aliás, um agradecimento à equipe da Armada Tradutora que foi muito eficiente e competente E, também como fã, fiz questão de comprar o livro assim que saiu por aqui).
As pessoas podem não sustentar a indústria através da consciência, mas o desejo de qualidade é um algarismo constante na equação do consumidor. Qualidade acessível diminui pirataria.
Pirataria não é para ser reprimida, é para ser desconstruída.
*Palmas ao fim de Guantánamo*
1- O que está ouvindo? My time flies - Enya
2- Último filme visto? Apenas um Sonho - Kate Winslet e Leonardo DiCaprio se encontram novamente em um filme de gente pertubada, com os dois em plena forma.
3- Último filme no cinema? O Curioso Caso de Benjamin Button - ainda não vi "O Leitor" e "Frost/Nixon", mas mesmo q tenha achado "Quem quer ser um milionário?" (aposta dos jornais) muito bom, Benjamin Button é excepcional e por enquanto faço votos para que ele ganhe.
4- Último seriado visto? 3º episódio de Lost, em sua quinta temporada, cada vez mais excitante e instigante.
5- Reflexão do Dia: Adaptar-se a uma ideia da maioria da população, que tem como base liberdade e informação, é muito mais sensato do que tentar reprimir.
Baixar seriados, música, desenhos, filmes é uma prática comum de quem tem um computador. Impedir isso sem consequências é como tirar o doce de uma criança e esperar que ela não chore.
Pessoas ainda vão ao cinema e ainda compram CD ou DVDs. O original ainda tem um gosto especial. Tem gente que não liga, tem gente que liga.
A solução das empresas é se adaptar, tornar o produto mais interessante e mais barato, para que ele realmente seja desejável numa escala maior.
Vão ter aqueles que ainda assim não vão dar a mínima, mas a proporção seria BEM, BEM menor. Haveria um provável "lucro sustentável".
Numa opinião pessoal, a pratica de baixar músicas me permitiu conhecer muito mais bandas/cantores que eu jamais imaginaria. Teria muito menos gente na minha lista para prestigiar seu trabalho. Meus cantores favoritos (cantoras, em geral, na verdade) tem praticamente meu nome garantido na lista de seus fãs que iriam assistir seus shows. Infelizmente, eu gosto mais de comprar DVDs, mesmo de turnês, do que CDs. Compraria se tivesse dinheiro para os dois. hehehe.
Seriados e desenhos são um pouco mais recentes na minha história, mas esses são os menos afetados, porque não dependem de um pagamento direto do espectador, que tem o livre e gratuito acesso aos episódios, ainda que não na forma deliberada como é na internet, mas que carrega uma legião de fãs que gostam de ver - se podem - sua estréia na fonte de origem, a televisão. Essa reação é uma das coisas que me faz acreditar que, talvez, se o acesso aos produtos originais fosse mais fácil e atrativo como numa televisão, as pessoas em geral se voltariam para eles.
E, por fim, os filmes, minha mais nova inserção. Eu não troco um cinema por um filme baixado, sou amante do cinema demais para isso, mas a influência de amigos e a vontade de ver filmes que perdi e também de ver os filmes que concorrem ao Oscar antes da premiação me empurraram para um mundo de praticidade muito tentador, que eu sei que pode virar uma ameaça quando todos o descobrirem e tiveram computadores bons o suficiente para não tornar o download de um filme numa odisséia.
Ei vi "Wall-e", "Sete Vidas", 'Vicky Cristina Barcelona" e "A troca" porque os perdi quando passaram no cinema (não por falta de vontade ou desatenção , mas por uma patética solidariedade de esperar os meus amigos que diziam que queriam ver também terem dinheiro ou oportunidade para ir). Vi "Dúvida", "Milk", "Apenas um sonho" e "Quem quer ser um milionário?" porque são indicados e não sei quando vão sair por aqui e tenho medo de não ver antes da entrega dos prêmios. "O misterioso caso de Benjamin Button" fiz questão de ver no cinema, porque está passando, e, como disse, filme baixado não substitui um bom cinema.
Além disso, algo que eu não confio a todos, mas que eu enxergo como um fator importante para um número relevante de pessoas, assim como é para mim: se eu gosto de filmes, eu tenho que estimular a produção deles. Logo , pagar por eles, nem que seja de vez em quando, é mais que justo.
Bom, eu vou um pouco além, embora não espere que todos façam. Todos os filmes que citei me agradaram muito, e os que estão para vir ao cinema eu pretendo pagar o ingresso, ao menos de boa parte, mesmo que eu não veja na sala de cinema. É um tanto "maluco", e reconheço, mas me sinto melhor assim.
(Só lembrar que eu também conheço o mundo dos livros zipados/ "blogados", mas esse em raros momentos cedi, porque odeio ler textos longos demais numa tela. De fato, a única exceção foi o último livro de Harry Potter, que, como fã, eu queria saber logo o final e não queria ler justo o último da série em inglês . Além de fugir dos spoilers. Aliás, um agradecimento à equipe da Armada Tradutora que foi muito eficiente e competente E, também como fã, fiz questão de comprar o livro assim que saiu por aqui).
As pessoas podem não sustentar a indústria através da consciência, mas o desejo de qualidade é um algarismo constante na equação do consumidor. Qualidade acessível diminui pirataria.
Pirataria não é para ser reprimida, é para ser desconstruída.
*Palmas ao fim de Guantánamo*
1- O que está ouvindo? My time flies - Enya
2- Último filme visto? Apenas um Sonho - Kate Winslet e Leonardo DiCaprio se encontram novamente em um filme de gente pertubada, com os dois em plena forma.
3- Último filme no cinema? O Curioso Caso de Benjamin Button - ainda não vi "O Leitor" e "Frost/Nixon", mas mesmo q tenha achado "Quem quer ser um milionário?" (aposta dos jornais) muito bom, Benjamin Button é excepcional e por enquanto faço votos para que ele ganhe.
4- Último seriado visto? 3º episódio de Lost, em sua quinta temporada, cada vez mais excitante e instigante.
5- Reflexão do Dia: Adaptar-se a uma ideia da maioria da população, que tem como base liberdade e informação, é muito mais sensato do que tentar reprimir.
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