Esse post é uma homenagem a um primo, à "turma das Exatas", aos preguiçosos, aos ignorantes na forma da ingenuidade e da injustiça, aos que se acham burros só por não saber certas coisas, aos aversos a intelectualidade, aos simples.
Quando eu era pequena, estudar e saber parecia uma coisa óbvia a se fazer. Talvez se você me perguntasse naquela idade, eu não soubesse clarificar o porquê, embora soubesse que era importante. Já no meio da minha adolescência, - e não faz tanto tempo assim - eu comecei a questionar a razão de seguir regras ao pé da letra, ensinamentos ao pé da letra, fazer o que se espera fazer na escola ao pé da letra (prestar atenção nas aulas, fazer as lições e amigos, claro)... Acabei me flexibilizando um pouco, mas também compreendi (ou inventei?) que, a medida que eu sabia mais, aprendia mais, eu podia enxergar cada coisa de várias maneiras, entender melhor o mundo, pensar sem copiar, interpretar além do óbvio, questionar com mais sofisticação, raciocinar de várias formas.
Ler, saber e observar mais nos permite fugir de armadilhas da dúvida e da ignorância, nos torna diferentes e produtivos, apura nossos sentidos, expande nossa cabeça. As vantagens do saber são tão grandes que o que é ruim nisso acaba sendo uma consequência que se tem de lidar.
Afinal, a partir do momento que você vê mais , você vê mais coisas ruins, você vê mais dissimulação, mais horror, mais injustiça , mais ganância, enfim, mais maldade. Você também pode encontrar o seu lugar abaixo do ideal, encontrar uma auto-compreensão que machuca, se frustra com mais facilidade, se enterra num buraco sufocante em que o seu saber, pouco conhecido e pouco utilizado, mora em silêncio.
Bom, isso para os que utilizam do conhecimento como algo tanto seu quanto do mundo. Pior aqueles que se aproveitam da sabedoria acumulada para se auto-promover, para entender os outros e lhes passar a perna, os que se perdem dentro do que sabem esquecem que nunca saberão tudo... Como todo poder, o conhecimento precisa de sanidade, escrúpulos e humildade.
Mas o conhecimento não é um cara tão fácil de adquirir, e, com o passar dos anos, ainda mais dentro de um contexto desacostumado a estudar , vai ficando mais difícil dar seu tempo a ele. Uma rotina, o acesso fácil a fontes de conhecimento, o costume de ler , de observar, de ir a lugares para aprender mais (cinema, museu, biblioteca, exposições, palestras...)... Para os preguiçosos , se não há habito, tudo parece demais e impossível de dar uma constância. E é verdade. Sem hábito, tudo isso fica chato de se esforçar, e terrível de se acostumar.
Porém, hoje em dia fontes de conhecimento estão muito, muito além do velho trio livros-escola-museu. Mesmo porque, o próprio conhecimento está muito além de um conceito erudito.
Conhecimento não é só historia da humanidade, pensadores e conceitos científicos. É tão além e tão mais diversificado do que isso que chegar a ser uma afronta a produção humana restringí-la à penelinha acadêmica.
Eu percebi o tamanho da palavra conhecimento por volta dos meus 15, dentro da própria escola. Eu nunca fui muito boa em exatas, mas, mesmo que não tivesse dificuldades sérias, era o suficiente para não curtir muito. Só que, a essa idade, eu entendi que saber pelo menos o básico e o conceitual dessas matérias amplificavam minha maneira de falar e de entender certas coisas, muitas vezes nada a ver com essas matérias. E isso se reforçou nos meus 16 (e para frente), com as minhas amizades e maluquices, nada a ver com coisas eruditas, mas tão úteis como conhecimento quanto.
A banda que toca de certa maneira, a letra de não-sei-o-quê, a maneira como não-sei-quem fala ou age, o filme em que acontece não-sei-o-que, o jogo de video game que tem um barato esquisito, a palavra no rpg que não entendi e fui procurar no dicionário, a própria história e referências mitológicas de um rpg, o vídeo comédia no youtube que vira jargão, os personagens de um desenho animado... Tecnologia e informação em massa. Conhecimento leve, altamente utilizado e que nem se percebe que se aprende.
É verdade que essas coisas aumentam nossa capacidade de se comunicar e entender certos problemas, ações e situações, além de trazer afinidades e um pouco de aprendizado. Mas é verdade também que essas coisas não tornam ninguém seres altamente pensantes, assim como nenhum tipo de conhecimento faz. O hábito é um pedaço que amplia conhecimento, e um ampliado conhecimento permite sim compreensões diferentes. As pessoas tornam-se capazes de boas análises e críticas, mesmo não sendo umas devoradoras de livros e jornal (embora seja meio difícil fazer um bom julgamento de uma situação atual sem jornal... LEIA JORNAL! rs...).
A vontade de ficar filosofando o dia inteiro (olha o exagero), mais do que ensinamento de infância, eu vejo uma considerável parte da genética. Não acho que todo mundo precisa ficar pensando o dia todo... Inclusive, acho que seria um tédio, uma praga. Mas uma imaginação saudável e um razoável poder de análise é um direito e dever de todos.
O humano é muito inconstante, complexo, difícil de padronizar, difícil de formular. Graças aos Céus! Os caros amigos que tem o que eu chamo de "cabeça de exatas" destestam isso, porque têm dificuldade de entender e lidar com isso, e têm um natural ódio do que não é... exato. Eu mesma às vezes fico com raiva, porque seria mais fácil. Mas o mais fácil vem acompanhado do restrito, da mesmice, da tédio.
É por isso que quanto mais a gente sabe, menos a gente sabe. E por isso que tentar saber de coisas diversas pode te tornar interessante e aberto.
A regra número um do conhecimento é curiosidade . E a número dois atenção. Pratique. Rs...
*Rio maravilha...*
1 - O que está ouvindo? Logh - The invitation (Rádio Lastfm - Sigur Rós - palmas ao Kuramito pelo gosto musical)
2 - Último filme no cinema? Rebobine, por favor. MUITO BOM! Comédia, ótimo roteiro, você sai com vontade de copiá-los.
3- Último filme em DVD? E o Vento levou. Sim, nunca tinha visto. É enorme e cheio de clichês românticos, mas belo e surpreendente.
4 - Última burrada? Dar a volta na Lagoa Rodrigo de Freitas das 11h às 13h sem protetor solar.
5 - Reflexão do Dia: Quanto mais você sabe, menos você é feito de trouxa.
P.S.: Sei que este não é um blog abandonado, pois volta-e-meia vem algum amigo ou uma pessoa no orkut dizer que o leu. Meu objetivo de escrever nele também não é ficar fazendo coleção de comentários como um album de figurinhas. Mas, para quem generosamente puder, dê uma espécie de retorno dos posts nos comentários, pelo menos pensando em duas razões: uma, que os comentários pode incitar discussões/conversas, e eu gosto. Dois, e mais importante, porque um blog com comentários atrai quem está fazendo uma passagem rápida por ele a realmente lê-lo, o que, dentro dos meus objetivos, é algo muito desejável.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Conhecimento é poder
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2 comentários:
eu sei q e o vento levou é cliche pacas, mas é tão lindoooo e pombas o final meu deus eu sempre choro hahahaha!
ok, falando do post. conhecimento atualmente é bem mais simples de se obter, mas conhecimento é algo relativo e depende muito de cada um. mesmo lendo jornal, acredite a noticia é de certa forma manioulada, quer dizer, tem muito dono de jornal q nao fala de certas coisas pq tem ligação com o anunciante. mas a questão é a seguinte: qnto mais vc le, mais conhece, mais procura entender sobre o mundo, menos alienado vc fica e mais esperto vc se torna. é claro q vc começa a ver aquela sujeira debaixo do tapete que, no fim das contas é uma montanha interminável de lixo. mas vc tb ve outras coisas, ve povs que ainda não fazem parte da era tecnologica e que guardam suas tradições a ferro e fogo e que isso torna este povo tão peculiar, interessante e simplesmente encantador. logo, isso te faz pensar sobre outras coisas le´m da tecnologia... a questão é que eu não entendo ainda como as pessoas não conseguem gostar de aprender... talvez os metodos não sejam interessantes... sei la, pode até ser, mas é impossivel alguem nunca se interessar por nada, quer dizer, a idéia de conhecimento precisa partir de algum lugar, nem que seja por meio de livros, jornais, revistas, programas de televisão ou filmes...
a respeito do assunto do post, conversaremos pessoalmente, e o vento levou é... sem palavras, tenho quase certeza de q a Scarlet É o meu alter ego!!!!
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