Meu amigo e inimigo tempo é o assunto de hoje, já que ele andou de brincadeira comigo essas últimas semanas, enquanto também tive boas constatações de que, sem ele, o mundo seria muito mais sem graça e primitivo.
Não usemos, por favor, de maneira sólida a idéia do tempo científico. Aquele colega metódico que não passa de rotações da terra, com determinados números que o codificam, usado simplesmente para catalogar a história do universo, do mundo e da humanidade.
Não, o tempo também é instrumento filosófico. É o parceiro e complicador de todos nós. Sem ele, não tem velhice, não tem prazo, não tem renovação, não tem desenvolvimento. O tempo é mestre e vilão. O tempo é correnteza e barreira. O tempo é espetáculo e tédio.
O antítico e ambíguo tempo é aquele cara que você corre contra quando precisar ler milhões de coisas num curto espaço que ele dá. Mas é o mesmo que ameniza emoções amargas, que resolve sensações desagradáveis e encontra soluções porque lhe deu experiência ou cabeça fresca. É o camarada que lhe deu sugestões, que lhe engrandeceu com os alto e baixos.
Gosto muito do tempo, apesar de detestá-lo quando ele se mostra tão pequeno perto do que se precisa fazer: acordar, se exercitar, ler jornal, ler feito uma condenada, viajar até São Paulo, assistir aulas, voltar de São Paulo, ler, ler, ler, arranjar espaço para diversão e descontração, dormir, fazer cursos de línguas, estudar música, escrever no blog, se entreter na internet, querer fazer mais aulas e não poder... O tempo te obriga a fazer opções. Não tem vidas em forma de cogumelos verdes, nem relógios que param o mundo, nem viratempos. É tudo na raça, e o que foi, não volta.
Eu sempre gostei de quem me força a ir acima dos meus atuais limites, ou me mostra o quão despreparada e sem talento eu sou e que, portanto, tenho muito o que aprender e nunca alcançarei uma plenitude. Pode soar desanimador, mas como alguém que naturalmente gosta de desafios pessoais, eu não paro, choro e ignoro, nem me posiciono confortavelmente na simples admissão da minha falta de certas características que considero melhores. Eu vou atrás, por mais que algumas coisas eu saiba que nunca serão bem concretas, muito menos perfeitas. Para essas pessoas, que eu posso contar nos dedos, tive momentos de admiração total e outras de pura raiva, pela forma severa como geralmente me tratam/tratavam. Mas, no fim, é essa forma severa que me estimula(va), em tom de desafio. O tempo não é uma pessoa, mas a maneira como o vejo é a mesma maneira como vejo essas pessoas.
Ele está ali me forçando a ir mais além do que eu imagino que posso, e às vezes até consigo, entrando num deleite de superação pessoal. Há os momentos em que não consigo e, por mais que num instante eu pense que foi, nunca será em vão. Pode não vir em forma de uma leve superação fracassada, mas na forma de uma maneira para não se repetir, ou mesmo de uma que deve ser aplicada de outra forma... entre tantos outros ensinamentos.
O tempo existe para ensinar. O castigo e o sucesso são instrumentos de aprendizado.
Todo mundo reclama do tempo. E todo mundo se impressiona com o tempo. No final de ano, é sempre a mesma coisa: "Como esse ano passou rápido!".
Além de professor e médico, pai e mãe, juiz e promotor, o tempo também é astro. Ainda mais hoje em dia (que, na verdade, para mim, membro da geração do computador, trata-se do sempre), em que a gente faz tanta coisa, tem tanta coisa para ver, ouvir e aprender, bem como várias coisas para não fazer nada (leia-se: não usar os neurônios, o que às vezes é muito bem-vindo), parece que o tempo está curto, ou que só atrapalha...
As pessoas estão sempre com o olho no relógio e no calendário, contando horas, dias ou meses para algum acontecimento, ou para entregar algo a tempo. Tudo muito rodeado de unhas ruídas, cabelos brancos, culpas, ataques e colapsos. Esse tipo de associação o tempo não pediu, embora receba como consequência de suas restrições.
O pobre tempo simplesmente existe. Está ali, não pode mudar, não pode flexibilizar, não pode se comover com os seus anseios, não pode durar mais um pouquinho pela sua felicidade. Ele é aquilo e pronto. A não ser que se confirme a relação entre tempo e universos paralelos, acho muito difícil que nós consigamos interferir no tempo, como tanto sonham o misticismo e a ciência.
Sobra para nós, mortais e transformadores, nos adaptarmos ao tempo e seus limites. Quando o tempo pede disciplina, devemos buscar disciplina; quando pede pelo gozo de um momento, devemos saber aproveitar.
É tão fácil dizer uma coisa dessas diante dos obstáculos de se encontrar esse tipo de equilíbrio, que estou até tomando água de coco na cadeira de praia para ver se a ação alcança as palavras. Serve para quem nunca encontrou essa reflexão de psicólogo: não culpe o tempo, culpe você mesmo e se resolva, ou ao menos tente ( E não se sinta tão frustrado se não conseguir. Muito mais corajoso e digno tentar).
Eu ando na corda bamba nessa história. Vou muito cuidadosamente, às vezes faço grandes avanços, às vezes caio na rede lindamente. Quando caio na rede xingo o tempo, mas sei bem que a culpa é minha e me amaldiçoou por alguns erros tão repetidos.
Bom, pelo menos eu fico satisfeita quando faço bom uso do tempo.
*Stick & Sweet*
1 - O que está ouvindo? Ashanti - Don't let them (ouvindo a rádio do lastfm e descobrindo novas cantoras, que segundo o lastfm, seriam parecidas com a Christina Aguilera. Até gostei dessa Ashanti, apesar de que até hoje para mim esse nome era uma etnia africana - deve ter origem)
2 - Último filme na tv? "Uma questão de bolas"... Comédia besteirol com dodgeball e Ben Stiller... Acho que eu estava de muito bom humor hoje, porque consegui achar graça. Bom, melhor que as comédias adolescentes estritamente sexistas americanas.
3 - Primeiro presente de aniversário deste ano? Super Smash Bros Brawl, pro wii, já com muitas horas de jogatina.
4 - Último show que foi? Qual? Qual? Madonna, Stick & Sweet Tour, no dia 18. High tech, lindo, fantástico, Madonna poderosa e enérgica, supreendentemente simpática e comunicativa.
5 - Reflexão do dia: Você é que se adapta às dificuldades, não elas a você.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Ah, tempo, tempo....
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