quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Quando as coisas viram retrô

Na minha aula de inglês passada, a discussão proposta era sobre objetos tecnológicos que no início de suas criações foram rejeitas por gente importante. O dono da Warner Bros, em 1927, comentando que as pessoas não queriam ouvir os atores falando, em referência ao cinema falado. O gerente da IBM, em 1943, ironizando que no mercado só haveria espaço para talvez 5 computadores. Algum jornalista do New York Times, em 1939, falando que a televisão não substituiria o rádio, porque ela exigia que as pessoas mantivessem seus olhos na tela...
A discussão foi divertida, se você me perguntar, e depois evoluiu para a história do cinema, e de Hollywood. Mas para este blog (porque ela também me rendeu outra idéia que talvez eu aplique no Camaleão de Armário) vou me reter a um pensamento que eu tive, e que foi alimentado por aquele vídeo do McCain que comentei, uma reportagem na Superinteressante sobre a neo-Ku-klux-klan e um artigo sobre um livro com cartas em que José de Alencar mostra apoio a escravidão, além do debate de ontem entre os presidenciáveis americanos e uma pequena parte de um filme que vi recentemente (Invasores, com a Nicole Kidman e o Daniel Craig, na cena do jantar, se você está interessado).

O retrô do título é muito menos sobre modas, e mais sobre pensamentos, embora eles estejam ligados,e , portanto, sim, modas estão dentro da discussão.
Para ser mais clara, permita-me usar um exemplo clichê: a mulherada vai gradativamente se rebelando sobre sua posiçaõ na sociedade, e à medida que ela queria igualdade em direitos, ela foi criando liberdade para se vestir de maneira mais prática, ou como homens, se preferir. Além disso, como moda não é só roupa, o crescimento desse pensamento libertário tornou a idéia popular, algo que consolidou o movimento como uma tendência, como uma coisa revolucionária, e que a situação não seria mais como antes. Se um pensamento se populariza, ele ganha expressão, que dificilmente se reverterá. O máximo que acontecerá é que as idéias velhas permaneçam, mas dificilmente serão a maioria novamente.

Não sei como é para vocês, mas eu sinto uma frustaração quando algo que em parece muito óbvio se torna centro de uma discussão que gasta várias palavras, mas acaba ficando na mesma, e essa mesma significa que as pessoas que pensavam coisas que eu considero absurdo continuam crendo em seus absurdos.
Algo que com certeza aconteceria se eu encontrasse um desses neo-Ku-Klunx-Klan. Eles querem tirar mulheres de cargos importantes e aplicar restrições aos negros em pleno século XXI. Eles têm um partido independente nos EUA (sim, o sistema lá não impede outros partidos, mas, como você pode presumir, não têm expressão nenhuma) para defender suas idéias. Imagino como seria se eles tivessem um presidenciável, e ele fosse convidado para um debate. Se eu já fico horrorizada com o McCain falando que precisa perfurar o oeste americano para resolver o problema energético deles, imagina se me sobraria cabelos ouvindo um cara desses falar...

No filme que vi, a personagem da Nicole Kidman está discutindo com um russo sobre a natureza humana, e o russo é bem pessimista. Ela fala sobre a evolução de consciência, e que os humanos não são os mesmo de cinco séculos atrás, que estão melhores, e que ela acredita que a tendência seja o aperfeiçoamento, num processo lento. Ela basicamente falou o que penso. Não somos os mesmos, e isso é bom. Não é um desprezo ao passado, sem ele não seriamos o que somos hoje, para bem ou para o mal. No caso do assunto de hoje, julgo que é para o bem.
Agora, tende-se a pensar duas vezes antes de fazer uma guerra. Legalmente, todo humano é igual. Genocídios são condenados no senso popular. Temos uma organização mundial, que não é perfeita, mas que une os países para discussões e ajudas.
Nada disso funciona 100%, mas só de tentar, só de haver regras, só de ter quem reprima, só de ser um senso da maioria, é uma evolução. Isso tudo é muito gradativo. Claro que há recaídas, e eles costumam ser medonhas, como o EUA que atacou o Iraque sem permissão da ONU. Mas eu acredito que eles terão troco. Na verdade, eu já vejo o troco. Suas políticias externas são impopulares, poucos confiam neles, o Iraque é um caos e eles não têm controle total, as suas desculpas foram desmascaradas e só alguém muito iludido para não associar o petróleo a coisa toda... E pode haver coisas piores, que não quero imaginar.

O que quero dizer é que eu vejo desenvolvimento, mas desenvolvimento não significa ruptura com pensamentos antigos. Eles resistem, eles ainda agem, ainda fazem estragos, ainda cativam pessoas. Mas eu sonho com um dia, que talvez eu não veja, em que certas coisas nunca mais serão ditas.
O problema é mesmo para quem concorda com o que nós poderíamos chamar de pensamentos "desenvolvidos", há linhas tênues de diferença. Lembrando dos ditos da Revolução Francesa: Liberdade, o que é? Igualdade, o que é? Fraternidade, o que é?
Aí também se instauram diferenças que podem ser graves. Liberdade é deixar todo mundo fazer o que quiser? Igualdade é tratar todo mundo do mesmo jeito? Até que ponto isso é bom? Fraternidade é pensamento coletivo? Quem está de acordo?
Interpretações bizarras sobre isso causaram cortes de cabeça, queima de livros, festa no mercado especulativo com dinheiro do contribuinte...
Não vou me estender nas minhas definições sobre cada um, mas espero que você tenha captado meu ponto. O que parece bonito pode ser na prática algo grotesco, ou ineficiente, ou repressivo, ou estúpido...

Bom, visualizando isso tudo, fica uma pergunta: como saber o que é "retrô"?
Eu vejo como algo que é inferior a uma idéia melhor, mais condizente com valores atuais. O problema para mim está em dizer o que significa "idéia melhor" e "valores atuais" com essa pluralidade de pensamentos. Está tudo relacionado com minhas visões de mundo, como sempre.
Para mim, é retrô falar em diferença de "raças". É todo mundo homo sapiens sapiens, e o que talvez diferencie são circunstâncias do meios e algumas variedade genéticas que não estão restritas a "raças".
Para mim, é retrô falar em serviço de gêneros. Homens e mulheres de fato não são iguais, mas não existe tarefa que um deles não possa fazer. Tendencialmente, existe um jeito diferente de executá-las para cada um, mas não significa que isso os impede de fazer.
Para mim, é retrô falar em repressão aos homossexuais. Eles não escolheram, sua condição não os diminui como seres humanos, eles têm direito de amar quem quiserem. A simples repressão do amor é uma agressão. Anti-natural é impedir os sentimentos homossexuais, não a homossexualidade. E não me venha com Biblia, primeiro porque os estados ocidentais são laicos, segundo, não está escritos explicitamente algo contra homossexuais, logo, mil interpretações podem ser ditas, terceiro, ela defende o amor, reprimir amor é anti-cristão.
Para mim, é retrô falar de crescimento industrial sem se preocupar com o meio ambiente. Emissão de CO2 adoidado, lixo nos rios, queimadas em nome do progesso, duvidar que o efeito estufa tenha como principal culpado o humano... Tudo isso é ridículo. Já temos provas empíricas demais para continuar não se importando com os danos à natureza. É o governador do Mato Grosso defendendo que a produção de soja é mais importante do que a "mata" (Amazônia), é a Dilma Roussef criticando a Marina Silva porque as restrições aos agricultores "impediam o progresso", é a chapa McCain/Palin defendo mais queima de fósseis como fonte de energia.


Vai ter uma hora em que o óbvio (meu óbvio) será maioria, espero. Hoje estou mais ousada. Não estou tomando cuidado para não parecer arrogante ou prepotente. Esse assunto me cansa, me entristece, me deixa frustrada. Estou pouco me importando se alguém concorda ou não. Retrô é o que condiciona os outros aos dogmas de um outro grupo, sendo que teoricamente a vida desses "outros" deveria depender apenas deles, como os homossexuais ou as grávidas que querem abortar. Retrô é cair na agressividade sem a devida reflexão e a discussão elegante. Retrô é sustentar julgamentos por aparência. Retrô é reprimir o que não pode ser reprimido. Retrô é fazer predições que ignoram capacidade de transformação. Retrô é tentar impor algo a alguém sem as devidas razões. Retrô é associar identidade com insígnias materiais. Retrô é tudo ignora a força do livre-arbítrio.
Todas as coisas que se encaixam nisso irão cair algum dia.

Sei que esse post talvez tenha sido a coisa mais inútil de todo blog. Possivelmente, não diz nada se você não concorda. E mesmo quem concorda diz "Tá. E...?". Essencialmente, minha intenção é que se reflita, em todas as idéias de cada um que lê ou do mundo ao redor de quem lê, sobre o potencial de alguma opinião ser perecível, o tipo de influência que ela tem, o que dentro de seu contexto a leva a ser daquele jeito, e como e porquê ela poderia ser diferente. Analisar se ela pode ser retrô, ou tem chances de ser. Foi o que nós fizemos na aula de inglês, mas é muito mais fácil falar de tecnologia do que ideologia.


*Entusiamo programado*
1. Música? El Paso - Marty Robbins. Country dos bons.
2. Último DVD? A espiã, filme alemão/holandês, durante a segunda guerra. Visão pessimista da humanidade, mas não é manequeísta.
3. Ultimo filme na Tv? Paradise Now, acho que pauistanês. Homem-bomba que tem seus planos frustrados. Olhar interessante. Concorreu ao Oscar, se não me engano.
4. Onde deveria ter ido? À faculdade, mas estou enjoada, com dor de cabeça, mal-humor, está chovendo e minha professora é meio canastrona...
5. Reflexão do dia: Não espera para repensar a vida quando fizer besteira.


Ps: Eu provavelmente me arrependerei deste post, já que eu não tomei os devidos cuidados com as construções de frase e não quis me estender para esclarecer melhor. Considere apenas o último parágrafo e esqueça o resto, já que seus buracos podem causar terrível mal entendido. Ele só está aqui porque quis me expressar.

3 comentários:

mariluca disse...

irmã. Estou com saudades. Seus pensamentos são interessantes, mas não consegui ir até o final. Meus olhos estão ardendo e ainda tenho duas traduções a fazer.

beijinhos

Paula disse...

não acho q seja um post ruim, juro q não acho. ADORO esses momentos mágicos em q vc expressa suas opiniões q são tão parecidas com as minhas! mas desanima, qlqr coisa q eu vá escrever a respeito dos mesmos assuntos que você, invariavelmente vai parecer plágio! só pra resgistrar, acho retrô preconceito!

Spencer_pretty disse...

é ridículo dizer que o hgomem é o mesmo, quando, na realidade, não é há muito tempo. quer dizer, a cada nova "criação", seja ela tecnológica, medicinal... o que for... o homem se transforma. se é para o bem, ou o mal, só o próprio homem pode dizer.
as mudanças ocorrem de forma sutil, quer dizer, para que algo passe a fazer parte da cultuira, ela precisa ser difundida dentro dessa cultura já existente e acredite, não é fácil. o problema é que vir com algo novo e inovador é assustador e as vezes permanecer na emsmice seja uma forma do homem ainda se sentir seguro no seu meio.
a onu não apita absolutamente nada. bem, unir as nações ela até une em uma conferência, mas unir todas as nações em um único objetivo, bem, ai já é demais. é impossível. fora que, lembrando do caso da guerra no iraque, os esados unidos passou por cima de tudo e todos e ai ytodo mundo já sabe o que aconteceu.
liberdade? você é livre como indivpiduo, mas quando você está em sociedade, você segue regras e a liberdade passa a não existir por conta das regras sociais. Igualdade? nem mesmo como indivíduo você é igual, em sociedade, muito menos. Fraternidade? Melhor nem ao menos comentar. São palavras lindas, com significados utópicos, mas francamente, a prática é muito diferente.
putz, acho q disse nada com nada, mas bem q eu tentei. impressionante como sempre aprendo algo quando venho aqui.