Ontem ocorreram as eleições de segundo turno, que nem houve aqui em Santos, e, ao invés de me dedicar a um trabalho que precisa ser urgentemente feito, fiquei acompanhando as notícias e as análises políticas na Globo News. Como ser que se envolve apartidariamente em política desde as eleições presidenciais de 1998, - obviamente não com o mesmo rigor e senso crítico próprio, afinal uma criança de 8 anos é claramente guiada pelo pais - tive duas sensações. Uma de que não é muito difícil ser cientista político para fazer análises, salvo raras exceções, e outra de que ainda não dá para destinguir, na turva água da diferença entre o que se diz e a realidade, a verdade quando se comenta que o povo brasileiro está se engajando mais no processo político.
Particularmente, por mais que tenha interesse na força e importância da política sobre as nossas vidas, ardor real na defesa de candidatos brasileiros (porque tive outros dois mundo a fora, o já percebido entusiamo pelo Obama e a torcida, de alguém que estava de olho no seu intercâmbio à França, pela Ségoléne Royal, que perdeu do Sarkozy) eu só tive em 3 momentos, sendo que dois eu não podia me expressar:
- O primeiro, muito influenciada pela família, foi a eleição de Lula em 2002, quando o PT e ele ainda significavam mudança e o histórico de lutas sociais contava para alguma coisa, uma ética (rs...). Mas eu só tinha 12 anos, então não precisei chorar as magoas do mensalão, ainda que muito decepcionada.
- O segundo, que é o que mais me orgulho e pude fazer algo, foram nas eleições presidenciais passadas, em 2006, ano que fiz meu título com 16 anos para ajudar a decidir o destino do país. Votei no Cristóvão Buarque, que tinha a plataforma dos sonhos de qualquer um que enxerga a Educação como o grande instrumento de mudança social no Brasil. Por mais que a porcentagem dele não tenha chegado nem aos 3%, e eu sabia que isso aconteceria, eu votei no que acredito, com muita convicção do correto, e não tem coisa mais deliciosa na política do que um momento como esse. Não importam pesquisas, não importa expressividade política. Quando se vota, a gente tem que pensar no que condiz com a nossa ética, nossas ideologias, no que acreditamos que é melhor, seja lá o que você considera melhor. É o que dá a real diversidade, e o que realmente expressa os desejos do povo. Votar por votar dá no que dá: gente incompetente, gente de olho na bufunfa que político ganha, não na importância de seu papel na sociedade, gente mal-caráter, gente perdida que fica criando Dia do não-sei-o-quê só para dizer que fez algo...
- E o outro foi nessas eleições. Mas não foi aqui na minha cidade, onde a reeleição de um prefeito que foi razoável era evidente, e eu mesma acabei votando nele por falta de opções decentes. Afinal, a criatura que tinha o melhor projeto para educação, saúde e cultura, que são minhas prioridades na hora de analisar, e que estava num dos poucos partidos que realmente simpatizo, que é o PSB, tinha um vice-prefeito que mais atrapalhava do que ajudava politicamente. Bom, pelo menos a situação de Santos era melhor do que a pobre São Paulo, que teve que escolher entre DEM ou PT, com duas figuronas de torcer o rosto. Não, o meu terceiro ardor vinha do Rio de Janeiro. Cheguei a brincar que mudaria meu título de eleitor (algo que não dá, para os desinformados) só para votar no Gabeira. Alguém como o Gabeira é um tipo de político que as pessoas almejam no Brasil: ético, transparente, culto, progressista, com trajetória de coerência invejável. Mesmo nas eleições de 2006, eu queria ter alguém como o Gabeira para votar em deputado federal. Votei na sigla do PV, que é um partido pequeno nacionalmente e, de acordo com as emendas de um protótipo de reforma política, podia ter sido cortado da limpa que estavam tentando fazer nas câmaras.
Apesar da vitória apertada do Paes, o simple fato é um índicio que não há maturidade política no Brasil ainda. Um cara que fez o que fez, ainda mais diante de alguém como o Gabeira, ganhar é quase um ultraje a própria população.
Atacou sujamente, usou da máquina governamental para se promover, trocou de partidos com gritantes diferenças ideológicas inúmeras vezes, fez propostas grandiloquentes sem ponderação, boa parte delas imediatista e dificil realização concreta, cabos eleitorais seus praticamente compraram votos... Enquanto o Gabeira manteve sua oposição ao governo (coisa que o Paes energeticamente foi há não muito tempo atrás), não por birra partidária, mas por ideologia, restringiu sua campanha em nome de algo que ele acredita, que é a preservação do meio ambiente, a chamada pelos analistas 'campanha limpa', estudou projetos de outros países para tentar aplicá-los na cidade de acordo com sua realidade, deixou clara as limitações de seu poder - entre o que se quer e o que se pode fazer-, tudo muito moderado, e de foco social. Política como tem que ser no Brasil.
Mas as pessoas ainda votam por carisma, por ilusões, pelo imediato, pela vantagem individual, pelo temor da dúvida envenenada por palavras sujas (sem nem ao menos tentar descobrir se é verdade mesmo, algo que a mídia, ao menos isso, costuma esclarecer), pelo que mais tem seu rosto exposto...
Não sei da onde esses cientistas políticos e o TSE tiram que o eleitor está mais ativo. Eles falam de entusiasmo, mas o entusiasmo que eu vejo não é muito diferente do de antes. E a seletividade do eleitor também, os resultados provam, continua a mesma. Talvez a única coisa que realmente esteja evoluindo é um senso de importância no ato do voto. A atenção que é dada a essa importância é questionável, mas ainda assim a idéia de importância parecer estar mais concreta. O brasileiro sabe que seu voto é um poder, com mais clareza do antigamente, por mais que ainda não honre esse poder.
A diferença da consciência política entre as classes mais baixas e os "mais esclarecidos" diminuiu, não como devia, nem como poderia, mas diminuiu, é fato. E isso é ruim. Não porque o pobre entende melhor, essa é a parte boa. Mas porque mesmo entre a camada e que devia ser "mais esclarecida", a atenção dada ao poder de votar é fraca. Basta ver a abstenção do Rio, mais de 20%. As pessoas preferiram viajar, no lugar de votar (nem especulo teorias da conspiração quanto a intenção do governador de provocar isso). Eu estou do lado de quem acredita que elas poderiam ter mudado o cenário político carioca, afinal, grande parte dos viajantes é da camada que tendia para Gabeira (em números: mais de 900 mil abstenções, sendo que foi por volta de 50 mil a diferença entre Paes e Gabeira). Três dias de sol valem 4 anos na mão de alguém com caráter duvidoso?
Enquanto a atenção não for devida, eu defendo o voto obrigatório. Voto livre é para países em que sua população sabe e sente de verdade o valor de seu voto, pelo menos a sua maioria expressiva. E aqui poderiam até dizer que é uma incoerência minha, afinal, a parte que mais deixaria de votar seriam os pobres, ou seja, aqueles cuja maioria não tem senso crítico, "não sabem votar". Mas meu problema não é nem de longe com o pobre, é até um insulto me dizer isso. Livrar-se do "fardo" do voto despreparado do pobre é elitizar a democracia, deixando-a na posição confortável de ser considerada como tal, por ser para todos, mas essencialmente oligarquica, porque os insatisfeitos com as decisões ignorantes não precisam mais se preocupar em educar o pobre a votar, o que criaria um ciclo vicioso de pobre que ignora seu voto e governo que não está interessado em melhorar sua ignorância.
O crescimento da noção de importância do voto certamente é um ótimo passo. Para um desenvolvimento efetivo, falta a boa e velha Educação.
Mesmo para quem não é pobre, a senso crítico é raquítico. A configuração da Educação no Brasil, voltada para o Vestibular, não exige mais do que um senso crítico suficiente para escrever uma dissertação meia-boca. Aos que já passaram da idade de serem educados formalmente, ou melhor, que já têm seu diploma como tal, um conselho: auto-eduque-se. Leia e veja jornal, acompanhe as coisas, anote acertos e erros dos políticos que vão aparecendo, caso você tenha uma certa dificuldade com a memória. Tudo em nome de um voto decente. Porque um voto não é só a escolha de um(a) carinha, de um partido, de números. Você já está cansado de ouvir isso nas propagandas do governo: ele decide a sua vida prática e de toda uma população nos próximos 4 anos. Ele decide como as crianças na sua cidade serão estimuladas a estudar, como serão as condições dos postos de saúde, como estarão as ruas, como será seu poder de renda...
Os que vão compor a câmara são seus melhores representantes. O poder legislativo tem que ter a mesma atenção que se dá ao executivo. Se você quer uma melhoria específica, é com ele que você falará. É ele também que permite ou não se o executivo fará seus projetos. Se você votar em alguém que segue uma linha lógica e ideológica semelhante a sua, ele de fato será sua voz.
Chega de abafamento, de silêncio, de desafinadade entre política e interesse público. Não fique reclamando da política, o problema dela são os políticos que são eleitos. E sempre tem alguém decente no meio de cobras, mas tem que se dar o trabalho de querer identificar.
*"Que é pro mundo ficar Odara"*
1- O que está ouvindo? Odara- Caetano Veloso
2- O último filme em DVD? - Deu a louca no Mundo, Stanley Kramer, 1963. Pastelão over, mas me prendeu XD
3- Último filme na TV? Lado a Lado, com Julia Roberts e Susan Saradon. Tão bonito! Sou meio suspeita, gosto de personagens maternos. Susan arrasando.
4- O último vídeo? Cirque du sou eu - Charge antiguinha que achei entre uma linha de charges relacionadas às atuais. Ótima e até combina com o tema de hoje.
5 - Reflexão do Dia: Os problemas da política são seus políticos e seu povo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Fugindo das padronizações
Teminha cabeludo. Minhas atuais influências para falar sobre isso foram uma entrevista com transgêneros na Oprah, eventuais comentários de alguns amigos homossexuais e uma observação que fiz sobre a retratação da personagem feminina de um filme dos anos 60 (O sétimo mandamento, do George Marshall, se quiser saber). E, claro, velhos clichês sociais que me irritam profundamente.
Primeiramente, vou expor algumas indagações compartilhadas com a minha mãe enquanto viamos a Oprah. Como alguém percebe que está no corpo errado? Como se sabe o que é "uma mente de homem" e uma "de mulher"? Qual é o limite entre gente diferente e gente que faz parte de um padrão, ainda que "deslocado"?
É extremamente delicado dizer o que vou dizer, como ignorante da sensação real de um transgênero ou de um homossexual, já que não sou, mas não consigo ver muita diferença entre um transgênero e um homossexual que age e gosta de se aparentar como uma pessoa do outro sexo. Coragem, talvez. E dinheiro. Mais perseverança e vontade do que dinheiro, quem sabe. O fato é que, essencialmente, soa-me a mesma coisa. Não estar satisfeito com seu corpo, não ter "a mente" do seu sexo biológico, o desejo por pessoas do mesmo sexo...
Porém, o mais complicado nessa história toda é: "como saber?"
Existem homossexuais que estão satisfeitos com seu corpo. Como um amigo me disse: "Não me importo de ser um homem que gosta de homens". Ele se sente homem, mas gosta de homens. No termo do gay-world, ele não é uma bicha. Se veste como homem, age, num geral, como homem...
É verdade que quando homossexuais se reconhecem como tal, eles enxergam gostos e atitudes , além do desejo por pessoas do mesmo sexo, que são tidos como típicos do gênero oposto, e entendem como sinais.
Geralmente, pelo que minhas observações puderam constatar, o reconhecimento dos "sinais" vem antes do reconhecimento do desejo.
Aí vem minha grande questão de hoje: o que é esse sinal? E quando o "sinal" não é um sinal? O que transforma algo num sinal?
É cientificamente comprovado (não que realmente precisasse de uma pesquisa para constatar isso) que homens e mulheres são diferentes.
O problema é que essas diferenças não são tão simples, são tendências, e não compartilhar dessas tendências nem de longe significa que há algo de "errado" com você.
Vamos a alguns esteriótipos.
Homem - gostar de coisas violentas, ser frio, brincadeiras físicas, reações energéticas, pulso firme, pouco sentimental, inflexível, estrategista, objetivo...
Mulher - delicada, sensível, adora um choro, gosta de falar de relacionamentos, branda, precisa ser protegida, mais frívola, entende melhor a mente de terceiros...
Graças aos céus, não se exige mais ter todas essas "qualidades". Mas, se você reparar, pelos menos uma delas tem que ter, se não as pessoas, e você mesmo, passa a se estranhar. E você não está totalmente livre, mesmo que tenha alguma, porque outras formas, ramos, de algumas dessas atitudes são exigidas. É aceitável que você seja uma mulher "independente", mas, uma hora ou outra, você ter uma "recaída", sentindo-se frágil e precisando de alguém, faz você mais mulher, como se ter essa recaída fosse algo de mulheres (não é, bem sabemos).
Não gostar de Barbie e brincar de carrinhos ou bonecos de ação é uma sina para a pobre menina. Não interessa os motivos, a lógica desse gosto, é uma "coisa de menino", portanto, é estranho. Familiares cochicham, pais se preocupam, e crianças fazem seus cruéis comentários impensados.
Mas será que isso é mesmo um índicio de homossexualidade? Ou só uma quebra de expectativa?
Será que fazer coisas ou pensar coisas que se supõe típicas do outro sexo significa o mesmo que homossexualidade?
Como saber um limite? Existe um limite?
E quando a confusão se consolida num sentimento? Quando não se sabe o que se sente ou o se pensa sobre isso? Qual é a influência dos conceitos da sociedade na consolidação? Como saber quando é uma construção da mente e quando é uma naturalidade?
Sinceramente, eu vejo um jogo psicológico enorme nisso. E como bem lhe caracteriza, complexo. Não faço a mínima idéia se existe uma solução formulária para isso. E creio que não, dada minha aversão a fórmulas e suas limitações.
O fato é que às vezes eu entendo essas confusões muito mais como uma contrução da sociedade do que algo fortemente individual. Você se questiona porque está fora de padrões, e quem dá os padrões é a sociedade.
O grande jogo, que dificilmente uma criança pensará, é se perguntar sobre desejo antes de se perguntar sobre os seus hábitos. E saber diferenciar desejo de afeição.
Mas imagine sentimentos que muitas vezes nem adultos conseguem definir sendo (ou tentando ser) identificados por crianças... Qual é a garantia disso?
Espero que esteja claro que quando falo 'criança', é uma referência de que a dúvida começa na infância, mas se sinta à vontade para considerar os adolescentes, com o mesmo potencial de dicernimento e que se perguntam só nessa faixa etária, sem antes, em sua inocência ou mesmo uma ignorância, ter se questionado.
Engraçado que acabei falando de homossexualidade, e não era minha intenção falar só disso. Eu queria falar de rótulos dados aos gêneros. Como no filme citado, em que a mulher desiste de sua briga histérica com seu amante porque este lhe propõe casamento, ela fica toda submissa e idiota, enquanto o cara fica na boa pinta, com seu intelecto malandro e charme dominador, algo muito frequente nos roteiros de filmes antigos (nota número 1: os roteiros dos clássicos são o que mais me atrai para eles, são inteligentes e sagazes, mas esse é um pequeno podre que dependendo do filme é irrelevante; Nota número 2: um dos motivos pelo qual gosto muito de Hitchcock, com seus roteiros geniais e suas inversões durante as tramas da personagem "altamente feminina" para uma "heróina admirável").
A questão é que se vende uma imagem para os sexos, e destoar muito dela é motivo de estranhamento.
No DVD do filme do Tim Burton sobre o Ed Wood, tem meio que uma reportagem sobre homens que gostam de se travestir. E, como Ed Wood, existem homens travestis que são heterossexuais. É muito bizarro pensar nisso num conceito social, porque o gostar de vestidos, maquiagens e roupas femininas é uma ligação direta que se faz com a homossexualidade. Quem se sente muito confuso com a lógica do pensamento de um travesti heterossexual ataca: deve ser gay enrustido.
Ou seja, não se pode gostar de roupas femininas e ser homem ao mesmo tempo. Por quê? Quem disse?
Cai-se numa rede louca de ponderações sobre gostos. Quem gosta de cemitérios é gótico. Quem usa tudo rosa é patricinha. Quem quer "dividir riquezas" é comunista (está acompanhando as acusações do McCain ao Obama para entender essa?)... É?
Se alguém te diz que achou interessante ver, segundo por segundo, uma velhinha desmaiar, o que você pensa? Cruel? Negligente? Assustador? E se você conhecer direito o racicínio de quem te disse isso? Saber que essa pessoa estava num ônibus e não podia fazer nada, saber que essa pessoa tem fascínio por momentos únicos, saber que ela não estava tendo um deleite com o fato de ser uma velhinha desmaiando, e sim com a chance, poderíamos dizer, plástica, de ver alguém num momento de desmaio? Muda de figura?
Bem sabem meus amigos que eu tenho horror a esteriótipos, mesmo porque, como os bons psicólogos que frequentam este blog devem ter presumido, já fui muito vítima deles e ainda sou. Sou vítima até mesmo dos esteriótipos que as pessoas poderíam considerar "bons", tais como a garota que volte-e-meia fala algo inteligente e vira gênio, ou a que sabe de um ou outro filme clássico e um pouquinho de história do cinema e vira perito em cinema. E, claro, os ruins, como a que hora ou outra defende atitudes severas (não importam as razões nem os fins) e vira uma extremista, uma radical, ou a que em certas situações é tímida e acaba virando uma tímida de carteirinha para todos os momentos.
O nó que se tem no julgamento dos gostos, não só no campo dos gêneros, como nos bilhões de tipos sociais é um grande problema. As pessoas falam sem saber, julgam sem medir, condenam os outros a fardos que às vezes eles nem têm.
Não se pode simplemente ser sem que alguém te encaixe em algum padrão. Não se pode bater muito próximo de certos padrões sem que se seja configurado neles.
Não quero me estender na importância de padrões, não a nego. Porém me enraivece a aplicação do padrão, algo genuinamente científico, nas relações do dia-a-dia e no entendimento que a sociedade faz do indivíduo. Se mesmo em termos científicos o padrão não é definido, está sujeito a tranformações e erros, o que dirá a definição de um indivíduo.
*"Açúcar, tempero e tudo que há de bom"*
1- O que está ouvindo? O ventilador do computador.
2- O que está lendo? Frankestein, de Mary Shalley, em sua língua original, no meio das trilhões de leitura para trabalhos universitários.
3- Último filme em DVD? O franco atirador, com o Robert de Niro e a Meryl Streep, que teve a primeira de suas 14 indicações ao oscar por ele. Faz parte da mesopotâmica jornada ensaiada por um amigo e eu de assistir todos os filmes que a Meryl foi indicada até o final do ano.
4- Último filme na tv? Tá que eu não vi inteiro porque estava muito tarde, mas Os pássaros de Hitchcock no TCM.
5- Reflexão do Dia: Cuidado com o que é, pois pode não ser.
ObS: Fiz esse post em dias diferentes, e creio que a mudança de tom é perceptível. Gostaria de lembrar que eu não ligo para o que pode parecer contradições, e que o teor livre e espontâneo é, portanto, algo pessoal.
Primeiramente, vou expor algumas indagações compartilhadas com a minha mãe enquanto viamos a Oprah. Como alguém percebe que está no corpo errado? Como se sabe o que é "uma mente de homem" e uma "de mulher"? Qual é o limite entre gente diferente e gente que faz parte de um padrão, ainda que "deslocado"?
É extremamente delicado dizer o que vou dizer, como ignorante da sensação real de um transgênero ou de um homossexual, já que não sou, mas não consigo ver muita diferença entre um transgênero e um homossexual que age e gosta de se aparentar como uma pessoa do outro sexo. Coragem, talvez. E dinheiro. Mais perseverança e vontade do que dinheiro, quem sabe. O fato é que, essencialmente, soa-me a mesma coisa. Não estar satisfeito com seu corpo, não ter "a mente" do seu sexo biológico, o desejo por pessoas do mesmo sexo...
Porém, o mais complicado nessa história toda é: "como saber?"
Existem homossexuais que estão satisfeitos com seu corpo. Como um amigo me disse: "Não me importo de ser um homem que gosta de homens". Ele se sente homem, mas gosta de homens. No termo do gay-world, ele não é uma bicha. Se veste como homem, age, num geral, como homem...
É verdade que quando homossexuais se reconhecem como tal, eles enxergam gostos e atitudes , além do desejo por pessoas do mesmo sexo, que são tidos como típicos do gênero oposto, e entendem como sinais.
Geralmente, pelo que minhas observações puderam constatar, o reconhecimento dos "sinais" vem antes do reconhecimento do desejo.
Aí vem minha grande questão de hoje: o que é esse sinal? E quando o "sinal" não é um sinal? O que transforma algo num sinal?
É cientificamente comprovado (não que realmente precisasse de uma pesquisa para constatar isso) que homens e mulheres são diferentes.
O problema é que essas diferenças não são tão simples, são tendências, e não compartilhar dessas tendências nem de longe significa que há algo de "errado" com você.
Vamos a alguns esteriótipos.
Homem - gostar de coisas violentas, ser frio, brincadeiras físicas, reações energéticas, pulso firme, pouco sentimental, inflexível, estrategista, objetivo...
Mulher - delicada, sensível, adora um choro, gosta de falar de relacionamentos, branda, precisa ser protegida, mais frívola, entende melhor a mente de terceiros...
Graças aos céus, não se exige mais ter todas essas "qualidades". Mas, se você reparar, pelos menos uma delas tem que ter, se não as pessoas, e você mesmo, passa a se estranhar. E você não está totalmente livre, mesmo que tenha alguma, porque outras formas, ramos, de algumas dessas atitudes são exigidas. É aceitável que você seja uma mulher "independente", mas, uma hora ou outra, você ter uma "recaída", sentindo-se frágil e precisando de alguém, faz você mais mulher, como se ter essa recaída fosse algo de mulheres (não é, bem sabemos).
Não gostar de Barbie e brincar de carrinhos ou bonecos de ação é uma sina para a pobre menina. Não interessa os motivos, a lógica desse gosto, é uma "coisa de menino", portanto, é estranho. Familiares cochicham, pais se preocupam, e crianças fazem seus cruéis comentários impensados.
Mas será que isso é mesmo um índicio de homossexualidade? Ou só uma quebra de expectativa?
Será que fazer coisas ou pensar coisas que se supõe típicas do outro sexo significa o mesmo que homossexualidade?
Como saber um limite? Existe um limite?
E quando a confusão se consolida num sentimento? Quando não se sabe o que se sente ou o se pensa sobre isso? Qual é a influência dos conceitos da sociedade na consolidação? Como saber quando é uma construção da mente e quando é uma naturalidade?
Sinceramente, eu vejo um jogo psicológico enorme nisso. E como bem lhe caracteriza, complexo. Não faço a mínima idéia se existe uma solução formulária para isso. E creio que não, dada minha aversão a fórmulas e suas limitações.
O fato é que às vezes eu entendo essas confusões muito mais como uma contrução da sociedade do que algo fortemente individual. Você se questiona porque está fora de padrões, e quem dá os padrões é a sociedade.
O grande jogo, que dificilmente uma criança pensará, é se perguntar sobre desejo antes de se perguntar sobre os seus hábitos. E saber diferenciar desejo de afeição.
Mas imagine sentimentos que muitas vezes nem adultos conseguem definir sendo (ou tentando ser) identificados por crianças... Qual é a garantia disso?
Espero que esteja claro que quando falo 'criança', é uma referência de que a dúvida começa na infância, mas se sinta à vontade para considerar os adolescentes, com o mesmo potencial de dicernimento e que se perguntam só nessa faixa etária, sem antes, em sua inocência ou mesmo uma ignorância, ter se questionado.
Engraçado que acabei falando de homossexualidade, e não era minha intenção falar só disso. Eu queria falar de rótulos dados aos gêneros. Como no filme citado, em que a mulher desiste de sua briga histérica com seu amante porque este lhe propõe casamento, ela fica toda submissa e idiota, enquanto o cara fica na boa pinta, com seu intelecto malandro e charme dominador, algo muito frequente nos roteiros de filmes antigos (nota número 1: os roteiros dos clássicos são o que mais me atrai para eles, são inteligentes e sagazes, mas esse é um pequeno podre que dependendo do filme é irrelevante; Nota número 2: um dos motivos pelo qual gosto muito de Hitchcock, com seus roteiros geniais e suas inversões durante as tramas da personagem "altamente feminina" para uma "heróina admirável").
A questão é que se vende uma imagem para os sexos, e destoar muito dela é motivo de estranhamento.
No DVD do filme do Tim Burton sobre o Ed Wood, tem meio que uma reportagem sobre homens que gostam de se travestir. E, como Ed Wood, existem homens travestis que são heterossexuais. É muito bizarro pensar nisso num conceito social, porque o gostar de vestidos, maquiagens e roupas femininas é uma ligação direta que se faz com a homossexualidade. Quem se sente muito confuso com a lógica do pensamento de um travesti heterossexual ataca: deve ser gay enrustido.
Ou seja, não se pode gostar de roupas femininas e ser homem ao mesmo tempo. Por quê? Quem disse?
Cai-se numa rede louca de ponderações sobre gostos. Quem gosta de cemitérios é gótico. Quem usa tudo rosa é patricinha. Quem quer "dividir riquezas" é comunista (está acompanhando as acusações do McCain ao Obama para entender essa?)... É?
Se alguém te diz que achou interessante ver, segundo por segundo, uma velhinha desmaiar, o que você pensa? Cruel? Negligente? Assustador? E se você conhecer direito o racicínio de quem te disse isso? Saber que essa pessoa estava num ônibus e não podia fazer nada, saber que essa pessoa tem fascínio por momentos únicos, saber que ela não estava tendo um deleite com o fato de ser uma velhinha desmaiando, e sim com a chance, poderíamos dizer, plástica, de ver alguém num momento de desmaio? Muda de figura?
Bem sabem meus amigos que eu tenho horror a esteriótipos, mesmo porque, como os bons psicólogos que frequentam este blog devem ter presumido, já fui muito vítima deles e ainda sou. Sou vítima até mesmo dos esteriótipos que as pessoas poderíam considerar "bons", tais como a garota que volte-e-meia fala algo inteligente e vira gênio, ou a que sabe de um ou outro filme clássico e um pouquinho de história do cinema e vira perito em cinema. E, claro, os ruins, como a que hora ou outra defende atitudes severas (não importam as razões nem os fins) e vira uma extremista, uma radical, ou a que em certas situações é tímida e acaba virando uma tímida de carteirinha para todos os momentos.
O nó que se tem no julgamento dos gostos, não só no campo dos gêneros, como nos bilhões de tipos sociais é um grande problema. As pessoas falam sem saber, julgam sem medir, condenam os outros a fardos que às vezes eles nem têm.
Não se pode simplemente ser sem que alguém te encaixe em algum padrão. Não se pode bater muito próximo de certos padrões sem que se seja configurado neles.
Não quero me estender na importância de padrões, não a nego. Porém me enraivece a aplicação do padrão, algo genuinamente científico, nas relações do dia-a-dia e no entendimento que a sociedade faz do indivíduo. Se mesmo em termos científicos o padrão não é definido, está sujeito a tranformações e erros, o que dirá a definição de um indivíduo.
*"Açúcar, tempero e tudo que há de bom"*
1- O que está ouvindo? O ventilador do computador.
2- O que está lendo? Frankestein, de Mary Shalley, em sua língua original, no meio das trilhões de leitura para trabalhos universitários.
3- Último filme em DVD? O franco atirador, com o Robert de Niro e a Meryl Streep, que teve a primeira de suas 14 indicações ao oscar por ele. Faz parte da mesopotâmica jornada ensaiada por um amigo e eu de assistir todos os filmes que a Meryl foi indicada até o final do ano.
4- Último filme na tv? Tá que eu não vi inteiro porque estava muito tarde, mas Os pássaros de Hitchcock no TCM.
5- Reflexão do Dia: Cuidado com o que é, pois pode não ser.
ObS: Fiz esse post em dias diferentes, e creio que a mudança de tom é perceptível. Gostaria de lembrar que eu não ligo para o que pode parecer contradições, e que o teor livre e espontâneo é, portanto, algo pessoal.
Marcadores:
Diversidade,
Esteriótipos,
Gênero,
Homossexualidade,
Sociedade
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Quando as coisas viram retrô
Na minha aula de inglês passada, a discussão proposta era sobre objetos tecnológicos que no início de suas criações foram rejeitas por gente importante. O dono da Warner Bros, em 1927, comentando que as pessoas não queriam ouvir os atores falando, em referência ao cinema falado. O gerente da IBM, em 1943, ironizando que no mercado só haveria espaço para talvez 5 computadores. Algum jornalista do New York Times, em 1939, falando que a televisão não substituiria o rádio, porque ela exigia que as pessoas mantivessem seus olhos na tela...
A discussão foi divertida, se você me perguntar, e depois evoluiu para a história do cinema, e de Hollywood. Mas para este blog (porque ela também me rendeu outra idéia que talvez eu aplique no Camaleão de Armário) vou me reter a um pensamento que eu tive, e que foi alimentado por aquele vídeo do McCain que comentei, uma reportagem na Superinteressante sobre a neo-Ku-klux-klan e um artigo sobre um livro com cartas em que José de Alencar mostra apoio a escravidão, além do debate de ontem entre os presidenciáveis americanos e uma pequena parte de um filme que vi recentemente (Invasores, com a Nicole Kidman e o Daniel Craig, na cena do jantar, se você está interessado).
O retrô do título é muito menos sobre modas, e mais sobre pensamentos, embora eles estejam ligados,e , portanto, sim, modas estão dentro da discussão.
Para ser mais clara, permita-me usar um exemplo clichê: a mulherada vai gradativamente se rebelando sobre sua posiçaõ na sociedade, e à medida que ela queria igualdade em direitos, ela foi criando liberdade para se vestir de maneira mais prática, ou como homens, se preferir. Além disso, como moda não é só roupa, o crescimento desse pensamento libertário tornou a idéia popular, algo que consolidou o movimento como uma tendência, como uma coisa revolucionária, e que a situação não seria mais como antes. Se um pensamento se populariza, ele ganha expressão, que dificilmente se reverterá. O máximo que acontecerá é que as idéias velhas permaneçam, mas dificilmente serão a maioria novamente.
Não sei como é para vocês, mas eu sinto uma frustaração quando algo que em parece muito óbvio se torna centro de uma discussão que gasta várias palavras, mas acaba ficando na mesma, e essa mesma significa que as pessoas que pensavam coisas que eu considero absurdo continuam crendo em seus absurdos.
Algo que com certeza aconteceria se eu encontrasse um desses neo-Ku-Klunx-Klan. Eles querem tirar mulheres de cargos importantes e aplicar restrições aos negros em pleno século XXI. Eles têm um partido independente nos EUA (sim, o sistema lá não impede outros partidos, mas, como você pode presumir, não têm expressão nenhuma) para defender suas idéias. Imagino como seria se eles tivessem um presidenciável, e ele fosse convidado para um debate. Se eu já fico horrorizada com o McCain falando que precisa perfurar o oeste americano para resolver o problema energético deles, imagina se me sobraria cabelos ouvindo um cara desses falar...
No filme que vi, a personagem da Nicole Kidman está discutindo com um russo sobre a natureza humana, e o russo é bem pessimista. Ela fala sobre a evolução de consciência, e que os humanos não são os mesmo de cinco séculos atrás, que estão melhores, e que ela acredita que a tendência seja o aperfeiçoamento, num processo lento. Ela basicamente falou o que penso. Não somos os mesmos, e isso é bom. Não é um desprezo ao passado, sem ele não seriamos o que somos hoje, para bem ou para o mal. No caso do assunto de hoje, julgo que é para o bem.
Agora, tende-se a pensar duas vezes antes de fazer uma guerra. Legalmente, todo humano é igual. Genocídios são condenados no senso popular. Temos uma organização mundial, que não é perfeita, mas que une os países para discussões e ajudas.
Nada disso funciona 100%, mas só de tentar, só de haver regras, só de ter quem reprima, só de ser um senso da maioria, é uma evolução. Isso tudo é muito gradativo. Claro que há recaídas, e eles costumam ser medonhas, como o EUA que atacou o Iraque sem permissão da ONU. Mas eu acredito que eles terão troco. Na verdade, eu já vejo o troco. Suas políticias externas são impopulares, poucos confiam neles, o Iraque é um caos e eles não têm controle total, as suas desculpas foram desmascaradas e só alguém muito iludido para não associar o petróleo a coisa toda... E pode haver coisas piores, que não quero imaginar.
O que quero dizer é que eu vejo desenvolvimento, mas desenvolvimento não significa ruptura com pensamentos antigos. Eles resistem, eles ainda agem, ainda fazem estragos, ainda cativam pessoas. Mas eu sonho com um dia, que talvez eu não veja, em que certas coisas nunca mais serão ditas.
O problema é mesmo para quem concorda com o que nós poderíamos chamar de pensamentos "desenvolvidos", há linhas tênues de diferença. Lembrando dos ditos da Revolução Francesa: Liberdade, o que é? Igualdade, o que é? Fraternidade, o que é?
Aí também se instauram diferenças que podem ser graves. Liberdade é deixar todo mundo fazer o que quiser? Igualdade é tratar todo mundo do mesmo jeito? Até que ponto isso é bom? Fraternidade é pensamento coletivo? Quem está de acordo?
Interpretações bizarras sobre isso causaram cortes de cabeça, queima de livros, festa no mercado especulativo com dinheiro do contribuinte...
Não vou me estender nas minhas definições sobre cada um, mas espero que você tenha captado meu ponto. O que parece bonito pode ser na prática algo grotesco, ou ineficiente, ou repressivo, ou estúpido...
Bom, visualizando isso tudo, fica uma pergunta: como saber o que é "retrô"?
Eu vejo como algo que é inferior a uma idéia melhor, mais condizente com valores atuais. O problema para mim está em dizer o que significa "idéia melhor" e "valores atuais" com essa pluralidade de pensamentos. Está tudo relacionado com minhas visões de mundo, como sempre.
Para mim, é retrô falar em diferença de "raças". É todo mundo homo sapiens sapiens, e o que talvez diferencie são circunstâncias do meios e algumas variedade genéticas que não estão restritas a "raças".
Para mim, é retrô falar em serviço de gêneros. Homens e mulheres de fato não são iguais, mas não existe tarefa que um deles não possa fazer. Tendencialmente, existe um jeito diferente de executá-las para cada um, mas não significa que isso os impede de fazer.
Para mim, é retrô falar em repressão aos homossexuais. Eles não escolheram, sua condição não os diminui como seres humanos, eles têm direito de amar quem quiserem. A simples repressão do amor é uma agressão. Anti-natural é impedir os sentimentos homossexuais, não a homossexualidade. E não me venha com Biblia, primeiro porque os estados ocidentais são laicos, segundo, não está escritos explicitamente algo contra homossexuais, logo, mil interpretações podem ser ditas, terceiro, ela defende o amor, reprimir amor é anti-cristão.
Para mim, é retrô falar de crescimento industrial sem se preocupar com o meio ambiente. Emissão de CO2 adoidado, lixo nos rios, queimadas em nome do progesso, duvidar que o efeito estufa tenha como principal culpado o humano... Tudo isso é ridículo. Já temos provas empíricas demais para continuar não se importando com os danos à natureza. É o governador do Mato Grosso defendendo que a produção de soja é mais importante do que a "mata" (Amazônia), é a Dilma Roussef criticando a Marina Silva porque as restrições aos agricultores "impediam o progresso", é a chapa McCain/Palin defendo mais queima de fósseis como fonte de energia.
Vai ter uma hora em que o óbvio (meu óbvio) será maioria, espero. Hoje estou mais ousada. Não estou tomando cuidado para não parecer arrogante ou prepotente. Esse assunto me cansa, me entristece, me deixa frustrada. Estou pouco me importando se alguém concorda ou não. Retrô é o que condiciona os outros aos dogmas de um outro grupo, sendo que teoricamente a vida desses "outros" deveria depender apenas deles, como os homossexuais ou as grávidas que querem abortar. Retrô é cair na agressividade sem a devida reflexão e a discussão elegante. Retrô é sustentar julgamentos por aparência. Retrô é reprimir o que não pode ser reprimido. Retrô é fazer predições que ignoram capacidade de transformação. Retrô é tentar impor algo a alguém sem as devidas razões. Retrô é associar identidade com insígnias materiais. Retrô é tudo ignora a força do livre-arbítrio.
Todas as coisas que se encaixam nisso irão cair algum dia.
Sei que esse post talvez tenha sido a coisa mais inútil de todo blog. Possivelmente, não diz nada se você não concorda. E mesmo quem concorda diz "Tá. E...?". Essencialmente, minha intenção é que se reflita, em todas as idéias de cada um que lê ou do mundo ao redor de quem lê, sobre o potencial de alguma opinião ser perecível, o tipo de influência que ela tem, o que dentro de seu contexto a leva a ser daquele jeito, e como e porquê ela poderia ser diferente. Analisar se ela pode ser retrô, ou tem chances de ser. Foi o que nós fizemos na aula de inglês, mas é muito mais fácil falar de tecnologia do que ideologia.
*Entusiamo programado*
1. Música? El Paso - Marty Robbins. Country dos bons.
2. Último DVD? A espiã, filme alemão/holandês, durante a segunda guerra. Visão pessimista da humanidade, mas não é manequeísta.
3. Ultimo filme na Tv? Paradise Now, acho que pauistanês. Homem-bomba que tem seus planos frustrados. Olhar interessante. Concorreu ao Oscar, se não me engano.
4. Onde deveria ter ido? À faculdade, mas estou enjoada, com dor de cabeça, mal-humor, está chovendo e minha professora é meio canastrona...
5. Reflexão do dia: Não espera para repensar a vida quando fizer besteira.
Ps: Eu provavelmente me arrependerei deste post, já que eu não tomei os devidos cuidados com as construções de frase e não quis me estender para esclarecer melhor. Considere apenas o último parágrafo e esqueça o resto, já que seus buracos podem causar terrível mal entendido. Ele só está aqui porque quis me expressar.
A discussão foi divertida, se você me perguntar, e depois evoluiu para a história do cinema, e de Hollywood. Mas para este blog (porque ela também me rendeu outra idéia que talvez eu aplique no Camaleão de Armário) vou me reter a um pensamento que eu tive, e que foi alimentado por aquele vídeo do McCain que comentei, uma reportagem na Superinteressante sobre a neo-Ku-klux-klan e um artigo sobre um livro com cartas em que José de Alencar mostra apoio a escravidão, além do debate de ontem entre os presidenciáveis americanos e uma pequena parte de um filme que vi recentemente (Invasores, com a Nicole Kidman e o Daniel Craig, na cena do jantar, se você está interessado).
O retrô do título é muito menos sobre modas, e mais sobre pensamentos, embora eles estejam ligados,e , portanto, sim, modas estão dentro da discussão.
Para ser mais clara, permita-me usar um exemplo clichê: a mulherada vai gradativamente se rebelando sobre sua posiçaõ na sociedade, e à medida que ela queria igualdade em direitos, ela foi criando liberdade para se vestir de maneira mais prática, ou como homens, se preferir. Além disso, como moda não é só roupa, o crescimento desse pensamento libertário tornou a idéia popular, algo que consolidou o movimento como uma tendência, como uma coisa revolucionária, e que a situação não seria mais como antes. Se um pensamento se populariza, ele ganha expressão, que dificilmente se reverterá. O máximo que acontecerá é que as idéias velhas permaneçam, mas dificilmente serão a maioria novamente.
Não sei como é para vocês, mas eu sinto uma frustaração quando algo que em parece muito óbvio se torna centro de uma discussão que gasta várias palavras, mas acaba ficando na mesma, e essa mesma significa que as pessoas que pensavam coisas que eu considero absurdo continuam crendo em seus absurdos.
Algo que com certeza aconteceria se eu encontrasse um desses neo-Ku-Klunx-Klan. Eles querem tirar mulheres de cargos importantes e aplicar restrições aos negros em pleno século XXI. Eles têm um partido independente nos EUA (sim, o sistema lá não impede outros partidos, mas, como você pode presumir, não têm expressão nenhuma) para defender suas idéias. Imagino como seria se eles tivessem um presidenciável, e ele fosse convidado para um debate. Se eu já fico horrorizada com o McCain falando que precisa perfurar o oeste americano para resolver o problema energético deles, imagina se me sobraria cabelos ouvindo um cara desses falar...
No filme que vi, a personagem da Nicole Kidman está discutindo com um russo sobre a natureza humana, e o russo é bem pessimista. Ela fala sobre a evolução de consciência, e que os humanos não são os mesmo de cinco séculos atrás, que estão melhores, e que ela acredita que a tendência seja o aperfeiçoamento, num processo lento. Ela basicamente falou o que penso. Não somos os mesmos, e isso é bom. Não é um desprezo ao passado, sem ele não seriamos o que somos hoje, para bem ou para o mal. No caso do assunto de hoje, julgo que é para o bem.
Agora, tende-se a pensar duas vezes antes de fazer uma guerra. Legalmente, todo humano é igual. Genocídios são condenados no senso popular. Temos uma organização mundial, que não é perfeita, mas que une os países para discussões e ajudas.
Nada disso funciona 100%, mas só de tentar, só de haver regras, só de ter quem reprima, só de ser um senso da maioria, é uma evolução. Isso tudo é muito gradativo. Claro que há recaídas, e eles costumam ser medonhas, como o EUA que atacou o Iraque sem permissão da ONU. Mas eu acredito que eles terão troco. Na verdade, eu já vejo o troco. Suas políticias externas são impopulares, poucos confiam neles, o Iraque é um caos e eles não têm controle total, as suas desculpas foram desmascaradas e só alguém muito iludido para não associar o petróleo a coisa toda... E pode haver coisas piores, que não quero imaginar.
O que quero dizer é que eu vejo desenvolvimento, mas desenvolvimento não significa ruptura com pensamentos antigos. Eles resistem, eles ainda agem, ainda fazem estragos, ainda cativam pessoas. Mas eu sonho com um dia, que talvez eu não veja, em que certas coisas nunca mais serão ditas.
O problema é mesmo para quem concorda com o que nós poderíamos chamar de pensamentos "desenvolvidos", há linhas tênues de diferença. Lembrando dos ditos da Revolução Francesa: Liberdade, o que é? Igualdade, o que é? Fraternidade, o que é?
Aí também se instauram diferenças que podem ser graves. Liberdade é deixar todo mundo fazer o que quiser? Igualdade é tratar todo mundo do mesmo jeito? Até que ponto isso é bom? Fraternidade é pensamento coletivo? Quem está de acordo?
Interpretações bizarras sobre isso causaram cortes de cabeça, queima de livros, festa no mercado especulativo com dinheiro do contribuinte...
Não vou me estender nas minhas definições sobre cada um, mas espero que você tenha captado meu ponto. O que parece bonito pode ser na prática algo grotesco, ou ineficiente, ou repressivo, ou estúpido...
Bom, visualizando isso tudo, fica uma pergunta: como saber o que é "retrô"?
Eu vejo como algo que é inferior a uma idéia melhor, mais condizente com valores atuais. O problema para mim está em dizer o que significa "idéia melhor" e "valores atuais" com essa pluralidade de pensamentos. Está tudo relacionado com minhas visões de mundo, como sempre.
Para mim, é retrô falar em diferença de "raças". É todo mundo homo sapiens sapiens, e o que talvez diferencie são circunstâncias do meios e algumas variedade genéticas que não estão restritas a "raças".
Para mim, é retrô falar em serviço de gêneros. Homens e mulheres de fato não são iguais, mas não existe tarefa que um deles não possa fazer. Tendencialmente, existe um jeito diferente de executá-las para cada um, mas não significa que isso os impede de fazer.
Para mim, é retrô falar em repressão aos homossexuais. Eles não escolheram, sua condição não os diminui como seres humanos, eles têm direito de amar quem quiserem. A simples repressão do amor é uma agressão. Anti-natural é impedir os sentimentos homossexuais, não a homossexualidade. E não me venha com Biblia, primeiro porque os estados ocidentais são laicos, segundo, não está escritos explicitamente algo contra homossexuais, logo, mil interpretações podem ser ditas, terceiro, ela defende o amor, reprimir amor é anti-cristão.
Para mim, é retrô falar de crescimento industrial sem se preocupar com o meio ambiente. Emissão de CO2 adoidado, lixo nos rios, queimadas em nome do progesso, duvidar que o efeito estufa tenha como principal culpado o humano... Tudo isso é ridículo. Já temos provas empíricas demais para continuar não se importando com os danos à natureza. É o governador do Mato Grosso defendendo que a produção de soja é mais importante do que a "mata" (Amazônia), é a Dilma Roussef criticando a Marina Silva porque as restrições aos agricultores "impediam o progresso", é a chapa McCain/Palin defendo mais queima de fósseis como fonte de energia.
Vai ter uma hora em que o óbvio (meu óbvio) será maioria, espero. Hoje estou mais ousada. Não estou tomando cuidado para não parecer arrogante ou prepotente. Esse assunto me cansa, me entristece, me deixa frustrada. Estou pouco me importando se alguém concorda ou não. Retrô é o que condiciona os outros aos dogmas de um outro grupo, sendo que teoricamente a vida desses "outros" deveria depender apenas deles, como os homossexuais ou as grávidas que querem abortar. Retrô é cair na agressividade sem a devida reflexão e a discussão elegante. Retrô é sustentar julgamentos por aparência. Retrô é reprimir o que não pode ser reprimido. Retrô é fazer predições que ignoram capacidade de transformação. Retrô é tentar impor algo a alguém sem as devidas razões. Retrô é associar identidade com insígnias materiais. Retrô é tudo ignora a força do livre-arbítrio.
Todas as coisas que se encaixam nisso irão cair algum dia.
Sei que esse post talvez tenha sido a coisa mais inútil de todo blog. Possivelmente, não diz nada se você não concorda. E mesmo quem concorda diz "Tá. E...?". Essencialmente, minha intenção é que se reflita, em todas as idéias de cada um que lê ou do mundo ao redor de quem lê, sobre o potencial de alguma opinião ser perecível, o tipo de influência que ela tem, o que dentro de seu contexto a leva a ser daquele jeito, e como e porquê ela poderia ser diferente. Analisar se ela pode ser retrô, ou tem chances de ser. Foi o que nós fizemos na aula de inglês, mas é muito mais fácil falar de tecnologia do que ideologia.
*Entusiamo programado*
1. Música? El Paso - Marty Robbins. Country dos bons.
2. Último DVD? A espiã, filme alemão/holandês, durante a segunda guerra. Visão pessimista da humanidade, mas não é manequeísta.
3. Ultimo filme na Tv? Paradise Now, acho que pauistanês. Homem-bomba que tem seus planos frustrados. Olhar interessante. Concorreu ao Oscar, se não me engano.
4. Onde deveria ter ido? À faculdade, mas estou enjoada, com dor de cabeça, mal-humor, está chovendo e minha professora é meio canastrona...
5. Reflexão do dia: Não espera para repensar a vida quando fizer besteira.
Ps: Eu provavelmente me arrependerei deste post, já que eu não tomei os devidos cuidados com as construções de frase e não quis me estender para esclarecer melhor. Considere apenas o último parágrafo e esqueça o resto, já que seus buracos podem causar terrível mal entendido. Ele só está aqui porque quis me expressar.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Como ler um jornal
Mais um post presunçoso para a coleção.
Quem sou eu para falar em "Como ler um jornal"?
Bom, aos que leram "a farsa da intelectualidade" e me acharam muito... sei lá... hipócrita, limitada... Qualquer coisa dessas... Nem leia esse. E devo dizer que não discordo tanto dessa opinião... Talvez dissesse com outras palavras.
"Hipócrita" eu chamaria de "relapsa" por não ressaltar momentos em que se acha que a intelectualização vem implicita, ou seja, quando algo aparentemente pede-se por uma reflexão numa obra, como Guernica, por exemplo, ou quando o popular é grudento, mal-feito e brega não-intencionalmente, e por isso causa aversão, ou seja, quando o popular não tem nenhum mérito ( e fica a pergunta no ar sobre gostos e méritos).
"Limitada" eu chamaria de... Limitada. De fato. Eu não devo ter visto nem um terço do que se pode ver e ouvir de um intelectual blasé. Mas como já estão se repetindo experiências, ao menos um pouco de visão eu tenho. E, sinceramente...? De besteiras a internet está cheia. Minha inexperiência é reconhecida, e eu não espero que ninguém leia nada aqui como a verdade absoluta. Portanto, me sinto livre para falar o que quiser. O filtro fica por sua conta. Aliás, isso tem a ver com o assunto de hoje...
Eu tenho muitos amigos que não têm o hábito de ler jornal. Por n motivos. Seja porque os pais não assinam, ou porque não criaram o hábito, ou porque não gostam mesmo.
Eu não tenho nenhuma fórmula mágica para eles. Adoraria ter, porque hoje em dia é tão importante... Mas creio que depende apenas de uma vontade própria. E não é uma vontadizinha...
Vontadizinhas não criam disciplina. É uma verdadeira percepção da necessidade. E a necessidade, o que é?
Algumas coisas sobre necessidade são muito pessoais minhas ( e de muita gente). Eu tenho necessidade de não parecer fora do mundo. Se eu não sei o que se passa no meu presente ao redor do mundo ou do país, eu me sinto envergonhada. Particularmente, tenho horror a parecer ignorante (embora seja em MUITA coisa). Além do mais, saber as notícias do presente são uma forma de deixar as conversas do dia-a-dia atualizadas. É melhor do que falar da vida dos outros, ou estancar no papo de escola/faculdade/trabalho.
Eu também gosto de ser fonte de informação. Às vezes alguém não está entendendo muito o que está acontecendo e só sabe por cima, e é muito gostoso explicar, ainda mais porque leio diariamente, e acompanhei a evolução da coisa.
Uma necessidade que não é pessoal e é importantíssima é que a leitura diária permite você acompanhar o tom das coisas, ou pescar informações que não serão lembradas e fazem toda diferença na sua compreensão sobre aquilo. Um bom exemplo recente disso foi a invasão russa á Ossétia do Sul. No dia seguinte à invasão, a Folha explicou um pouco do que aconteceu. Menos de uma semana da invasão a Russia e a Geórgia tinham feito um acordo sobre a segurança os cidadãos russos que estão na Ossétia. E logo depois a Geórgia invadiu militarmente o território ossetiano, contrariando o acordo. Mas o Mikhail Saakashvili, presidente georgiano, não estava contando com a força russa preparada, que contra-atacou muito mais rápido e agressivamente do que o imbecil jamais imaginaria.
Não estou defendendo a Russia, que assustadoramente desrespeitosa ignorou os acordos que ela fez com a ONU e a União Européia para retirada. Mas poucas vezes depois vi alguém falando que a guerra começara pela Georgia. Os americanos articularam e jogaram toda culpa na Russia, e pelo jeito os jornais Ocidentais compraram o pensamento. Fiquei feliz quando o Obama, o candidato democrata, falou de uma repreensão aos dois. Ele não ignorou que a Geórgia começou. Mas a mídia caiu em cima, porque inimigo para os EUA é só país que não está aos seus serviços, e ele acabou se voltando para críticas à Russia.
Não prestar atenção te faz uma grande marionete da mídia.
Ainda sobre necessidades, jornal permite que o acúmulo de informação se torne uma arma de crédito e qualidade para sua argumentação em muitos assuntos, não necessariamente ligados a reportagem direta do jornal. Citar algo do presente traz familiarização. Falar do acelerador de particulas para falar de coisas assustadoras que a ciência faz, ou dos Nardoni na hora de falar em limites da exposição de crianças a assuntos cabeludos que saem na mídia, fica muito mais interessante.
Tem muitas vantagens, estou com preguiça de inumerar todas porque não era essa a intenção do post.
Ao mesmo tempo que ler jornal é importante, deve-se tomar muito cuidado com o que se lê.
Jornal foi feito por gente que tem sua própria mente, e quando não está sob sua mente, está sob a mente dos dirigentes do jornal.
Cada palavra escolhida tem uma intenção, cada construção de frase pretende te passar algo. E nem sempre (quase nunca) busca-se uma imparcialidade no que é dito.
Eu nem de longe sou partidária da Marta Suplicy, mas outro dia, na capa da Folha, eles colocaram uma machete parecida com essa: "Metrô deixa de ser promessa para Marta". E depois, na página onde tinha a noticia inteira, eles explicam melhor: A extensão do metrô não é algo garantido porque depende do governo do estado. Para quem não sabe, isso é óbvio. O metrô está sobre controle do estado de São Paulo, o máximo que o prefeito da capital pode fazer é pressão para que seus projetos sejam aceitos. O jornal se aproveitou que ela esclareceu isso e fez com que a declaração dela parecesse uma incompetência. Sujo? Muito sujo.
Mas quem é um bom leitor da Folha sabe que eles não gostam nem um pouquinho do PT, e não medem parcialidade para falar deles. Você percebe pelos destaques a algumas coisas e até mesmo o tom com que são escritas as reportagens. Eles têm todos os motivos para não gostar do PT, mas, como jornal respeitado, a Folha é um meio de comunicação que deveria prezar pelo justo. Tem sujeira, pode, DEVE falar. Mas fale de TODAS as sujeitas.
Quem lê só a capa fica com uma impressão errada do que está acontecendo. E esse ao menos é um meio fácil de encontrar manipulação, pior quando sua única fonte de informação sobre o assunto é o jornal. É muito difícil saber o que é verdade e o que está distorcido. Às vezes você só pode contar com a sua memória (ou com a dos seus familiares e amigos, se for algo que você não sabe). Ou a partir para informações adicionais na internet, que é a coisa mais anárquica e livre que já se pôde inventar. Você encontra mídia independente (geralmente são todas de esquerda e inexpressivas, muito alternativas, mas ao menos são outros pontos de vistas que você pode fundir com o que você leu na mídia de massa e encontrar uma média própria sobre o assunto), blogs (oi!), vídeos, sites sobre o assunto...
Dificilmente você encontrará algo imparcial, mas ver os vários lados permite que você tenha sua própria opinião. E permite que você seja bem mais informado.
Eu sei bem que é muito dificil você se interessar tanto por um assunto a ponto de ler muito a mais sobre ele.
Mas a grande recomendação é que seja lá o que você ler, não tome como verdade, desconfie. Até mesmo o que parece tão certo pode ter uma informação escondida que muda todo o ponto de vista sobre o assunto.
Tome cuidado não só com os textos, mas com as fotos. A Folha adora fazer isso. As fotos querem passar uma mensagem. Às vezes são engraçadinhas, artísticas, assustadoras. Outras vezes são puramente manipuladoras. Políticos fazendo cara de safados, cansados de um discurso que devia ser importante, rindo numa noticia que deveria ser triste... Esse tipo de coisa. Para não me ater só à política, muçulmanos com caras furiosas segurando armas. Sempre. A não ser quando é para falar de morte, quando as fotos entristecedoras. Mães jogadas, chorando a morte de seus filhos. Crianças ensanguentadas, sem braço, perdidas.
A exposição a uma noção repetida, uma informação, ou várias informações que contem uma mesma noção, é o melhor jeito de cair na rede mídia. O que você pensa sobre o Oriente Médio? Ou da Russia? Ou do nosso governo?
O quanto isso tem a ver com o que você lê? O quanto isso tem a ver com a verdade?
É muito difícil escapar da rede. E nem sempre a rede está errada. Mas eu aposto minha perna que ela nunca estará 100% certa. Ela está sempre cheia de interesses. Alguns apenas do jornal, outras de governos, ou de empresas. Resta-nos a difícil tarefa de filtrar. Não acredite em tudo o que lê.
*EEEEEEE*
1. Último filme no cinema? Ao entardecer, com a Meryl Streep e sua filha no elenco. Lindo filme. Drama feminino, talvez, apesar de o tema principal ser razões da vida. No mesmo dia eu vi o documentário Mistérios do Samba, conduzido pela Marisa Monte, sobre a velha guarda da Portela. Cativante, para quem gosta de samba de raiz.
2. Último filme em DvD? Orgulho e Preconceito, com a Keira Knightly. Outro lindo filme (palmas para a trilha sonora! E o elenco masculino também... XD), mais drama feminino ainda, porque esse é puro amor. Não que homens não possam gostar, mas é uma tendência...
3. Que livro está lendo? Milhares para trabalhos trabalhosos, mas um em particular apenas para aprofundamento: A Manilha e o Libambo - Alberto Costa e Silva, africanista.
4. Último vídeo no Youtube? O McCain na Ellen, falando sobre casamento gay. Admiro a coerência e coragem dele de manter suas posições num ambiente que é hostil a elas, mas que são posições ultrapassadas, isso são. Acabei vendo esse porque vi a entrevista do Obama com ela (esse é um pedaço dela, não acho inteira em um vídeo só), muito mais divertida, de fato.
5. Reflexão do Dia: Estamos todo dia sujeitos às opiniões dos outros. Ouça, leia e faça a sua própria. É um favor a você mesmo. Tenha em mente que nada é simples.
Quem sou eu para falar em "Como ler um jornal"?
Bom, aos que leram "a farsa da intelectualidade" e me acharam muito... sei lá... hipócrita, limitada... Qualquer coisa dessas... Nem leia esse. E devo dizer que não discordo tanto dessa opinião... Talvez dissesse com outras palavras.
"Hipócrita" eu chamaria de "relapsa" por não ressaltar momentos em que se acha que a intelectualização vem implicita, ou seja, quando algo aparentemente pede-se por uma reflexão numa obra, como Guernica, por exemplo, ou quando o popular é grudento, mal-feito e brega não-intencionalmente, e por isso causa aversão, ou seja, quando o popular não tem nenhum mérito ( e fica a pergunta no ar sobre gostos e méritos).
"Limitada" eu chamaria de... Limitada. De fato. Eu não devo ter visto nem um terço do que se pode ver e ouvir de um intelectual blasé. Mas como já estão se repetindo experiências, ao menos um pouco de visão eu tenho. E, sinceramente...? De besteiras a internet está cheia. Minha inexperiência é reconhecida, e eu não espero que ninguém leia nada aqui como a verdade absoluta. Portanto, me sinto livre para falar o que quiser. O filtro fica por sua conta. Aliás, isso tem a ver com o assunto de hoje...
Eu tenho muitos amigos que não têm o hábito de ler jornal. Por n motivos. Seja porque os pais não assinam, ou porque não criaram o hábito, ou porque não gostam mesmo.
Eu não tenho nenhuma fórmula mágica para eles. Adoraria ter, porque hoje em dia é tão importante... Mas creio que depende apenas de uma vontade própria. E não é uma vontadizinha...
Vontadizinhas não criam disciplina. É uma verdadeira percepção da necessidade. E a necessidade, o que é?
Algumas coisas sobre necessidade são muito pessoais minhas ( e de muita gente). Eu tenho necessidade de não parecer fora do mundo. Se eu não sei o que se passa no meu presente ao redor do mundo ou do país, eu me sinto envergonhada. Particularmente, tenho horror a parecer ignorante (embora seja em MUITA coisa). Além do mais, saber as notícias do presente são uma forma de deixar as conversas do dia-a-dia atualizadas. É melhor do que falar da vida dos outros, ou estancar no papo de escola/faculdade/trabalho.
Eu também gosto de ser fonte de informação. Às vezes alguém não está entendendo muito o que está acontecendo e só sabe por cima, e é muito gostoso explicar, ainda mais porque leio diariamente, e acompanhei a evolução da coisa.
Uma necessidade que não é pessoal e é importantíssima é que a leitura diária permite você acompanhar o tom das coisas, ou pescar informações que não serão lembradas e fazem toda diferença na sua compreensão sobre aquilo. Um bom exemplo recente disso foi a invasão russa á Ossétia do Sul. No dia seguinte à invasão, a Folha explicou um pouco do que aconteceu. Menos de uma semana da invasão a Russia e a Geórgia tinham feito um acordo sobre a segurança os cidadãos russos que estão na Ossétia. E logo depois a Geórgia invadiu militarmente o território ossetiano, contrariando o acordo. Mas o Mikhail Saakashvili, presidente georgiano, não estava contando com a força russa preparada, que contra-atacou muito mais rápido e agressivamente do que o imbecil jamais imaginaria.
Não estou defendendo a Russia, que assustadoramente desrespeitosa ignorou os acordos que ela fez com a ONU e a União Européia para retirada. Mas poucas vezes depois vi alguém falando que a guerra começara pela Georgia. Os americanos articularam e jogaram toda culpa na Russia, e pelo jeito os jornais Ocidentais compraram o pensamento. Fiquei feliz quando o Obama, o candidato democrata, falou de uma repreensão aos dois. Ele não ignorou que a Geórgia começou. Mas a mídia caiu em cima, porque inimigo para os EUA é só país que não está aos seus serviços, e ele acabou se voltando para críticas à Russia.
Não prestar atenção te faz uma grande marionete da mídia.
Ainda sobre necessidades, jornal permite que o acúmulo de informação se torne uma arma de crédito e qualidade para sua argumentação em muitos assuntos, não necessariamente ligados a reportagem direta do jornal. Citar algo do presente traz familiarização. Falar do acelerador de particulas para falar de coisas assustadoras que a ciência faz, ou dos Nardoni na hora de falar em limites da exposição de crianças a assuntos cabeludos que saem na mídia, fica muito mais interessante.
Tem muitas vantagens, estou com preguiça de inumerar todas porque não era essa a intenção do post.
Ao mesmo tempo que ler jornal é importante, deve-se tomar muito cuidado com o que se lê.
Jornal foi feito por gente que tem sua própria mente, e quando não está sob sua mente, está sob a mente dos dirigentes do jornal.
Cada palavra escolhida tem uma intenção, cada construção de frase pretende te passar algo. E nem sempre (quase nunca) busca-se uma imparcialidade no que é dito.
Eu nem de longe sou partidária da Marta Suplicy, mas outro dia, na capa da Folha, eles colocaram uma machete parecida com essa: "Metrô deixa de ser promessa para Marta". E depois, na página onde tinha a noticia inteira, eles explicam melhor: A extensão do metrô não é algo garantido porque depende do governo do estado. Para quem não sabe, isso é óbvio. O metrô está sobre controle do estado de São Paulo, o máximo que o prefeito da capital pode fazer é pressão para que seus projetos sejam aceitos. O jornal se aproveitou que ela esclareceu isso e fez com que a declaração dela parecesse uma incompetência. Sujo? Muito sujo.
Mas quem é um bom leitor da Folha sabe que eles não gostam nem um pouquinho do PT, e não medem parcialidade para falar deles. Você percebe pelos destaques a algumas coisas e até mesmo o tom com que são escritas as reportagens. Eles têm todos os motivos para não gostar do PT, mas, como jornal respeitado, a Folha é um meio de comunicação que deveria prezar pelo justo. Tem sujeira, pode, DEVE falar. Mas fale de TODAS as sujeitas.
Quem lê só a capa fica com uma impressão errada do que está acontecendo. E esse ao menos é um meio fácil de encontrar manipulação, pior quando sua única fonte de informação sobre o assunto é o jornal. É muito difícil saber o que é verdade e o que está distorcido. Às vezes você só pode contar com a sua memória (ou com a dos seus familiares e amigos, se for algo que você não sabe). Ou a partir para informações adicionais na internet, que é a coisa mais anárquica e livre que já se pôde inventar. Você encontra mídia independente (geralmente são todas de esquerda e inexpressivas, muito alternativas, mas ao menos são outros pontos de vistas que você pode fundir com o que você leu na mídia de massa e encontrar uma média própria sobre o assunto), blogs (oi!), vídeos, sites sobre o assunto...
Dificilmente você encontrará algo imparcial, mas ver os vários lados permite que você tenha sua própria opinião. E permite que você seja bem mais informado.
Eu sei bem que é muito dificil você se interessar tanto por um assunto a ponto de ler muito a mais sobre ele.
Mas a grande recomendação é que seja lá o que você ler, não tome como verdade, desconfie. Até mesmo o que parece tão certo pode ter uma informação escondida que muda todo o ponto de vista sobre o assunto.
Tome cuidado não só com os textos, mas com as fotos. A Folha adora fazer isso. As fotos querem passar uma mensagem. Às vezes são engraçadinhas, artísticas, assustadoras. Outras vezes são puramente manipuladoras. Políticos fazendo cara de safados, cansados de um discurso que devia ser importante, rindo numa noticia que deveria ser triste... Esse tipo de coisa. Para não me ater só à política, muçulmanos com caras furiosas segurando armas. Sempre. A não ser quando é para falar de morte, quando as fotos entristecedoras. Mães jogadas, chorando a morte de seus filhos. Crianças ensanguentadas, sem braço, perdidas.
A exposição a uma noção repetida, uma informação, ou várias informações que contem uma mesma noção, é o melhor jeito de cair na rede mídia. O que você pensa sobre o Oriente Médio? Ou da Russia? Ou do nosso governo?
O quanto isso tem a ver com o que você lê? O quanto isso tem a ver com a verdade?
É muito difícil escapar da rede. E nem sempre a rede está errada. Mas eu aposto minha perna que ela nunca estará 100% certa. Ela está sempre cheia de interesses. Alguns apenas do jornal, outras de governos, ou de empresas. Resta-nos a difícil tarefa de filtrar. Não acredite em tudo o que lê.
*EEEEEEE*
1. Último filme no cinema? Ao entardecer, com a Meryl Streep e sua filha no elenco. Lindo filme. Drama feminino, talvez, apesar de o tema principal ser razões da vida. No mesmo dia eu vi o documentário Mistérios do Samba, conduzido pela Marisa Monte, sobre a velha guarda da Portela. Cativante, para quem gosta de samba de raiz.
2. Último filme em DvD? Orgulho e Preconceito, com a Keira Knightly. Outro lindo filme (palmas para a trilha sonora! E o elenco masculino também... XD), mais drama feminino ainda, porque esse é puro amor. Não que homens não possam gostar, mas é uma tendência...
3. Que livro está lendo? Milhares para trabalhos trabalhosos, mas um em particular apenas para aprofundamento: A Manilha e o Libambo - Alberto Costa e Silva, africanista.
4. Último vídeo no Youtube? O McCain na Ellen, falando sobre casamento gay. Admiro a coerência e coragem dele de manter suas posições num ambiente que é hostil a elas, mas que são posições ultrapassadas, isso são. Acabei vendo esse porque vi a entrevista do Obama com ela (esse é um pedaço dela, não acho inteira em um vídeo só), muito mais divertida, de fato.
5. Reflexão do Dia: Estamos todo dia sujeitos às opiniões dos outros. Ouça, leia e faça a sua própria. É um favor a você mesmo. Tenha em mente que nada é simples.
Marcadores:
Crítica,
Informação,
Jornal,
Leitura,
Manipulação,
Necessidades
Assinar:
Postagens (Atom)