terça-feira, 9 de setembro de 2008

Falando do Óbvio.

Hoje eu vou falar de coisas óbvias. E de coisas que dependem tanto da vida de cada um, que a minha simples reflexão se torna nula.
Mas, porém, contudo, no entanto.... receio que tenho vontade de a expressar, porque eu nunca terei um momento para dizê-la sem que ela fique fora de contexto, ou ela não se aprofunde da maneira como eu vejo. Porque, aos que não sabem, o mínimo de eloquência que eu consigo escrevendo, não tem o mesmo nível na minha oratória. Eu me vejo como uma péssima oradora espontânea, sempre me arrependo de ter dito alguma coisa, ou de não ter dito. Escrever, ao menos, permite-me analisar as palavras que eu escolho, e, não tão maquinalmente como possa parecer, escolher o que estou dizendo.
Bom para a minha escrita, que alcança um mínimo de qualidade, péssimo para a minha fala, que, se vista depois da minha escrita, é uma decepção.
Tem horas que eu me sinto patética falando... Não é uma fala errada, fonoaudiologicamente/gramaticalmente, mas é uma expressão medíocre e sem cor daquilo que penso.
Ok. Não era disso que eu ia falar.

Vamos às "coisas óbvias" das quais me referia. Coisas óbvias, tipo gostos. Coisas óbvias, tipo reações. Coisas óbvias, tipo sentimentos.
Quando falo em aprofundar não falo de ficar citando exemplos, caso contrário esse post ficaria tão grande quanto o anterior, que vejo, foi absurdo. Nem eu mesma sei exatamente o que quero dizer com "aprofundar", mas deve ter relação com a uma sensação interior minha, creio.

Uma particularidade (que não significa que estou chamando de "única" e sim da algo muito presente na mnha personalidade) minha é observar como meus amigos ( e até quem eu conheço mais-ou-menos) lida com algumas coisas que lido, ou já lidei (que estranho escrever "lidei"...), também.

Tais como nos gostos. A maneira como eu trato algo que eu gosto.
Tenho uma amiga que costuma se viciar em coisas, e depois largá-las de um jeito como se aquilo nunca tivesse sido uma paixão. Ela não deixa, especificamente, de gostar. Mas ela se embebeda loucamente daquilo, quase doentiamente, e quando esse sentimento cessa, ela, numa visão unilateral minha, passa a quase desprezar, no sentido de ignorar, essa paixão. Ela cansa. Ela suga, aproveita, se anima como uma viciada, e então larga, trata como algo simples, sem mostrar muito que um dia aquilo lhe foi muito interessante.
Não sei se posso dizer que nunca fiz isso. Mas me causa grande estranhamento. Eu cultuo aquilo que gostei. Não da maneira como foi antes, nem buscando pelo culto. Mas o reencontro esporádico me dá prazer. Eu não me lembro de ter deixado de gostar daquilo que gostei, a não ser que tenha havido um motivo para isso. O mero fim da "paixão" não destroi minha adoração.
Eu não diria que existe um jeito certo de enxergar o modo como você trata aquilo que se gosta, ou gostou, acho muita prepotência. Mas se eu trato de um jeito constante, é mais do que certo que essa é a maneira como eu me sinto bem nesse assunto.
O culto ao que eu já gostei me soa como um respeito aquilo que já me chamou a atenção e fez parte da minha vida. Seja música, seja livro, seja pessoa. Eles podem não ser o que já foram para mim antes, e eu posso ver inúmeros defeitos que eu não via antes, mas ainda sim significaram (e significam) algo para mim. Além do mais, ignorar o que eu gostei talvez seja ignorar uma própria parte de mim, que talvez tenha passado, que talvez até eu prefira esquecer, mas que essa simples ignorância, por sua vez, é um obstáculo a um auto-conhecimento.
Eu sou super a favor do auto-conhecimento. Ele é muito doloroso. E talvez ele dependa da pessoa para que ele signifique tornar alguém melhor. E talvez também acabe errôneamente virando uma arma de hipocrisia. Mas ele é o mais poderoso acesso à consciência. E, às mentes perspicazes que já leram outros posts, a minha evidente reposta para a paz é consciência. Portanto, é válida.


Notei uma coisa com relação ao que acabei de dizer. Uma amostra física de o quanto os pensamentos de alguém se relacionam. A minha preferência por não-sei-o-que e de agir-de-tal-maneira, está sempre, como qualquer humano, intimamente ligada à minha visão de mundo. Acho que quando você analisa uma pessoa (e a si próprio entra aqui), você tem que buscar a visão de mundo dela. Geralmente, as coisas ficam mais fáceis de entender. Bom, ficam fáceis se você se permitir compreender a visão. Mas há um cuidado grande aqui: o livre-árbitrio sempre existe. Portanto, uma pessoa pode muito bem ser "incoerente" consigo mesma.
(momento aleatório: eu constesto Freud em muitas coisas, e não acho que isso significa que eu me ache A boa. Eu posso observar a atitude humana também, e posso achar algo dito por ele desconexo com a realidade. Não sou iconoclasta como grande parte do meio científico, e a própria sociedade. Ele foi humano, eu também, e você também é. Fikadik.)


Reações e sentimentos estão muito próximos, em referência ao que quero falar hoje. Há uma ligação com gosto também, e a conclusão para todos é a mesma que eu dei para gostos: não há um jeito certo, ao meu ver, mas creio que deve ser feito aquilo que te faz sentir bem (um pouco perigoso afirmar isso se você for pensar em psicopatas, ou em gente que enfiou na mente que ser "malvado" é mais prazeroso, mas você entenderam. Não quero me extender nisso).

As sensações que algo traz para cada um de nós é diferente. Às vezes são sentimentos diferentes, às vezes são simplesmente intensidades diversas de um mesmo sentimento.
A exemplo, é 'engraçado' o quanto uma desilusão amorosa tem efeitos diferentes nas pessoas. Algumas não desistem até quando tudo parece mais que evidentemente perdido. Outras se sentem rejeitadas. Outras são indiferentes. Outras se chocam e passam então a pisar em cima.
Recentemente eu vi alguém se sentindo rejeitada como eu já me senti, mas de uma maneira diferente.
Eu preferi o silêncio, a falta de atenção, o choro contido, as reações solitárias, a tentiva de sobreposição do assunto com outros assuntos e a auto-superação sem dependências. A pessoa preferiu o ombro amigo, a repassagem mil vezes do que aconteceu em voz alta, a demonstração explosiva de descontentamento, a curtição de fossa por alguns dias e a busca da superação através de um "contra-ataque".
Dentro dessas reações, houve um debate mental em mim: Vale tentar ser uma fortaleza ou é melhor, psicologicamente, mostrar a sua fragilidade?
Não 'descobri' a resposta, obviamente. Expor a fragilidade, ao mesmo tempo que é menos doloroso e, provavelmente, menos solitário, eu vejo, dentro de uma personalidade que se formou e já é meio difícil mudar, é algo ruim para mim. Afetada pelo meu orgulho e a minha aversão à auto-exposição da minha intimidade, eu não gosto de parecer frágil (porque sou paranóica e acho que isso pode se usado contra mim depois) e alimento uma busca para ter a maior independência possível do que quer que seja (Arrogância falar em total independência. A não ser que você viva isolado/a numa floresta praticando a agricultura - e mesmo assim, você depende da água, das sementes... etc - e gerando tudo que você usa, voê é dependente de algo. Para alguém que vive em sociedade, então... A delícia de ter vida social é uma dependência) . Além do mais, eu não gosto de incomodar os outros (apesar de não achar incômodo quando os outros ME buscam. Um incoerência minha que está ligada aos meus sentimentos, então não tenho muito como controlar, embora às vezes eu tente... Pressionada, é verdade... =P ) com as minhas preocupações (na minha mente doentia, os outros já têm problemas, não precisam dos meus. Embora eu nem de longe pense assim quando alguém pede meu socorro), ou com os meus pensamentos que tempos depois vou me arrepender de ter tido (e, nesse caso, por tabela, arrepender de ter dito)... Nessas situações, geralmente, a gente vem com um monte de pensamentos auto-depressiativos, cruéis, hiperbólicos, auto-piedosos, desconexos e, acima de tudo e sempre, tristes.
Tudo besteira. Nos sentimos os seres mais maltratados do universo, e nem temos noção do que estamos falando. Viramos a tristeza em forma humana, e nem sabemos direito o que é a tristeza de verdade. Mas não controlamos isso e temos o direito de nos sentirmos assim, creio. É próprio do ser capaz de pensar e sentir, interagindo as ações. É único. É incrível.

Eu sou uma apaixonada pela diversidade. Gosto que haja diferentes jeitos de se sentir e entender uma mesma coisa. Recuso-me a dizer que existe um ideal. Ideal é aquilo que é próprio de si.



*Moment Heureux*

1. Música que está ouvindo? O canto dos pássaros nesta madrugada *Julia, a poetisa*
2. Último vídeo visto? What What in the butt - Samwell, no Youtube. Se vc quer rir de trash e do ridículo, pode procurar.
3. Último filme no cinema? Mamma Mia, musical com músicas do Abba, com Meryl Streep e Julie Walters no elenco! Um arraso! Vejam!
E uma dica: assista clipes do Abba, caso não conheça, para perceber a genialidade do diretor em algumas tomadas.
4. Último filme na tv? O Novo Mundo, com Colin Farrell e Christian Bale... Uma abordagem artística do diretor BEM diferente do que eu imaginava que ele faria. Mas... Faça um favor aos historiadores: Não assista filmes baseados em fatos históricos e sai achando que aquilo é o que aconteceu!
5. Reflexão do dia: Certo é aquilo que cabe para si, mas que não semeia o caos nem exacerba em egoísmo.

2 comentários:

mariluca disse...

Irmã. Eu já gostei de pagode, alternava entre "Lua vai... ilumiar os pensamentos dela..." com Legião. Gostei, me lembro desta fase e de toda a dor que os primeiros anos da adolescência causavam. Cultuo de alguma forma uma vaga lembrança. Inclusive daquelas letras que são impossíveis de esquecer. Sua prima Clarice já foi fã doente de música baiana. Foi praticamente uma pioneira. Se você lembrar, ela finge que não é com ela.

Faz parte.

Você é uma pessoa de posições fortes, até firmes demais. Isso faz com que, mesmo que você se recuse a aceitar algum gosto do passado, nunca pronunciaria isso em voz alta. Muito menos escreveria.

Dizem que vai chover aqui na próxima semana. Espero.

Paula disse...

*pensando que o que eu teria para falar sobre esse assunto seria por demais extenso*

me limito a dizer que O Novo Mundo é um filme ruim. ok reflita.

bjos