sábado, 27 de setembro de 2008

A farsa da intelectualidade

Vamos deixar algumas coisas clara:
A minha mãe foi uma criança muito nerd e relativamente solitária. Não que ela não tivesse amigos, mas ela gostava de passar o tempo sozinha lendo. De preferência, coisas que criança não lê, como mitologia grega, História (sim, por conta própria) e Shakespeare, embora tivesse os Monteiro Lobatos da vida (que hoje também já não é muito usual... O que o diga os livros ilustrados da Disney - Nada contra, eu amava!).
Não bastasse isso, toda a família dela, irmãos e mãe, tinha engajamento político e acompanhava as coisas que aconteciam com o país e com o mundo, numa época, como os que não a viram sabem pelas aulas de História (supõe-se), muito dura, ainda mais para os encantados com as esperanças do mundo do socialismo.
A associação, espero, já é óbvia. Não querendo me aproveitar de teorias deterministas, devo dizer que a influência da minha mãe sobre a carga cultural que minha irmã e eu possuímos é evidente. Talvez tenhamos tido sorte na probabilidade genética, ou algumas coisas na nossa vida ajudaram a gente acabar absorvendo um pouco do que a nossa mãe tentou nos educar.

Desse ponto de vista, passo então a contar minha mini historinha, que logo vocês entenderão que não passa de uma auto-defesa ( e fortalecimento) para o que tenho a dizer hoje.
Como toda mãe que anseia para que seu filho leia e tem informação dos procedimentos pedagógicos, minha mãe tinha o hábito de ler na nossa frente, comprar livrinhos coloridos para nós e, ao menos para mim (acabo de perceber que nunca perguntei isso para minha irmã, já que ela é mais velha), ela teve algumas oportunidade de ler os contos dos Grimms (leu mais coisas, mas os Grimms são marcantes na minha infância) quando eu era pequena.
A estratégia funcionou,e a partir dos meus oito anos, eu tentava ler coisas com menos figuras. Com 10, minha mãe viu que eu me empolguei muito com O mágico de Oz que peguei no colégio, que não tinha nenhuma figura, e resolveu me dar um livro que havia saído a um pouco mais de um mês no país e o cara na livraria disse que fazia sucesso na Inglaterra e que, apesar de infanto-juvenil, ele leu e gostou. O meu primeiro livro sem figuras dado pela minha mãe foi um tal de Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 2000. Para quem estava começando a se acostumar com livros de 200 páginas sem figura, quatro dias de leitura foi bem rápido (créditos à J.K. Rowling).
Minha relação com a leitura, que já estava crescendo, ficou meio doentia. Não sei quantos livros li aos meus dez anos, mas passaram de 10 com certeza. Quando eu tinha 13, então, que estava passando por uma fase difícil, a leitura foi válvula de escape. Sei lá eu quantos foram.
Ok. Entendeu que li bastante. E nessa tal "fase difícil" eu cacei clássicos, tipo A Megera Domada, A Utopia e Viagem ao centro da Terra. Eu tinha na cabeça uma coisa idiota alimentada pela sociedade que clássicos significam coisa inteligente, ou algo parecido com isso. Sinônimo de qualidade. O problema não está em crer nisso, o problema está na hiper valorização disso.
Segura esse ponto que eu volto a ele depois.

Outro ponto da minha criação relevante para o tema de hoje também tem a ver com leitura. Mas de jornal. Meus pais liam/leêm jornal com muita vontade, e nós assinamos a Folha de São Paulo há mais de uma década. Com meus oito aninhos, eu lia os quadrinhos e o caderno das crianças que saía aos sábados. Mas era um passo para se interessar por jornal. Aliás, algo curioso: eu sabia do tal Harry Potter antes da minha mãe me dar porque a Folhinha tinha feito uma reportagem um mês antes falando do lançamento. Assim como meus interesses foram se 'sofisticando', as partes que eu lia do jornal também. Aos 10 eu lia a capa, o caderno cultural e a Folhinha, claro. Não muito depois eu já estava lendo o caderno de política e internacional.

Esse interesse "sofisticado" veio das conversas de casa. Meus pais não exitavam em falar de política e de explicá-la para nós. Além do mais, minha irmã e eu somos boas observadoras e ouvintes. A gente aprendeu também ouvindo e olhando as reações dos nossos pais. E eu, particularmente, como minha irmã tem quase 8 anos a mais que eu, tive influência consciente dela, que aparentemente sentia prazer em me manter informada ou de expor as opiniões dela (coisa de jornalista? ou é de família mesmo?).

Certo, que mais que falta?
Acho que coisas de personalidade. Não vou contar historinhas, isso já está muito grande. Tenha em mente então que eu era uma aluna muito melhor do que eu sou agora, tinha uma considerável memória (que hoje me dá vontade de chorar em pensar o quanto ela deteriorou), gosto de coisas bizarras e abstratas, sou adepta dos "cults", gosto de coisas nas entrelinhas, gosto de metáforas, gosto do simples que significa algo... Mas passei por um processo que começou há quase 3 anos e que nesse ano atingiu um ponto alto: eu detesto o menosprezo pelo o que é divertido e leve, o que simplesmente é e não tem nenhuma pretensão, pelo que é popular, tem sucesso e não está dentro do meio intelectual.

Pronto, cheguei.
Obviamente que essa explosão da raiva pelo desprezo a essas coisas vem do ambiente que agora eu me encontro. Tem coisa mais hipertônica de intelectuais do que a FFLCH (Faculdade de Filosfia, Letras e Ciências Humanas, na USP)? São mais de 12000 criaturas em, se você dividir as ciências sociais, 7 cursos!
Gente falando complicado algo que é simples; gente tentando politizar algo que não tem nenhuma pretensão de ser politizado; gente quase montando altar para pensadores que são considerados importantes, tentando fazer com que algo só seja válido se a base for neles; gente achando que só usar expressões técnicas tem valor de raciocínio; gente blasé, que diz gostar de coisas 'subversivas', abstratas, com 'mensagens profundas' e dos clássicos como se só eles fossem arte de verdade ou os únicos que trouxessem algo para nossas vidas.
Sério, meus primeiros meses com esse tipo de gente, essecialmente arrogante, foi irritante. Não são os 12000 que são assim, claro, mas a porcentagem irreal faz bem o seu trabalho. Numa comparação que talvez eu obtenha empatia, e que eu gostaria de dizer que não é uma questão de preconceito, já que não é pessoal, e sim de gosto, o modo de alguns intelectuais, ou projeto de intelectuais, falarem, 'inacessível' (eu acompanhava, mas queimava uns neorônios mesmo assim. Fico imaginando alguém com menos bagagem do que eu, que tive oportunidades e sorte, ouvindo algumas coisas) é tão ou mais irritante do que a moleza da fala e a ignorância do português de alguém da favela.
Fora isso, todos os atos, para eles, tem que ter um significado, uma segunda intenção. De preferência, algo interesseiro e corrupto, porque aparentemente para eles a alma é feita só disso. Estou exagerando, claro. Mas é só para deixar minha raiva enfática.

Agora, vamos pretenciosamente desmoronar o ideário desses 'intelectuais'.

Primeiro de tudo, somos humanos. E como humanos, erramos, acertamos, blablabla... Mas, principalmente aqui, tudo que se sabe, tudo que se interpreta, por ter vindo de humanos, por mais qualificados que eles estejam, está sujeito a uma revisão. E assim como algo que foi dito antes deve ser re-examinado, algo que é dito agora, por alguém inicialmente "insignificante", pode ser genial.
Vou me aproveitar das minhas aulas e dos debates que rodam nelas, se me permitem. Se Marx disse alguma coisa, não é regra. Várias vezes ele já foi contrariado, mas ainda há muito gente que põe um pedestal no cara. Não é uma questão de menosprezar o que ele diz, ninguém deve ser menosprezado quando tem uma opinião interessante (é mais difícil não menosprezar opiniões que não tem novidade nem polêmica nenhuma, não concorda? Em qualquer lugar, não me refiro só aos pomposos debates acadêmicos), é só uma questão de atualizar e de ter mente própria. As coisas que são ditas pelos intelectuais e divididas deviam ser usadas para se refletir e você criar seus argumentos, não para você usar o que eles dizem como argumento, como um fato empírico. Como eu peguei Marx para Judas, vamos usá-lo: ele teve a infeliz, mas de acordo com a sua contemporanidade, idéia de chamar os sistemas coloniais ibéricos de "feudais". Eurocentrismo puro, já que as relações de servo e senhor feudal são bem diferentes das relações do escravo com o senhor de engenho. Há quem diga que elas são meio-feudais, só porque a propriedade da terra é que consiste as relações de poder. Rola debates. Eu penso que quem defende é só para não enfraquecer mais o Marx, porque estamos no século XXI e já passou a época de usar termologias antigas para descrever coisas diferentes, por mais que elas tenham algum tipo de relação. Enfim, sem debates historigráficos...
Aqui nós temos outra temática dos erros das ciências humanas 'ocidentais': enquadrar a humanidade em padrões. Tudo bem que sem "classificações" tudo fica muito complicado e confuso de estudar, mas assumir uma posição de fórmulas que devem encaixar em tudo, e aplicá-las como se realmente encaixassem, é um erro muito comum da intelectualidade. Afinal, cadê a humanidade da bagaça? Cadê o livre-arbítrio? Cadê as sensações diferentes? Elas não precisam ser descritas, senão seria um caos. Mas as considerar é imprescindível na hora de julgar.

Um ponto que levantei lá em cima: a hiper valorização dos clássicos e dos renomados, e dos abstratos, dos cults, dos minoritários, dos politizados, das artes com suposta "mensagem profunda" etc... Quando se fala de clássicos, temos obras que ganharam importância, relevância e possuem qualidade dentro de seus meios. Conhecer clássicos é muito valorizado, te dá status, como se só isso fosse suficiente. A questão não é "não leiam/vejam clássicos" a questão é "por que você leu/viu o clássico e por que é importante para VOCÊ?". Putz, aí que pega. Que valor tem em ler, por exemplo, um clássico se ele não significou nada para você? A culpa não é do clássico e às vezes também não é sua. "Às vezes" porque se um clássico é um clássico, tem um motivo, e saber o motivo e entendê-lo muitas vezes faz com que você acabe gostando. Ou seja, não tenha preguiça. Se você não teve preguiça e foi uma questão de gosto, falta de empatia, o que for... Acontece. Eu não gostei de Utopia, apesar que eu achei interessante (não significa que acho certo) a forma governada por filosófos e os grandes sábios da sociedade. Mas em Utopia, como um livro de sua época, posiciona a mulher como objeto, como ser inferior, e tem escravos. Foi o suficiente para eu ficar insatisfeita com a leitura. Fora os inúmeros furos... Enfim.
O que tenho a dizer é que clássicos não são deuses. Eles têm furos, eles não agradam todo mundo, eles não são 100% geniais... Mas parece que é muito mais fácil para um intelectual (ou pseudo-intelectual) não gostar de algo que seja assim e que não é um clássico, do que identificar deslizes ou não achar tão demais um clássico pelo seu motivo de consagração.

Intelectual tem aversão ao que é popular ou ao que é mais divertido do que qualquer outra pretensão. Não que eles não saibam se divertir a seu jeito (cerveja... rs...), mas quando se trata de arte e/ou entrenimento, sim, é bem assim. O que é popular sempre vira, na cabeça deles, apenas um apreveitador, um instrumento do 'capitalismo selvagem', louco para comer e agarrar dinheiro. Perde qualquer tipo de valor. Só o lucro que a coisa obteve por ser popular entra na lista de considerações do pseudo-intelectual. Quero dizer, é óbvio que o que fica popular é explorado em sua forma de arrencadador de capital, mas e o resto?
E, também, qual é o problema de algo ser divertido, e apenas isso?
Existem inúmeras artes, muito expressivamente nas plásticas, que algo é feito só para divertir. Algo de cabeça para baixo pode ter o intuito de apenas querer colocar algo para baixo, porque é devertido, não porque "significa a estrutura corrompida, que é a mesma coisa, mas tornasse outra visualmente com um simples gesto". Se o intelectual não despreza o divertido, ele procura dar uma mensagem inexistente a ela.
Já vi muito distorções acontecerem, tentando intelectualizar algo despretencioso. Tem um episódio muito marcante para mim que aconteceu no começo do ano, na minha faculdade.
Grupos estavam apresentando seus trabalhos de vídeo do ano passado. E um desses grupos fez um vídeo sobre a descoberta do nome real do avô de um dos integrantes. A busca passou por entrevistas com os familiares, a descobeta do envolvimento militar do avô etc... Aí veio um desses pesudo intelectuais, no debate sobre os vídeos, falar o quão foi interessante essa tentativa do vídeo de mostrar um "conflito social" envolta do nome, essa mostra do sufocamento militar (detalhe: o envolvimento militar foi abordado por poucos segundos) e umas outras baboseiras ... Aí o "líder" do grupo virou: "Na verdade, eu só quis mostrar as diferentes versões para o nome do meu avô".
Eu ri muito internamente.

Eu considero essas auto-restrições de gosto e pensamento da intelectualidade são um dos grandes problemas dela se relacionar com a sociedade. Ao mesmo tempo que ela gostaria que seu conhecimento fosse extendido à sociedade (pelo menos em discurso), ela gosta de se isolar. Ela não tem tato para fazer uma média entre suas reflexões e debates e coisas que interessam à sociedade de massa.
Como ela espera ser levada a sério alimentando esteriótopos?
Por que ela insiste em dar a natureza e ao comum um significado que eles muitas vezes não têm? Por que não simplesmente ser?
Para quê fingir que inteligência é racionalidade, literatura e 'profundidade' (ou o que eles julgam ser cada uma das três)?



*Yupie*
1. O que está ouvindo? Like a Prayer - Madonna =D
2. Último filme no cinema? Nem por cima do meu cadáver. Muito divertido.
Mas eu devo dizer que nesse meio-tempo eu vi Ensaio sobre a Cegueira, que entrou no top dos meus filmes favoritos. Fernando Meirelles é demais! Tem dois filmes dele nessa lista agora (O Jardineiro Fiel também está).
3. Último filme na TV? Simplesmente Amor. Sim, eu nunca tinha visto. Gostei, apesar de não ter visto os primeiros 30 min.
4. Último filme em DVD? Ed Wood, do Tim Burton. Esperava um pouco mais, mas eu gostei. Esteja preparado para exageros intencionais, numa tentativa inspirada nos próprios filmes do Ed Wood. Fiquei com vontade de vê-los, por sinal. Deve ser ótimo para rir =D
5. Reflexão do Dia: Ponto de vistas mudam! Uau! ;-D

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Falando do Óbvio.

Hoje eu vou falar de coisas óbvias. E de coisas que dependem tanto da vida de cada um, que a minha simples reflexão se torna nula.
Mas, porém, contudo, no entanto.... receio que tenho vontade de a expressar, porque eu nunca terei um momento para dizê-la sem que ela fique fora de contexto, ou ela não se aprofunde da maneira como eu vejo. Porque, aos que não sabem, o mínimo de eloquência que eu consigo escrevendo, não tem o mesmo nível na minha oratória. Eu me vejo como uma péssima oradora espontânea, sempre me arrependo de ter dito alguma coisa, ou de não ter dito. Escrever, ao menos, permite-me analisar as palavras que eu escolho, e, não tão maquinalmente como possa parecer, escolher o que estou dizendo.
Bom para a minha escrita, que alcança um mínimo de qualidade, péssimo para a minha fala, que, se vista depois da minha escrita, é uma decepção.
Tem horas que eu me sinto patética falando... Não é uma fala errada, fonoaudiologicamente/gramaticalmente, mas é uma expressão medíocre e sem cor daquilo que penso.
Ok. Não era disso que eu ia falar.

Vamos às "coisas óbvias" das quais me referia. Coisas óbvias, tipo gostos. Coisas óbvias, tipo reações. Coisas óbvias, tipo sentimentos.
Quando falo em aprofundar não falo de ficar citando exemplos, caso contrário esse post ficaria tão grande quanto o anterior, que vejo, foi absurdo. Nem eu mesma sei exatamente o que quero dizer com "aprofundar", mas deve ter relação com a uma sensação interior minha, creio.

Uma particularidade (que não significa que estou chamando de "única" e sim da algo muito presente na mnha personalidade) minha é observar como meus amigos ( e até quem eu conheço mais-ou-menos) lida com algumas coisas que lido, ou já lidei (que estranho escrever "lidei"...), também.

Tais como nos gostos. A maneira como eu trato algo que eu gosto.
Tenho uma amiga que costuma se viciar em coisas, e depois largá-las de um jeito como se aquilo nunca tivesse sido uma paixão. Ela não deixa, especificamente, de gostar. Mas ela se embebeda loucamente daquilo, quase doentiamente, e quando esse sentimento cessa, ela, numa visão unilateral minha, passa a quase desprezar, no sentido de ignorar, essa paixão. Ela cansa. Ela suga, aproveita, se anima como uma viciada, e então larga, trata como algo simples, sem mostrar muito que um dia aquilo lhe foi muito interessante.
Não sei se posso dizer que nunca fiz isso. Mas me causa grande estranhamento. Eu cultuo aquilo que gostei. Não da maneira como foi antes, nem buscando pelo culto. Mas o reencontro esporádico me dá prazer. Eu não me lembro de ter deixado de gostar daquilo que gostei, a não ser que tenha havido um motivo para isso. O mero fim da "paixão" não destroi minha adoração.
Eu não diria que existe um jeito certo de enxergar o modo como você trata aquilo que se gosta, ou gostou, acho muita prepotência. Mas se eu trato de um jeito constante, é mais do que certo que essa é a maneira como eu me sinto bem nesse assunto.
O culto ao que eu já gostei me soa como um respeito aquilo que já me chamou a atenção e fez parte da minha vida. Seja música, seja livro, seja pessoa. Eles podem não ser o que já foram para mim antes, e eu posso ver inúmeros defeitos que eu não via antes, mas ainda sim significaram (e significam) algo para mim. Além do mais, ignorar o que eu gostei talvez seja ignorar uma própria parte de mim, que talvez tenha passado, que talvez até eu prefira esquecer, mas que essa simples ignorância, por sua vez, é um obstáculo a um auto-conhecimento.
Eu sou super a favor do auto-conhecimento. Ele é muito doloroso. E talvez ele dependa da pessoa para que ele signifique tornar alguém melhor. E talvez também acabe errôneamente virando uma arma de hipocrisia. Mas ele é o mais poderoso acesso à consciência. E, às mentes perspicazes que já leram outros posts, a minha evidente reposta para a paz é consciência. Portanto, é válida.


Notei uma coisa com relação ao que acabei de dizer. Uma amostra física de o quanto os pensamentos de alguém se relacionam. A minha preferência por não-sei-o-que e de agir-de-tal-maneira, está sempre, como qualquer humano, intimamente ligada à minha visão de mundo. Acho que quando você analisa uma pessoa (e a si próprio entra aqui), você tem que buscar a visão de mundo dela. Geralmente, as coisas ficam mais fáceis de entender. Bom, ficam fáceis se você se permitir compreender a visão. Mas há um cuidado grande aqui: o livre-árbitrio sempre existe. Portanto, uma pessoa pode muito bem ser "incoerente" consigo mesma.
(momento aleatório: eu constesto Freud em muitas coisas, e não acho que isso significa que eu me ache A boa. Eu posso observar a atitude humana também, e posso achar algo dito por ele desconexo com a realidade. Não sou iconoclasta como grande parte do meio científico, e a própria sociedade. Ele foi humano, eu também, e você também é. Fikadik.)


Reações e sentimentos estão muito próximos, em referência ao que quero falar hoje. Há uma ligação com gosto também, e a conclusão para todos é a mesma que eu dei para gostos: não há um jeito certo, ao meu ver, mas creio que deve ser feito aquilo que te faz sentir bem (um pouco perigoso afirmar isso se você for pensar em psicopatas, ou em gente que enfiou na mente que ser "malvado" é mais prazeroso, mas você entenderam. Não quero me extender nisso).

As sensações que algo traz para cada um de nós é diferente. Às vezes são sentimentos diferentes, às vezes são simplesmente intensidades diversas de um mesmo sentimento.
A exemplo, é 'engraçado' o quanto uma desilusão amorosa tem efeitos diferentes nas pessoas. Algumas não desistem até quando tudo parece mais que evidentemente perdido. Outras se sentem rejeitadas. Outras são indiferentes. Outras se chocam e passam então a pisar em cima.
Recentemente eu vi alguém se sentindo rejeitada como eu já me senti, mas de uma maneira diferente.
Eu preferi o silêncio, a falta de atenção, o choro contido, as reações solitárias, a tentiva de sobreposição do assunto com outros assuntos e a auto-superação sem dependências. A pessoa preferiu o ombro amigo, a repassagem mil vezes do que aconteceu em voz alta, a demonstração explosiva de descontentamento, a curtição de fossa por alguns dias e a busca da superação através de um "contra-ataque".
Dentro dessas reações, houve um debate mental em mim: Vale tentar ser uma fortaleza ou é melhor, psicologicamente, mostrar a sua fragilidade?
Não 'descobri' a resposta, obviamente. Expor a fragilidade, ao mesmo tempo que é menos doloroso e, provavelmente, menos solitário, eu vejo, dentro de uma personalidade que se formou e já é meio difícil mudar, é algo ruim para mim. Afetada pelo meu orgulho e a minha aversão à auto-exposição da minha intimidade, eu não gosto de parecer frágil (porque sou paranóica e acho que isso pode se usado contra mim depois) e alimento uma busca para ter a maior independência possível do que quer que seja (Arrogância falar em total independência. A não ser que você viva isolado/a numa floresta praticando a agricultura - e mesmo assim, você depende da água, das sementes... etc - e gerando tudo que você usa, voê é dependente de algo. Para alguém que vive em sociedade, então... A delícia de ter vida social é uma dependência) . Além do mais, eu não gosto de incomodar os outros (apesar de não achar incômodo quando os outros ME buscam. Um incoerência minha que está ligada aos meus sentimentos, então não tenho muito como controlar, embora às vezes eu tente... Pressionada, é verdade... =P ) com as minhas preocupações (na minha mente doentia, os outros já têm problemas, não precisam dos meus. Embora eu nem de longe pense assim quando alguém pede meu socorro), ou com os meus pensamentos que tempos depois vou me arrepender de ter tido (e, nesse caso, por tabela, arrepender de ter dito)... Nessas situações, geralmente, a gente vem com um monte de pensamentos auto-depressiativos, cruéis, hiperbólicos, auto-piedosos, desconexos e, acima de tudo e sempre, tristes.
Tudo besteira. Nos sentimos os seres mais maltratados do universo, e nem temos noção do que estamos falando. Viramos a tristeza em forma humana, e nem sabemos direito o que é a tristeza de verdade. Mas não controlamos isso e temos o direito de nos sentirmos assim, creio. É próprio do ser capaz de pensar e sentir, interagindo as ações. É único. É incrível.

Eu sou uma apaixonada pela diversidade. Gosto que haja diferentes jeitos de se sentir e entender uma mesma coisa. Recuso-me a dizer que existe um ideal. Ideal é aquilo que é próprio de si.



*Moment Heureux*

1. Música que está ouvindo? O canto dos pássaros nesta madrugada *Julia, a poetisa*
2. Último vídeo visto? What What in the butt - Samwell, no Youtube. Se vc quer rir de trash e do ridículo, pode procurar.
3. Último filme no cinema? Mamma Mia, musical com músicas do Abba, com Meryl Streep e Julie Walters no elenco! Um arraso! Vejam!
E uma dica: assista clipes do Abba, caso não conheça, para perceber a genialidade do diretor em algumas tomadas.
4. Último filme na tv? O Novo Mundo, com Colin Farrell e Christian Bale... Uma abordagem artística do diretor BEM diferente do que eu imaginava que ele faria. Mas... Faça um favor aos historiadores: Não assista filmes baseados em fatos históricos e sai achando que aquilo é o que aconteceu!
5. Reflexão do dia: Certo é aquilo que cabe para si, mas que não semeia o caos nem exacerba em egoísmo.