É muito comum ultimamente ouvir que a minha geração, e para baixo, está perdida. Eu discordo e concordo com a afirmação.
Eu discordo no sentido que ela se toma, em geral. "Perdida", aqui, quer dizer que ela não se preocupa com nada, que ela é pragmática, está moldada ao capitalismo e suas vontades, que não tem compromisso com nada.
Bom, se você leu às cegas, provavelmente você concordou com a definição. Mas há um problema grave generalização.
Cada vez mais jovens se engajam em ações pelo meio ambiente. Anda também razoavelmente comum ver estudantes indo às ruas pela melhoria da Educação, ou ao menos se preocupando com o que é feito com ela. No meio estudantil universitário, as pessoas se manifestam e se organizam em protesto por aquilo que acreditam, embora sejam abafadas e marginalizadas.
Existem duas coisas em especial que causam a sensação de que não há objetivos:
Primeiro, que a ação juvenil está pulverizada. Uns vão proteger os animais, outros a natureza em geral, outros a educação, outros lutam por uma país mais honesto, outros em ONGs para ajudar aqueles que estão a baixo do nível da pobreza...
A segunda razão está um pouco ligada à primeira. Porque quem vê a nossa geração (e nós mesmos) fica a comparando com a geração que lutou contra Ditadura, ou pediu Diretas Já ou mesmo o Impeachment do Collor... Todas unificaram a ação juvenil. Ou pelo menos tinha um bom número de engajados numa coisa só.
Agora, uma coisa que não se considera: essa turma de movimento político acabou se destacando pelo considerável número numa luta muito séria e que faz parte da história nacional, digna de efeitos colossais para a sociedade. E pela importância, ganhou muito destaque.
Mas esses jovens de classe média não eram nem 5% da população de jovens na época. À exemplo da ditadura, eram pequenos comitês corajosos dentro, especialmente, das faculdades públicas. Três semi-restrições, salvo raras exceções: coragem, faculdade e classe média.
Os outros 95% se divertiam com os realmente divertidos (pra época... XD) programas musicais, especialmente a Jovem Guarda, aos domingos, com suas baladinhas dançantes inspiradas na música estrangeira. Viviam suas vidas, se submetiam às restrições da Ditadura para não se arriscar, alguns até apoiavam os militares em nome da ordem, outros nem tinham noção do que estava acontecendo (e, incrível, uma vez, no orkut, verifiquei que alguns ainda não fazem idéia do que aconteceu), mais alguns (poderia arriscar a maioria, porque a maioria nessa parte era pobre) não tinham interesse em política e não queriam nem saber, desde que tivessem seu pão.
Estão entendendo onde quero chegar?
Se as ações de quem age estão pulverizadas, se não existe uma grande causa latente (a gente poderia discutir o que é latente, mas entendamos aqui que se trata daquilo que afeta toda a sociedade. Toda, inclusive os ricos), se desde sempre a maioria é alienada mesmo, está sob capitalismo, se a praticidade e o individualismo tomaram conta de grande parte da população, que já estavam desde os anos 40 para quem não era comunista, quando a Guerra Fria começou... Que grande injustiça dizer que a nossa geração não tem sentido!
Se é para considerar a maioria, já faz tempo que não tem sentido!
Sinceramente, eu acho uma afirmação dessas coisa de socialista frustrado. Caiu a União Soviética, caiu o comunismo soviético, agora nada faz sentido? Como assim? O sentido de uma geração é lutar contra a direita? O jovem tem que ser de esquerda e socialista para ter valor?
É o discurso político destruindo as vontades e a auto-estima dos jovens.
É verdade, a alienação é irritante. E eu, como um ser de certo engajamento político, fico bem frustada com o pouco caso que fazem para o papel mais cívico da população: prestar atenção na forma como mexem com a sua vida, prestar atenção na política. Mas, Deus, já existe faz tempo! Não 10, 20 anos. Ao menos 60!!!
Se "perdida", da afirmação inicial, significasse que ela está dispersa, eu concordaria. Está mesmo. Quem faz alguma coisa, atua em áreas variadas.
E se vai generalizar os "objetivos" de uma geração, o que é uma grande bobagem, ao menos considere que nem tudo é política. Se eu fosse dar um objetivo para minha geração, eu diria que é meio ambiente. Nós fomos um dos primeiros a crescer ouvindo sobre El Ninõ, Aquecimento Global/Efeito Estufa, Reciclagem, Preservação, Educação Ambiental... A gente está destinado (ou devia) a dar conta da cagada que nossos pais e avós fizeram. É difícil encontrar alguém da nossa idade que não tenha hábitos ambientais. Separar o lixo (para as cidades quem tem sistema de reciclagem), evitar disperdício de água, usar transporte público, apagar as luzes, tomar cuidado com o disperdício de energia.
Assim como todas os "objetivos" das gerações, não é todo mundo, e a grande parcela de adeptos é da classe média. Mas é um movimento crescente, e que gera resultados a longo prazo. Nós vamos educar nossos filhos da mesma maneira, ou melhor do que nós.
*Momento clean*
1. O que está ouvindo? I go walking after midnight - Patsy Cline (country, na minha fase estude-gêneros-diferentes. Vale a pena =D)
2. Último filme visto? Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock. Vale cada minuto. Me empolguei tanto que fiz um post no Camaleão de Armário (ver ao lado)
3. Último jogo das Olimpíadas visto? Ontem de madrugada, tentei ver o Márcio e o Fábio Luis no vôlei de praia contra os americanos. Mas o primeiro set foi tão frustrante que não aguentei ver o segundo inteiro... Eles perderam a partida... E ouro. Sem comentários quanto a campanha brasileira de ouros. E nem acho que nós somos os culpados por inteiro.
4. Última burrada americana: Deixar o McCain a frente nas pesquisas.
5. Reflexão do Dia: Cuidado com as afirmações de impacto. Elas estão cheias de sentimentalismos unilaterais.
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3 comentários:
Existem dois importantes fatos que envolvem essa discussão:
1°) É muito mais fácil dizer que está perdido do que lutar para não se perder.
2°) A cultura do "vamos as ruas gritar e destruir janelas" está se estinguindo. As passeatas violentas e rebeldes dão lugar cada vez mais ao protesto pacífico e ativo das ONGs, que hoje, se totalizam aos milhares. Para quem não faz nada, realmente temos a impressão de que não há nada sendo feito por ninguém.
O fato é que (principalmente o primeiro fator) acaba levando a uma desilusão eminente na cabeça dos jovens. Quem sabe até por ser conveniente se entregar a vida do 'vou curtir'. Com isso, o aspecto social e ambiental é jogado em segundo plano.
O que falta, na verdade, é uma consciência de que, acima do aspecto teórico de ser de direita, esquerda ou diagonal, existe as relações humanas muito mais importantes. "Sou cool, sou de esquerda, e faço o quê? Acordo e reclamo de ter que pegar a porra do ônibus. Por que não ir de carro?"
Ninguém precisa ser de esquerda nem de direita para ajudar a pessoa jogada na rua, nem para usar a menor quantidade possível de sacolas de supermercado.
A questão é que essa desilusão e esse aspecto teórico que se impõe sobre nossas cabeças acaba desviando o incentivo ao jovem. A pressão é grande: devo mudar o mundo. Mas se divertir é mais fácil, então eu ainda tenho a vida toda pra mudar o mundo.
Por isso cabe a nós abrir os olhos e, clichê mas clichê é pra fazer sentido, fazer a nossa parte.
Let's go arrasar. (;
fora q eu acho bem divertido mudar o mundo. aliás... esse conceito de mudar o mundo, em grandes médias ou pequenas proporções dá um post legal hein?
as gerações estão perdidas desde os filhos da revolução... os burgueses sem religião... o futuro da nação. Os militares fizeram muito mais do que prender e matar as melhores cabeças de uma geração...
falando nisso. Tá quase na hora de JK, a série.
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