Radicalismo.
Uma sina que me persegue. Não, não me persegue. Na verdade, ela está em todo o lugar. Mas como eu criei um certo asco por ela, eu a enxergo de longe, eu sempre a vejo muito lúcida.
Não estou falando própriamente da radicalismo midiático, esse que a mídia explora pela intolerância, especialmente a religiosa. Minha visão de radicalismo é mais amarga, menos simples.
Há uns quatro, cinco anos atrás, o que eram opiniões fortes, idealistas, poéticas, se tornaram uma grande estupidez. Não que elas não fossem bonitinhas, de um certo ponto de vista, mas elas eram incrivelmente bobas, simples, mal refletidas. Mal refletidas, não pouco refletidas. Mas a reflexão ficava ao redor de um campo.
Na época em que descobri a magia da ponderação, da balança, do tentar entender MESMO porque o outro lado também tem seus seguidores, achei que tinha dado um passo para a maturidade. Mas com observações da vida, do que dizem os próprios adultos e, especialmente, com o meu ingresso a faculdade, descobri que não era um passo da maturidade, e sim, de humanidade. Existem dois pontos a serem discutidos nessa frase.
Primeiro, humanidade. Não quis dizer que é como uma versão 2.0 de humano. Mas certamente é uma atitude que todos deveriam procurar, porque nos torna mais sensíveis à visão do outro, e mais preparados para um compreensão, e a conquista de uma conclusão equilibrada, que visualiza bem os prós e contras e tenta não ignorar a complexidade da situação. Não estou falando de algo 100%, mas a simples busca já muda MUITA coisa.
Segundo ponto, maturidade. Maturidade, a cada dia que passa, se torna algo abstrato. Lá pelos meus 12 anos, eu poderia dizer que maturidade eram decisões dignas de adulto. Mas agora decisões dignas de adulto não existem. Elas são diversificadas, muitas são idiotas, e eu fui descobrindo (não que ignorasse a existência, mas não imaginava desse tamanho GIGANTESCO e constante) que eles também tem muitas dúvidas e uma parte considerável não atravessa complexidades para formar uma opinião. E não dá para dizer que experiência por si só é um elemento de maturidade. Depende do que você faz com ela. Enfim, ficou muito difícil para eu saber o que é maturidade. Afinal, até com uma experiência refletida, ela pode ter sido refletida de maneira unilateral. E a idéia de maturidade para mim estava muito perto de sabedoria... Agora eu já não sei mais o que é maturidade. Porque se for considerar como sabedoria, uma seleta parte dos adultos são maduros. E, socialmente falando, não parece bem essa ser a idéia de maturidade, portanto.
Entenda que, na verdade, eu acho isso mesmo: maturidade é sabedoria. Mas para ser bem entendida, eu não posso considerar isso socialmente. O que nos faz retornar à frase: ela não faz sentido. Não para mim. O que eu "descobri" foi maturidade sim, além de humanidade. Mas o que eu quis dizer, usando o conceito social, foi que não é uma característica adquirida porque estou entrando no mundo adulto, mas porque, como ser humano, sinto-me dando passos à frente.
E o que isso tem a ver com radicalismo? TUDO.
Porque esse conflito interno que eu tive devia ter para todo mundo. Nunca ache que, só porque uma opinião sua parece sensacional, ela é perfeita. Ela pode ser a "correta", mas se ela não tiver respeito ou consideração pelas que divergem dela, ela não foi bem refletida. O "correta" também é extremamente questionável, nem preciso dizer.
Portanto, se te parece sensacional dizer, por exemplo, quando você está falando de desigualdade social, que os ricos são escrotos, com seus iates e desperdícios, e que os pobres deveriam ter tudo isso... Pelo amor de Deus, reflita: se você fosse rico, e uma pessoa muito boa, você gostaria de ouvir que você é escroto? Se você tivesse dinheiro, você o gastaria com quê? Mesmo que fossem em coisas como uma fundação caridosa, porque os outros acham divertido gastar em iates? E quando for tentar responder isso, não esteja invenenado pelas as suas idéias simplistas de porque-são-porcos-capitalistas-e-futeis, e procure algo dentro da sensação de diversão também, por mais que você não concorde com ela. E os pobres tendo tudo isso? O problema nem seria na idéia de ter propriamente dito. Seria ótimo todos se divertirem. Mas imagine milhões de pessoas com seus iates. Pobre mãe natureza com todo esse consumismo! "Ah, então os ricos podem, mas os pobres não?". Não é bem isso. Não é um apoio ao muito para poucos, e sim a um consumo menor. O ideal é que os próprios ricos não fizessem todos aqueles disperdícios. Alguns, poucos, até tentam. Mas parece um ímpeto humano gastar. Incontrolável para alguns. Imagine esse número aumentando??? MEU DEUS! Onde está o problema, no número de pessoas ou nas características humanas?
Vê? Mesmo abordando porcamente uma situação, tive que gastar muitas linhas para explorar um pouco das suas complexidades, para tentar enxergar dois lados (sendo q existem multi lados, mas criar vários ramos aqui vai levar muitas horas). Imagine que o ideal é fazer isso sempre com opiniões sérias. Quer dizer, você até pode questionar se é o ideal mesmo. Mas para mim parece muito sensato, um jeito de encontrar equilíbrio, compreensão. Eu vejo uma sociedade menos estúpida, agressiva, se as pessoas agissem assim. Como me parece o correto, eu vou em busca dele. Pode parecer óbvio o que estou falando, mas nem sempre é.
Meu asco pelo radicalismo e sua origem mais detalhadamente geram outro post. Quem sabe eu não faço? Por enquanto, fica isso mesmo: as armas contra o radicalismo. Difíceis, tortuosas, desgastantes, mas incríveis. Você se sente uma pessoa melhor. Provavelmente porque compreensão é a resposta para tolerância e sensibilidade.
*Momento jovialidade despojada*
1. O q estou ouvindo? *Vai olhar no midia player* Imogen Heap - Hide and Seek
2. Onde pretendia ir hoje e não foi? Festa do Morango, no horto de São Vicente. Estou mofando em casa.
3. Último vídeo no You tube? Cinderella 3: Prostituída novamente - Parte 1 , as paródias nada elegantes e engraçadíssimas de Caio Loki.
4. Livro q está lendo? Noites Tropicais, de Nelson Motta
5. Reflexão do dia: Será que por que dá muito trabalho, a maioria da pessoas deixa de pensar mais no que faz? Até quando comodidade valerá mais do que um mundo melhor?
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2 comentários:
divulgar esse espaço peraltinha, talvez fosse interessante... já pensou em fazer um template mais Julia A.F.Silva ?
se quiser ?;D eu fui da época aurea do começo dos blogs de coisinhas fofinhas e brilhos... não q sejam a sua cara..
aliás, são, vc é fofa e brilhante !
mais n nesse sentido... vaporoso ;D
ah vc entendeu... idéias e reflexões interessantes, inteligentes, e devidamente analisadas, são uma carência no mundo internético atual... e elas precisam ser realmente espalhadas... precisam atingir os outros seres humanos *paula momento tentar revolucionar*
bom, já sacou né?
acho digna sua iniciativa...
realmente bem válida.
"2. Onde pretendia ir hoje e não foi? Festa do Morango, no horto de São Vicente. Estou mofando em casa."
realizou seu desejo <33
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