Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Que diferença faz a maioridade?

Tudo bem que eu já abordei esse assunto indiretamente em vários posts, mas eu estou com vontade de escrever, e esse foi o primeiro assunto que me veio na cabeça.

A resposta, a de sempre no meu mundo da relativização, é que depende de quem você é. Depende dos seus pais, depende dos seus amigos, depende do seu país, depende do que te aconteceu antes dos 18 (ou 21, ou 16...).
No meu caso, 18 anos foi só uma carteirinha entre os adultos para que eles dissessem certas coisas. Meus dois primeiros dias de 18 anos foram uma comédia pastelão. Imagine: Eu faço aniversário no natal, e geralmente a ceia é aqui em casa (naquele ano, foi). Portanto, muitos dos meus familiares vem para cá comemorar conosco. Imagine todos esses familiares falando frases clichês "Agora já pode beber!"(1), "Cuidado para não ir presa!"(2), "Agora é adulta!"(3).

1- É, isso aí! Vou tomar todas! Já que me mantive em total e completo recato como todos os adolescentes...
2 - Poxa! Agora sim posso cometer um infração! Yupi!
3- É, sou mesmo... Pago minhas contas, tenho minha casa, não devo dar satisfação para ninguém...

A minha irmã e suas amigas foram as piores. Falaram não só essas coisas, como também abriram recomendações sobre sexo, como eu devo lhe dar com as drogas na faculdade etc...
Brinquei com os meus amigos nessa época que minha família criou o "mundo mágico dos 18 anos".
Mas ela criou. Porque ele, na real, não existe. Ao menos para mim.

18 anos é como os quinze, os dezesseis... Provavelmente os vinte também. Tem coisas interessantes, é verdade: você compra bebida sem vergonha, você - se tiver condições - pode aprender a dirigir... você... ham... acho que só isso. Ah, você é obrigado a votar, se não fez isso por livre e espontanea vontade aos 16 como eu. E você passa na faculdade, se você fez as coisas direito.
Poucos resistem até os 18 para tocar os lábios no álcool. Eu na cadeia só por um azar ou uma perseguição política (?). FATO. Acho (e todos sempre souberam disso) drogas patético e dá dinheiro para o tráfico, portanto... NEVER.

Adulta? O que é... adulta? *Lagarta da Alice no país das maravilhas*

Subjetividade, para começo de conversa.
Adulto para mim paga as suas contas. Adulto para mim tem seu próprio teto (alugado ou não). Adulto só diz aonde vai quando quer. Adulto (deveria ter) tem senso crítico, mas não rígido (e chato/blasé, diga-se de passagem). Adulto (deveria) controla emoção.
Mas adulto pode (deve) gostar de Disney. Adulto pode pular jogando video game. Adulto tem direito de gostar de animação. Adulto tem todo o direito de fazer piadas patéticas. Adulto pode achar legal festa a fantasia. Adulto pode gostar de Kinder Ovo.


Que diferença faz a maioridade?
Muito pouca. Não é sinônimo de ser adulto, com certeza. Ser adulto é bem, bem mais lento.


P.S.: Às vezes eu creio que a maioria das coisas que escrevo são para pessoas mais novas que eu. Será mesmo?




*Reptar - Yes, Rugrets*
1 - O que está ouvindo? Beat it - Michael Jackson
2- Ultimo filme em dvd? Aladdin - ziguilhonésima vez, para fazer roteiro de peça infantil -> NAC nas creches da Ação Social.
3 - Último filme na tv? Harry Potter e a Ordem da Fênix - rs... adooooro...
4 - Última maluquice? - Atrazar todos os trabalhos em prol do "Bodas de Sangue" do NAC.
5 - Reflexão do Dia - Saiba o que é, antes de querer ser.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A greve na USP em 2009

Como aluna da USP, eu tenho duas coisas a comentar nesse blog:

1- Sinto por não ter postado durante meses, eu tenho até um post incompleto aqui nos rascunhos, mas me faltou tempo. Ou melhor, fui incomodada pelo o velho pensamento dos cdfs "enquanto eu estou 'perdendo' tempo neste post, eu poderia estar escrevendo aquele trabalho".

2- Quem não está viajando na lua, está a par da greve na USP, ao menos depois do confronto da última terça-feira. É quase meu dever, pelo o papel que eu estabeleci para esse blog e por ser aluna do departamento mais mobilizado da greve, comentar sobre ela.

Então, vamos desenvolver o segundo comentário hoje.

A ideia de greve está circulando desde abril entre os funcionários. Eles foram adiando as votações por conta dos feriados daquele mês, mas parecia meio inevitável. Por quê?
Na pauta dos funcionários, há uma revolta pela demissão de um dos líderes sindicais, um tal de Claudinor Brandão . Há uma confusão também porque o estado fez um concurso há uns dois, três anos atrás que não foi regularizado. Os funcionários (nas 3 universidades estaduais) que foram contratados nesse concurso iam ser demitidos, ao invés de serem regularizados. São entre 2 e 5 mil pessoas, não me lembro direito. E há a velha luta que, entra greve, sai greve, nunca se resolve: o salário nunca está de acordo com o que deveria. Esses eram os principais pontos naquele momento.

Dessas pautas, eu acho completamente duvidosa a primeira. O Brandão, até onde me foi informado, já nem estava mais trabalhando como funcionário propriamente dito, ele estava só ativo no sindicato. Ele estava sendo pago pelo governo para ficar gritando (minha opinião tendenciosa). Os funcionários acham que o motivo da demissão dele foi puramente político, uma vez que ele foi um dos lideres dos funcionários na greve de 2007 e outros tipos de incômodos "políticos".
Porém, há uma lado negro do Brandão nessa história: ele está sendo acusado de assédio sexual em uns 4 processos judiciais, vindos de meninas diferentes, que são estudantes da USP. Além disso (e por isso - e mais algumas coisas que naõ são discutidas e, portanto, eu não sei), como funcionário publico, ele sofreu um processo administrativo e burocrático que não passa só pela opinião da "autoritária" reitoria, mas por uma comissão formada por professores, funcionários e alunos, segundo uma professora me disse.
Logo, ao meu ver, defender o Brandão não é "defender as lideranças sindicais" de uma "perseguição política", como disse uma colega num debate do meu departamento, mas um ato emocional e, como de praxe, cego. Ele, acredito eu, não é flor que se cheire. E independe de haver um pedaço de "alívio político" da reitoria nessa decisão, ela não foi tomada sozinha e nem sem outros (bons) argumentos.

Enfim, nossos caros funcionários - por idealismo e, quase como consequência, por uma falta de visão pragmática - declararam greve no dia 5 de maio, uma terça-feira, fazendo os serviços que aliviam muito mais os alunos mais carentes do que qualquer outro pararem de funcionar: bandejão (restaurante universitário que custa quase 2 reias um prato muito nutritivo), ônibus circular (de graça), biblioteca, pró-aluno (sala de computador que não paga nada)...

Na minha humilde opinião, greve é um instrumento de reinvidicação que deve ser usado absolutamente em última instância. Greve é a resolução tomada quando todas as outras alternativas já foram praticadas. Ela afeta a vida das pessoas de uma maneira enorme: atrapalham planos, atrasam os estudos, deixam as pesquisas mais capengas (sem biblioteca), altera a dieta de quem precisa do bandejão...

Tentar uma reunião com a reitoria eles fizeram, fazer manifestações dentro da USP também. Mas eu não vi passeata fora da USP, não vi uma divulgação, escrita por eles, dos problemas que eles estavam tendo em nenhum pedaço midiático, não vi nenhum tipo de insistência nem mesmo dentro da USP. Eles não fizeram grandes tentativas de mobilização. Gritaram às portas da FFLCH e afins, como se isso, em pleno século XXI e 20 anos após a queda do Muro de Berlim, fizesse realmente uma grande diferença na opinião dos outros. Não rolou nem panfleto (apartidário)! Foi no boca-boca e na convocação para comparecer a debates.
Quanta ingenuidade! Meus míseros 19 anos de vida foram o suficiente para eu sacar que, definitivamente, não se deve esperar que "Maomé vá a montanha, mas que a montanha vá a Maomé". É quase patético ouvir que 700 funcionários, dos cerca de 60000, estavam na assembleia. E esses 700 declararam greve.
Ao invés de conquistar e mobilizar antes da greve, eles tentam depois, quando todos já estão com raiva dos "politicamente ativos" e, pior, sob piquetes (ou em casa assistindo Datena). Claro, não se pode esperar mais do que a metade se mobilizando. Nos EUA, onde o voto é facultativo, o normal (quando não há "Obamas" concorrendo) é uns 44% da população que pode votar comparecer às urnas. Mas 700??? Há algo errado! E o mais fácil identificar é: falha de mobilização.

Esse pessoal "politicamente ativo" costuma dizer que os outros que não comparecem são "individualistas", "alienados" e/ou até "reaças" (reacionários - "direitões"). Dizem que é um reflexo dos nossos tempos. Será que o problema está mesmo no envolvimento político das pessoas?
Mesmo que parte da culpa seja isso, e eu não nego (ainda que eu ache que não é um nível tão abaixo do que o de outros tempos), está lhes faltando perceber que os tons das mobilizações políticas líderes já não estão mais afinados com os da maioria. Não há "inimigo comum", como nos tempos da ditadura. Por conta disso, não há só uma voz nesse coreto. Mas uma voz é meio que imposta.
Essa voz imposta incomoda e, em muitos casos (e não adianta eles negarem, eu já vi, vi muitas vezes e não sou a única), ela é intolerante. Ela vaia quem fala diferente e interrompe os argumentos dos ideias diversas com gracinhas ou mesmo com discursos. Esse tipo de coisa afasta quem faz um esforcinho para acompanhar os debates políticos. Outro problema é o dos discursos partidários. Tem muita gente lá envolvida com partido e essas pessoas são, em geral, vozes muito ativas. E chatas, extremamente chatas. E eles quase sempre levam um debate que supostamente deveria discutir os problemas internos da usp para discussões governamentais duvidosas. Para adicionar à lista, há algo que está intrísseco aos dois itens anteriores, e, creio, é o mais problemático: na hora de convocar/convencer os outros de que se precisa ir aos debates, os "mobilizadores" não trazem só os problemas, mas as suas opiniões sobre os problemas. À exemplo: ao invés de dizer "estamos tentando há semanas um diálogo com a reitora, mas ela está adiando e não dá resposta", eles dizem "ela não conversa com a gente, numa posição claramente autoritária e opressora... blablabla".
Será que essa é a melhor abordagem? Essas falas soam ultrapassadas para a imensa maioria das pessoas. Elas ouvem uma coisa dessas e acionam o botãozinho no cérebro para "discurso esquerdista iludido e quixotesco". Não estou defedendo que isso é o certo a se fazer, eu acho que não se pode ignorar o que os outros têm a nos dizer (mesmo que seja de uma maneira muito chata. As vezes dá para extrair algo interessante), mas, se são eles que querem atrair os outros, se são eles que querem "abrir os olhos" dos outros, então são eles que têm de mudar primeiro, dar o primeiro passo.
Eu tenho certeza que se um lado se abre para mudanças, o outro também, nesse caso.

Obviamente que essa questão dos "politicamente ativos" e das mobilizações não é única dos funcionários. No movimento estudantil e na associação dos professores também acontecem coisas parecidas. Mas até o dia 1 de junho, eles não estavam tendo muito acordo entre si sobre a pertinência de uma greve.
Para os estudantes, apoiar as reinvidicações do funcionários já era uma pauta. Havia já também a questão da Univesp ( o programa de ensino a distância), a reforma na estatuinte (há uma enorme polêmica porque os professores têm 75% das cadeiras no Conselho Universitário, contra 15% dos funcionários e 10% dos alunos - é assim há anos, mas isso não é normal em grandes universidades. E para quem não sabe, o Conselho Univeristário é grupo que toma as decisões administrativas e políticas da USP. Pense em "vereadores". Além disso, quer-se que a eleição para reitor seja feita diretamente, e não pela escolha do Conselho) e, no caso do depto. da História, os problemas crônicos de infra-estrutura (muito aluno, poucos cursos disponíveis - queriam mais salas e mais professores - ainda que uma professora minha sugira que se discuta melhor isso, porque a solução pode estar num rigor maior para que os professores -que também são pesquisadores e tem uns direitos aí de não dar aula por não-sei-quanto tempo - não deixem de dar aula e também na abertura das salas pela manhã).

Os professores, por sua vez, tiveram seu plano de carreira alterado sem consulta, sem debate. O plano de carreira define pisos salariais e categoriza os professores entre eles. O novo plano de carreira pulverizava mais ainda a categoria e dificultava absurdamente o professor a conquistar méritos (o "topo" da categoria, nós fizemos as contas com uma professora, só poderia ser alcançado quando o prefessor tivesse, em média, 62 anos: ou seja, quando estivesse prestes a se aposentar). Além disso, o seu salário devia acompanhar os aumentos na arrecadação do ICMS, isso não acontece há 4 anos, como se não bastasse a redução de 40% no poder de compra deles com relação a 1988.

Acontece que, a partir do momento que a reitora usou uma ação judicial para chamar a polícia, as coisas esquentaram. O argumento da louca é que ela está defendendo o patrimônio público e que uma das funções dela é prezar pela ordem na universidade. Não sem razão ela diz isso, porque no dia 25 de maio, durante uma manifestação na frente da reitoria, alunos e funcionários invadiram a reitoria por algumas horas, quebrando portas e persianas. Além disso, piquete que impede os outros de irem aonde bem entendem, ainda mais um espaço publico, como as bibiliotecas, é contra a lei (e eu acho que tem de continuar a ser contra lei).
Eu imagino que por traz desses "bons" argumentos, está também uma vontade de não ter que ficar ouvindo as reinvidicações dos manifestantes. Não por maldade, uma teoria maléfica de que ela quer oprimir, mas por falta de paciência mesmo, por uma inabilidade política de extrair de discursos inflamados opiniões a se pensar, ideias a se questionar e soluções a se debater.
Inegável, porém, é perceber o quanto essa mulher não pode ser chamada de sábia. O que ela tinha na cabeça ao achar que PM no meio de uma discussão política é uma boa ideia? Por que ela não abriu mão da sua impaciência de ouvir as reinvidicações, já que ela preza pelo patrimônio publico e quer manter a ordem? Não vai haver quebra-quebra se não houver "motivo" para isso. Enfim, por que não dialogar ao invés de chamar a polícia? Por que não abrir o debate?

Os alunos (mobilizados) da História se irritaram com a presença da polícia e foram os primeiros a declarar greve, junto com os da Educação. Logo depois, a FFLCH já estava em greve. E, na quinta-feira, dia 4, os professores fizeram uma assembleia e declararam greve também.
Temos um problema aqui: desde quando é motivo para greve a presença da polícia?
Eles dizem: a polícia não entrava na USP desde de 69. E fazem comparações de conjucturas, intencionando uma volta da repressão aos movimentos sociais.
Eu digo: isso é motivo o suficiente para uma grande passeata, para muito barulho, mas não para uma greve.

A pauta mais forte da greve, e a que mais mobiliza por enquanto, é a que pede a retirada da polícia. E quando isso acontecer? O que será do movimento? Será que o resto é forte o suficiente para que uma greve mobilize?
Até a Politécnica fez uma assembleia que declarou repúdio a ação da polícia na terça-feira, dia 9. Não se sabe que lado incendiou o conflito entre os estudantes e a PM. Mas, independente disso, houve uma prova de um dos maiores porquês (e o que mais me preocupava) a polícia não podia estar ali no campus: a polícia é absolutamente despreparada (no sentido que ela não é bem treinada para esse tipo de ação) para lidar com manifestações políticas, é, em sua natureza, ao menos a brasileira, truculenta e formada, em geral, por homens de pouca educação. Um gesto agressivo, uma ofensa, uma brincadeira imbecil vinda de um manifestante é já se poderia prever que a polícia reagiria de maneira desproporcional.
E assim foi: estudantes xingando, batendo com livros, atirando pedras e flores (tem gente que achou legal, tem gente que achou retrô essa coisa das flores. De qualquer maneira, era obviamente inofensivo), enquanto os policiais atiravam tresloucadamente balas de borracha e bombas de efeito moral.

Foi tão desproporcional que, ao fechar o cerco dos estudantes no prédio da História e da Geografia, os policiais continuaram atirando balas e bombas, sem querer saber quem era manifestante, quem era professor, quem só estava passando por ali... Continuaram atirando até quando os professores pediam para conversar, mesmo na chefe do meu departamento, a professora Marina de Mello e Souza.

Dói ver aquele idiota do Datena mandando os estudantes estudarem, chamando-os de vagabundos e afins. Ainda mais aqueles que estavam na mobilização. Eles podem ser uns chatos, movidos pela emoção e caras com certa dificuldade de tolerarem quem pensa diferente deles; mas eles (ou a imensa maioria deles) acreditam que estão fazendo aquilo por uma USP melhor, mais democrática, mais correta, e, movidos pelo sentimento de perseguição política, mais livre.
Talvez alguns dos que estão adorando ficar em casa sem ter aula e nem querem saber da mobilização e de política, pudessem ser chamados de "vagabundos", mas mesmo assim há de se questionar.

Eu acho que piquete é a maior idiotice, ele só ajuda a afastar as pessoas e as deixar com raiva. Impedir que os outros tenham aula é ridículo, além de ser uma violência. O convecimento vem das conversas, e as possibilidades de estabalecer uma conversa têm de ser exploradas a mil e não só esperar o comparecimento às assembleias. A própria ideia de greve no final do semestre é absurda.
Muitos dizem, agora, que greve mobiliza sim, porque com ela muitas pessoas que não iam nas assembleias e debates estão indo. Completa ilusão. Quantos a mais será que eles teriam conquistado se tivessem feito mais atos, mais passeatas, enviado mais e-mails, parado as pessoas nos corredores?
Estão indo aqueles que por si só estão interessados na política da univerisdade (e que querem defender suas ideias, inclusive as que são contrárias a greve e certas pautas). Muitos outros poderiam ter sido convencidos. È mais fácil convencer (de que há problemas na universidade que devem ser discutidos) do que se pensa, porque os problemas da USP são feitos, em sua maioria, pelos erros da reitoria e do governo. Basta apresentar esses erros, nem precisa dar sua opinião sobre eles, que eles já atraíriam e indignariam muita gente.

Incomoda-me frases do tipo "a usp está em greve de novo?", "são sempre os alunos das ciências humanas...", ditas com um certo desprezo. Se a ideia de greve está certa ou não é uma coisa, mas se há greve e se são alunos das ciências humanas (ainda que não seja a maioria dos alunos que se mobilizam/ concordam) os que mais apoiam, tem seus motivos. Se há greve, a usp está com problemas. Se são os alunos de ciências humanas, é porque eles são os que mais se interessam em discutir esses problemas.
A FFLCH é a faculdade com maior número de alunos de toda a USP, uns 12 mil, entre 65 mil alunos, quase um quinto. Em compensação, seu orçamento não leva nem 5% do total da USP. Sim, os nossos cursos, em termos de custos, são mais baratos do que um curso de engenharia mecânica ou medicina, por exemplo. Mas por ser uma faculdade com gente demais (embora não só por isso), a nossa biblioteca devia ter os padrões de uma biblioteca americana: livros em várias línguas, vários exemplares... é triste saber que uma biblioteca tão defasada quanto a nossa é considera a melhor biblioteca de ciências humanas do Brasil. Além disso, todos, TODOS os prédios precisam de reforma. Tem tanta coisa... Vou deixar essa discussão para outro dia.

O importante é entender que, sendo correta ou não essa greve, tendo o apoio ou não da maioria, ela expõe problemas (que podiam ser expostos de outras maneiras)...
Ela tem motivos para ter sido declarada. Alguns nobres, outros nem tanto. Outros que despertam discussões e dividem muito os manifestantes e, portanto, não devem ser entendidos como um bloco único, muito menos devem ser distorcidos.
Jamais, pelo amor de Deus, acreditem quando alguém disser que os alunos são contra o curso a distância da Univesp porque o tal do curso possibilita que mais gente tenha acesso a universidade, como fez o editorial da Folha no sábado passado. É um absurdo, uma distorção grotesca, uma ofensa a quem costuma fazer parte dos movimentos sociais.
Nós não temos infra-estrutura para suportar os cursos a distância, e eles não foram discutidos com a "comunidade uspiana". Particularmente, eu não sou totalmente contra a Univesp, mas eu acho que algumas coisas precisam ser resolvidas antes e, principalmente, a univesp não pode ser entendida como solução para a falta de vagas, como o governo está fazendo, mas como uma alternativa para quem precisa desse tipo de curso, porém, não pode/quer pagar por ele. E mais: precisam ser discutidos os tipos de cursos que podem ser dados à distância, as possibilidades e soluções para não deixar a formação defasada. Será, que neste momento, o governo deveria criar a Univesp que, para ser feita de um jeito decente, exige muita grana? Será que não é melhor, por enquanto, se focar nos problemas de infra-estrutura que já existem, como o Crusp, que não suporta todos os alunos de baixa renda que precisam de moradia?

Pois é, as entranhas das USP são bem caóticas. Os números de 1º lugar no ranking de universidades brasileiras e maior número de publicações científicas podem enganar, mas enquanto houver problemas crônicos como ela tem e essa falta de esperteza e sabedoria política, ela jamais poderá sonhar em ficar perto de Harvard, Yale ou Cambridge...


Para ficar mais a par da greve sem ficar se baseando nos jornais/noticiários (ainda que aqui tenha coisas que eu discordo veemente... Ao menos dá um outro lado):
- Blog da greve



*Café e bolo de fubá*
1- O que está ouvindo? Ball and Chain - versão Etta James
2- Último filme no cinema? Anjos e Demônios.
3- Ultimo filme em dvd? O Falcão Maltês (sim, daquela coleção da Folha)
4- Maior novidadede aleatória desde a ultima postagem: estou fazendo o musical Into the Woods na Cultura Inglesa e eu sou a madrasta da Cinderela. =D
5- Reflexão do dia: "Parece que não há tolerância nas discussões políticas. Se falta tolerância, o diálogo é uma farsa democrática. Um impasse nunca se resolve, pois não se está realmente disposto a um consenso". (uma adaptação do que eu disse em e-mail numa discussão com a minha profª de Antiga I)

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Dúvidas e imprecisões

Um dos maiores sinais de amadurecimento quando se é adolescente é o momento em que descobrimos que nem tudo pode ser respondido e que, para certas coisas, você nunca vai saber qual é ou deveria ser o caminho certo. Às vezes, dúvida é uma questão de personalidade. No resto, é uma unanimidade. Bom, é verdade, às vezes é os dois, pois sempre há aqueles que tem dificuldades de se definir até no que soa óbvio para os outros.
A questão da dúvida e da imprecisão tem batido a minha porta com certa frequência ultimamente, por mais que eu já tenha criado uma pseudo-formula pessoal para lidar com ela. Não só pelo filme "Dúvida", que tem em uma de suas morais algo que até para pessoas "crescidinhas" é intragável - na vida as vezes a gente fica na dúvida para sempre e não haverá resposta -, mas porque também andei discutindo fé com amigos, além de andar brigando comigo mesma sobre o que pretendo da minha vida.
É engraçado quando você pensa em dúvida como um geral. Porque soa óbvio. Seja lá o que você estiver em dúvida, você terá que tomar uma decisão. E decisão em certos momentos é algo muito dífícil até para pessoas consideradas "decididas". Veja, tem gente que me encaixa nesse grupo. Acho que nem precisa dizer, mas geralmente é porque sei o que quero e sempre tenho opinião sobre algo. Também porque em momentos de dúvidas, vamos dizer, "materiais" (do tipo "vou levar este ou este?"), costumo ser rápida.
Em termos de personalidade, para mim é fácil medir opções, prós e contras, e escolher o que acho melhor. Complica, geralmente, quando nada soa melhor (no sentido de que as duas opções são ruins), ou quando a decisão afeta outras pessoas de maneira incisiva, em que uma é terrível para uma pessoa e boa para outra, e vice-versa.
Mas tomar uma decisão e saber mais ou menos o que vai acontecer é certamente melhor e mais fácil do que aquelas em que você não faz idéia do que acontecerá. Assim como é uma crença ou uma opinião totalmente subjetiva, em que a imprecisão reina imperadora.
O que me faz retornar a conversa com os meus amigos. Falávamos sobre energia e a validade do pensamento positivo, e acabamos caindo sobre as questões de fé. Deus existe? Como se pode afirmar? Como se pode negar? Quem disse que as razões para tal opinião são realmente provas? De onde viemos? De onde Deus veio?Existe fim para origem?
Os clichês dos questionadores e frustrados, que não sabem e ficam especulando até o fim da vida. Não sabe, nem saberá. Não conto com ETs vindo dizer qual é a verdade, nem messias. Também não perco mais meu tempo pensando nisso. Não vou chegar a lugar algum. Há dúvidas em que você pode se posicionar, ter uma opinião, mas nunca a ver como verdade, porque ela nunca será provada, nem respondida.
Aqui, nós entramos naquele terceiro grupo que falei inicialmente. Para mim, esse tipo de questão nunca terá prova. É uma pseudo-unanimidade da modernidade. Mas para os muito religiosos, sua fé traz a verdade. É um jeito perigoso de se tratar a dúvida. A dúvida que não é dúvida, apesar de várias opções e da falta de sinais realmente concretos (sendo que o termo "concreto" é deturpado para uma noção subjetiva), geralmente vem acompanhada de discussão acaloradas, ou pior, violentas. Política e religião costumam ser as maiores responsáveis por isso.
Ainda faço uma tese, mas para mim, "civilização" e "civilidade" deviam ser palavras classificadas através de respeito e pacifismo. No melhor estilo Corcunda de Notre Dame (da Disney, não do Victor Hugo), isso questionaria, na época das navegações, quem é o selvagem, e o civilizado, quem é?
As vezes, até animais são mais civilizados que nós, humanidade. É claro que quando nós é que somos pacíficos e respeitosos, por trás há uma carga de inteligência, sabedoria e sofisticação. Um "valor agregado" mais alto, de certa forma. Dá um gosto maior de orgulho.

Enfim... A dúvida e a imprecisão são as geradoras da divergência. Ou melhor, são a terra, onde o homem planta sua semente e a rega, cada com sua jardinagem, criando um matagal incontrolável e selvagem, cujas plantas invandem o espaço um do outro, as vezes sufocando, às vezes complementando e embelezando.
Dúvida faz parte do nosso caos humano, que o torna interessante e o torna odiável.

Dúvida acompanhada de imprecisão também é uma das nossas carrascas pessoais. Se na adolescência elas giram em torno do próprio umbigo, a passagem entre adolescência e vida adulta carrega seu arsenal de dúvidas em coisas que podem definir uma vida inteira, ou, menos fatalista, decisões que tomarão um pedaço do seu psicológico e dos anos mais energéticos da sua existência.
A velha escolha da faculdade; o modo como você vai morar, caso não seja na sua cidade; a maneira como você vai administrar estudo e emprego; os vários momentos em suas ações abrem o medo de escorregar e surgir com um filho para causar todos os planos e a adiantar obrigações; para onde, quando e como você fará um intercâmbio; o que você vai fazer depois da faculdade; que tipo de coisas você fará para que seu currículo seja atraente; o que o seu emprego de traz e o que ele leva; qual a perspectiva ao fazer algo, para que ele serve; se a maneira como você vê as coisas é sensata e útil...
Há perguntas também que nos acompanham até serem respondidas (num tempo indeterminado, SE respondidas), e que trazem a sombra do temor de levar uma vida inteira. Do tipo: para quê estou fazendo isso? Até que ponto isso é um traço de personalidade a ser contornado? quando sei que devo superá-lo? (é um pilar que sustenta o meu ser e algumas das coisas que gosto nele, ou é uma praga que não me faz bem?) Vale a pena dar um pedaço de mim por algo que é lento e depende de muita gente? Por que pessimismo tem mais valor que otimismo para quem é "realista"? Devo me importar com o que os outros pensam sobre mim? Existe um jeito de descobrir como não emitir julgamentos dúbios?

Cada vez que você se depara com a dúvida, e quanto mais ela fica complexa, mais você percebe que a máxima de "a vida é feita de escolhas" se trata de algo muito maior do que a simples figura da escolha. Ela abrange 6 bilhões de visões de vida e mundo, n possibilidades, n respostas sobre o certo e o errado e uma inumerável gama de acontecimentos possíveis. Além disso, você percebe que as escolhas na sua vida não são só suas e o que acontece nela não depende exclusivamente de você, mas espera que você encontre alternativas.
Se traçamos algo para nós, se trata de uma perspectiva que nos mantem espiritualmente mais estáveis. As dúvidas e as imprecisões estão lá, mas lutar para vencer as adversidades, buscando a tal luz no fim do túnel que foi definida é algo digno de um ser mais sólido. E quando essa luz do fim do túnel é apagada ou ofuscada, deve-se abrir um buraco naquele seu túnel construído, criando outro túnel, com outra luz. E outras dúvidas.



*Would you like a cup of tea?*
1- O que está ouvindo? Meu cd "Musiques des mille et une nuit - Music from Arabian Nights".
2- Último filme em DVD? Não estou lá. Uma viagem muito louca sobre 6 facetas do Bob Dylan, com 6 atores diferentes. (DVD acompanhado de uma epopéia "dvdezística" de filmes que estava louca para ver, como o último de Piratas do Caribe, Elizabeth - A era de ouro e Laranja Mecânica)
3- Último filme no cinema? Dúvida - pagando devidamente pelas magistrais atuações da rainha Meryl Streep e Philip Hoffman, que já havia visto e não me importei nem um pouco em ver de novo.
4- Última notícia feliz? 2 anos e meio depois do que devia ter acontecido, passei no First Certificate of English de Cambridge =)
5- Reflexão do Dia: Não sente para esperar a resposta da dúvida. Ela não existe. O que existe é o que VOCÊ acha melhor.

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Pirataria e consciência

O tema pirataria (digital/midiática) é uma das maiores polêmicas que vieram com a modernidade da tecnologia. Fato. Para além de demagogias ou chavões, ela guarda algo muito maior do que os pseudo-intimidadores vídeos que costumam passar na tv e, especialmente, antes dos trailers no cinema.
Eu sou do tipo contrário a qualquer repressão quanto a atitividades rebeldes, que extravazam o senso comum, e apontam para um caminho de liberdade.
Só que uma definação dessas sobre uma posição é tão polêmica quanto a própria posição.
Basicamente, eu entendo que ela pode ser vista de um jeito muito ruim, um estímulo ao crime. E é, dependendo do que se considera "crime".
A pirataria é um sinal de liberdade, mas também é um sinal de prejuízo a quem produz.
Como uma vez li numa entrevista da Superinteressante com um cara muito conhecido no meio dessa discussão, a pirataria é incontrolável e é uma tendência que a população segue. Mesmo que ela esteja quase levando a indústria fonográfica à falência, ela traz cultura a quem teve muito pouco, ou nunca, acesso a uma variedade de filmes e músicas.
Particularmente, eu não enxergo bem a pirataria que é vendida. É gente ganhando dinheiro em cima do trabalho de outrem, muitas vezes por qualidade baixa e muita canastrice. Mas para quem nem tem computador, afinal, a pirataria lucrativa é uma porta única e fluída (fluída perdeu o acento? Não, né? Não é ditongo) à cultura. É um pouco difícil julgar quem compra, e muitas vezes quem vende. Especialmente em países como o Brasil, em que o mercado informal é uma bolha que não pára de crescer. Dinheiro fácil, trabalho relativamente leve e nunhuma exigência educacional são muito atrativos para quem passa necessidade.
Quanto a "pirataria" na anárquica internet, sinto muito, mas não vejo nada que possa ser feito a respeito que não viole os direitos humanos (mais especificamente, o artigo 19 é evidente: "Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras"), mesmo que, no assunto, se contradigam ( o parágrafo do II do artigo 27 diz: "Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor" ). A revolução da informação já foi feita, e tentar brecar essa facilidade com que todos se acostumaram é uma afronta.
Baixar seriados, música, desenhos, filmes é uma prática comum de quem tem um computador. Impedir isso sem consequências é como tirar o doce de uma criança e esperar que ela não chore.
Pessoas ainda vão ao cinema e ainda compram CD ou DVDs. O original ainda tem um gosto especial. Tem gente que não liga, tem gente que liga.
A solução das empresas é se adaptar, tornar o produto mais interessante e mais barato, para que ele realmente seja desejável numa escala maior.
Vão ter aqueles que ainda assim não vão dar a mínima, mas a proporção seria BEM, BEM menor. Haveria um provável "lucro sustentável".

Numa opinião pessoal, a pratica de baixar músicas me permitiu conhecer muito mais bandas/cantores que eu jamais imaginaria. Teria muito menos gente na minha lista para prestigiar seu trabalho. Meus cantores favoritos (cantoras, em geral, na verdade) tem praticamente meu nome garantido na lista de seus fãs que iriam assistir seus shows. Infelizmente, eu gosto mais de comprar DVDs, mesmo de turnês, do que CDs. Compraria se tivesse dinheiro para os dois. hehehe.
Seriados e desenhos são um pouco mais recentes na minha história, mas esses são os menos afetados, porque não dependem de um pagamento direto do espectador, que tem o livre e gratuito acesso aos episódios, ainda que não na forma deliberada como é na internet, mas que carrega uma legião de fãs que gostam de ver - se podem - sua estréia na fonte de origem, a televisão. Essa reação é uma das coisas que me faz acreditar que, talvez, se o acesso aos produtos originais fosse mais fácil e atrativo como numa televisão, as pessoas em geral se voltariam para eles.
E, por fim, os filmes, minha mais nova inserção. Eu não troco um cinema por um filme baixado, sou amante do cinema demais para isso, mas a influência de amigos e a vontade de ver filmes que perdi e também de ver os filmes que concorrem ao Oscar antes da premiação me empurraram para um mundo de praticidade muito tentador, que eu sei que pode virar uma ameaça quando todos o descobrirem e tiveram computadores bons o suficiente para não tornar o download de um filme numa odisséia.
Ei vi "Wall-e", "Sete Vidas", 'Vicky Cristina Barcelona" e "A troca" porque os perdi quando passaram no cinema (não por falta de vontade ou desatenção , mas por uma patética solidariedade de esperar os meus amigos que diziam que queriam ver também terem dinheiro ou oportunidade para ir). Vi "Dúvida", "Milk", "Apenas um sonho" e "Quem quer ser um milionário?" porque são indicados e não sei quando vão sair por aqui e tenho medo de não ver antes da entrega dos prêmios. "O misterioso caso de Benjamin Button" fiz questão de ver no cinema, porque está passando, e, como disse, filme baixado não substitui um bom cinema.
Além disso, algo que eu não confio a todos, mas que eu enxergo como um fator importante para um número relevante de pessoas, assim como é para mim: se eu gosto de filmes, eu tenho que estimular a produção deles. Logo , pagar por eles, nem que seja de vez em quando, é mais que justo.
Bom, eu vou um pouco além, embora não espere que todos façam. Todos os filmes que citei me agradaram muito, e os que estão para vir ao cinema eu pretendo pagar o ingresso, ao menos de boa parte, mesmo que eu não veja na sala de cinema. É um tanto "maluco", e reconheço, mas me sinto melhor assim.

(Só lembrar que eu também conheço o mundo dos livros zipados/ "blogados", mas esse em raros momentos cedi, porque odeio ler textos longos demais numa tela. De fato, a única exceção foi o último livro de Harry Potter, que, como fã, eu queria saber logo o final e não queria ler justo o último da série em inglês . Além de fugir dos spoilers. Aliás, um agradecimento à equipe da Armada Tradutora que foi muito eficiente e competente E, também como fã, fiz questão de comprar o livro assim que saiu por aqui).

As pessoas podem não sustentar a indústria através da consciência, mas o desejo de qualidade é um algarismo constante na equação do consumidor. Qualidade acessível diminui pirataria.
Pirataria não é para ser reprimida, é para ser desconstruída.


*Palmas ao fim de Guantánamo*
1- O que está ouvindo? My time flies - Enya
2- Último filme visto? Apenas um Sonho - Kate Winslet e Leonardo DiCaprio se encontram novamente em um filme de gente pertubada, com os dois em plena forma.
3- Último filme no cinema? O Curioso Caso de Benjamin Button - ainda não vi "O Leitor" e "Frost/Nixon", mas mesmo q tenha achado "Quem quer ser um milionário?" (aposta dos jornais) muito bom, Benjamin Button é excepcional e por enquanto faço votos para que ele ganhe.
4- Último seriado visto? 3º episódio de Lost, em sua quinta temporada, cada vez mais excitante e instigante.
5- Reflexão do Dia: Adaptar-se a uma ideia da maioria da população, que tem como base liberdade e informação, é muito mais sensato do que tentar reprimir.

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Conhecimento é poder

Esse post é uma homenagem a um primo, à "turma das Exatas", aos preguiçosos, aos ignorantes na forma da ingenuidade e da injustiça, aos que se acham burros só por não saber certas coisas, aos aversos a intelectualidade, aos simples.
Quando eu era pequena, estudar e saber parecia uma coisa óbvia a se fazer. Talvez se você me perguntasse naquela idade, eu não soubesse clarificar o porquê, embora soubesse que era importante. Já no meio da minha adolescência, - e não faz tanto tempo assim - eu comecei a questionar a razão de seguir regras ao pé da letra, ensinamentos ao pé da letra, fazer o que se espera fazer na escola ao pé da letra (prestar atenção nas aulas, fazer as lições e amigos, claro)... Acabei me flexibilizando um pouco, mas também compreendi (ou inventei?) que, a medida que eu sabia mais, aprendia mais, eu podia enxergar cada coisa de várias maneiras, entender melhor o mundo, pensar sem copiar, interpretar além do óbvio, questionar com mais sofisticação, raciocinar de várias formas.
Ler, saber e observar mais nos permite fugir de armadilhas da dúvida e da ignorância, nos torna diferentes e produtivos, apura nossos sentidos, expande nossa cabeça. As vantagens do saber são tão grandes que o que é ruim nisso acaba sendo uma consequência que se tem de lidar.
Afinal, a partir do momento que você vê mais , você vê mais coisas ruins, você vê mais dissimulação, mais horror, mais injustiça , mais ganância, enfim, mais maldade. Você também pode encontrar o seu lugar abaixo do ideal, encontrar uma auto-compreensão que machuca, se frustra com mais facilidade, se enterra num buraco sufocante em que o seu saber, pouco conhecido e pouco utilizado, mora em silêncio.
Bom, isso para os que utilizam do conhecimento como algo tanto seu quanto do mundo. Pior aqueles que se aproveitam da sabedoria acumulada para se auto-promover, para entender os outros e lhes passar a perna, os que se perdem dentro do que sabem esquecem que nunca saberão tudo... Como todo poder, o conhecimento precisa de sanidade, escrúpulos e humildade.
Mas o conhecimento não é um cara tão fácil de adquirir, e, com o passar dos anos, ainda mais dentro de um contexto desacostumado a estudar , vai ficando mais difícil dar seu tempo a ele. Uma rotina, o acesso fácil a fontes de conhecimento, o costume de ler , de observar, de ir a lugares para aprender mais (cinema, museu, biblioteca, exposições, palestras...)... Para os preguiçosos , se não há habito, tudo parece demais e impossível de dar uma constância. E é verdade. Sem hábito, tudo isso fica chato de se esforçar, e terrível de se acostumar.
Porém, hoje em dia fontes de conhecimento estão muito, muito além do velho trio livros-escola-museu. Mesmo porque, o próprio conhecimento está muito além de um conceito erudito.
Conhecimento não é só historia da humanidade, pensadores e conceitos científicos. É tão além e tão mais diversificado do que isso que chegar a ser uma afronta a produção humana restringí-la à penelinha acadêmica.
Eu percebi o tamanho da palavra conhecimento por volta dos meus 15, dentro da própria escola. Eu nunca fui muito boa em exatas, mas, mesmo que não tivesse dificuldades sérias, era o suficiente para não curtir muito. Só que, a essa idade, eu entendi que saber pelo menos o básico e o conceitual dessas matérias amplificavam minha maneira de falar e de entender certas coisas, muitas vezes nada a ver com essas matérias. E isso se reforçou nos meus 16 (e para frente), com as minhas amizades e maluquices, nada a ver com coisas eruditas, mas tão úteis como conhecimento quanto.
A banda que toca de certa maneira, a letra de não-sei-o-quê, a maneira como não-sei-quem fala ou age, o filme em que acontece não-sei-o-que, o jogo de video game que tem um barato esquisito, a palavra no rpg que não entendi e fui procurar no dicionário, a própria história e referências mitológicas de um rpg, o vídeo comédia no youtube que vira jargão, os personagens de um desenho animado... Tecnologia e informação em massa. Conhecimento leve, altamente utilizado e que nem se percebe que se aprende.
É verdade que essas coisas aumentam nossa capacidade de se comunicar e entender certos problemas, ações e situações, além de trazer afinidades e um pouco de aprendizado. Mas é verdade também que essas coisas não tornam ninguém seres altamente pensantes, assim como nenhum tipo de conhecimento faz. O hábito é um pedaço que amplia conhecimento, e um ampliado conhecimento permite sim compreensões diferentes. As pessoas tornam-se capazes de boas análises e críticas, mesmo não sendo umas devoradoras de livros e jornal (embora seja meio difícil fazer um bom julgamento de uma situação atual sem jornal... LEIA JORNAL! rs...).
A vontade de ficar filosofando o dia inteiro (olha o exagero), mais do que ensinamento de infância, eu vejo uma considerável parte da genética. Não acho que todo mundo precisa ficar pensando o dia todo... Inclusive, acho que seria um tédio, uma praga. Mas uma imaginação saudável e um razoável poder de análise é um direito e dever de todos.
O humano é muito inconstante, complexo, difícil de padronizar, difícil de formular. Graças aos Céus! Os caros amigos que tem o que eu chamo de "cabeça de exatas" destestam isso, porque têm dificuldade de entender e lidar com isso, e têm um natural ódio do que não é... exato. Eu mesma às vezes fico com raiva, porque seria mais fácil. Mas o mais fácil vem acompanhado do restrito, da mesmice, da tédio.
É por isso que quanto mais a gente sabe, menos a gente sabe. E por isso que tentar saber de coisas diversas pode te tornar interessante e aberto.
A regra número um do conhecimento é curiosidade . E a número dois atenção. Pratique. Rs...



*Rio maravilha...*
1 - O que está ouvindo? Logh - The invitation (Rádio Lastfm - Sigur Rós - palmas ao Kuramito pelo gosto musical)
2 - Último filme no cinema? Rebobine, por favor. MUITO BOM! Comédia, ótimo roteiro, você sai com vontade de copiá-los.
3- Último filme em DVD? E o Vento levou. Sim, nunca tinha visto. É enorme e cheio de clichês românticos, mas belo e surpreendente.
4 - Última burrada? Dar a volta na Lagoa Rodrigo de Freitas das 11h às 13h sem protetor solar.
5 - Reflexão do Dia: Quanto mais você sabe, menos você é feito de trouxa.

P.S.: Sei que este não é um blog abandonado, pois volta-e-meia vem algum amigo ou uma pessoa no orkut dizer que o leu. Meu objetivo de escrever nele também não é ficar fazendo coleção de comentários como um album de figurinhas. Mas, para quem generosamente puder, dê uma espécie de retorno dos posts nos comentários, pelo menos pensando em duas razões: uma, que os comentários pode incitar discussões/conversas, e eu gosto. Dois, e mais importante, porque um blog com comentários atrai quem está fazendo uma passagem rápida por ele a realmente lê-lo, o que, dentro dos meus objetivos, é algo muito desejável.

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

O sabor do mal

Esse ano, aproveitando o clima de final, algumas percepções sobre o jeito como as pessoas agem e como elas pensam atravessaram a minha pele como uma espada que acabou de sair do ferreiro (nossa, essa foi péssima). Em vários momentos, senti o quanto eu era/sou ingênua e - por que não reconhecer isso? - boazinha.
A maneira como trato os outros, a maneira como enxergo as coisas, a maneiro como lido com situações difíceis, a maneira como olho para os outros (embora essa, depois de tanta decepção, tenha ficado um pouco mais... "madura" - ou pessimista, como prefiro entender), a maneira como considero as possibilidades e a maneira como evito certos assuntos, às vezes são tão diferentes do jeito que a maioria das pessoas trata que fico confusa, sem saber se estou sendo estúpida, puritana e trouxa, ou se estou um passo a frente como ser humano. Pode ser os dois (?), pode ser um ou outro, dependendo de uma situação.... E isso que é o pior, porque fica muito complicado saber quando é quando, e não tem ninguém para ajudar, nenhuma resposta divina, nem uma luz de sabedoria para elucidar. Aí, a coisa fica mais torturante: porque a tarefa de decidir é minha, e ao mesmo tempo que tenho medo de parecer idiota, tenho medo de me tornar (leia como parecer) medíocre e vulgar.
Mas... Como os pottermaníacos adoram citar a frase de Dumbledore: "São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades". Acho genial. E, óbvio, também acredito nisso.
Às vezes bate aquele terror de ficar para trás, de soar conservadora, e acabo fazendo besteira. Porém, geralmente me atenho ao que acho mais elegante e correto. Pena que isso sou eu, e cada vez que eu vejo o quanto o humano pode ser abaixo da crítica, tenho a triste sensação de que transformação é um tesouro de baixo do arco-íris. Sorte que a sensação é momentânea, porque sem "sonhadores" nós estaríamos na Idade Média ainda. É difícil cobrir o emocional com o racional, mas uma cabeça fresca ajuda muito.

Aos adeptos das atitudes "malvadas" - e nem digo aquele mal da violência, da injustiça e do prazer psicopata, mas o cotidiano, do passar a perna, do não ligar para os sentimentos dos outros, do egoísmo, do divertimento às custas dos outros, do trair, do cheirar sem ligar se está dando dinheiro ao tráfico, do falar merdas ofensivas quando se está bêbado, do se aproveitar da bondade dos outros, do parasitismo, da exploração, da preguiça de se fazer algo pelos outros, das opções financeiras acima do bem-estar alheio, da discriminação por aparências e gostos, do rude, da desonestidade, da falta de educação, do dissimulação, do cinismo, do desprezo... -, a vida só pode ser vivida bem com algumas delas. O deleite do "se dar bem", do "saber viver" é tamanho que corrompe boa parte das pessoas.
A vontade de estar bem e feliz é muito maior do que fazer alguns sacríficios para que todos estejam bem e felizes, talvez sem tanta intensidade. Não é bem assim que se pensa. A parte dos outros, na verdade, é ignorada, não é lembrada. O que é lembrado é o sacrifício de se deixar de fazer algo para que não ocorra (ou ocorra menos) coisas ruins aos outros.
Esse vilanismo é impregnado até (de fato, correntemente) em quem é generalizadamente bom. É muito difícil deixar de olhar para o próprio umbigo quando se age ou pensa. A balança gosta de priorizar e considerar com mais efervescência as vantagens e danos do próprio dono. Entenda, não é sempre, não para todas as situações, não é para todos os tipos de mal, dependendo de cada pessoa. Mas é muito seguro afirmar que para certos momentos, 95% das pessoas não consegue ver uma situação muito além de seu próprio mundo.
Para minha infelecidade, inclusive, eu me encaixo nesse "certos momentos", como a pouco tempo fui acordada para ver. Não é simplesmente porque você não está interessado, mas porque você não está acostumado a enxergar. A ignorância é amiga da maldade. Um bom tratamento de choque e um bom ciclo social ajudam a perceber os outros. Às vezes você até percebe os outros, mas não TODOS os outros, se é que me entendem. No meu caso, disseram-me que eu vejo meus amigos, mas não vejo minha família. Eu considerava que via, mas descobri que pelo jeito não era da maneira que devia. (isso foi meio off)

A maldade dos "bons" é facilmente perdoada por outrem, porque o bom em quantidade considerável remedia escorregões e algumas maldades crônicas.
Apesar disso, eu ando tão sensível a comportamentos e o tipo de sinais que eles transmitem, que mesmo essas "maldades bobinhas/desculpáveis" me deixam muito desanimada. Sinto como se disposições tivessem limite, como se todos fossem fáceis de corromper, como se instinto de sobrevivência fosse maior que decência, como se as pessoas fossem incapazes de entender dor sem sentí-la.
O sabor da maldade parece doce: todos se sentem tolos de não experimentar e tentados a repetir a dose, embora saibam que não faz bem. Às vezes pode até viciar. Tem gente que acha que só pisoteando a vida tem graça. Prefiro achar que graça tem o infame, o deboche próprio e o inusitado.

*Plim*
1 - O que está ouvindo? Visions of Atlantis - Lemuria (Lastfm - rádio Nightwish -> To adorando essa coisa da rádio)
2- Ultimo filme em DVD? Retratos da Vida (Les uns et Les autres). Looooooooooooongo, porém comovente.
3- Último milagre? Fiz uma geral na minha estante de livros.
4- Último azar? Perder, em alguma falcatrua no Sedex, um memory card de GameCube.
5- Reflexão do dia: Manequeísmos só em Hollywood, mas bem que eu queria algumas bondades plenas.

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Ah, tempo, tempo....

Meu amigo e inimigo tempo é o assunto de hoje, já que ele andou de brincadeira comigo essas últimas semanas, enquanto também tive boas constatações de que, sem ele, o mundo seria muito mais sem graça e primitivo.
Não usemos, por favor, de maneira sólida a idéia do tempo científico. Aquele colega metódico que não passa de rotações da terra, com determinados números que o codificam, usado simplesmente para catalogar a história do universo, do mundo e da humanidade.
Não, o tempo também é instrumento filosófico. É o parceiro e complicador de todos nós. Sem ele, não tem velhice, não tem prazo, não tem renovação, não tem desenvolvimento. O tempo é mestre e vilão. O tempo é correnteza e barreira. O tempo é espetáculo e tédio.
O antítico e ambíguo tempo é aquele cara que você corre contra quando precisar ler milhões de coisas num curto espaço que ele dá. Mas é o mesmo que ameniza emoções amargas, que resolve sensações desagradáveis e encontra soluções porque lhe deu experiência ou cabeça fresca. É o camarada que lhe deu sugestões, que lhe engrandeceu com os alto e baixos.
Gosto muito do tempo, apesar de detestá-lo quando ele se mostra tão pequeno perto do que se precisa fazer: acordar, se exercitar, ler jornal, ler feito uma condenada, viajar até São Paulo, assistir aulas, voltar de São Paulo, ler, ler, ler, arranjar espaço para diversão e descontração, dormir, fazer cursos de línguas, estudar música, escrever no blog, se entreter na internet, querer fazer mais aulas e não poder... O tempo te obriga a fazer opções. Não tem vidas em forma de cogumelos verdes, nem relógios que param o mundo, nem viratempos. É tudo na raça, e o que foi, não volta.
Eu sempre gostei de quem me força a ir acima dos meus atuais limites, ou me mostra o quão despreparada e sem talento eu sou e que, portanto, tenho muito o que aprender e nunca alcançarei uma plenitude. Pode soar desanimador, mas como alguém que naturalmente gosta de desafios pessoais, eu não paro, choro e ignoro, nem me posiciono confortavelmente na simples admissão da minha falta de certas características que considero melhores. Eu vou atrás, por mais que algumas coisas eu saiba que nunca serão bem concretas, muito menos perfeitas. Para essas pessoas, que eu posso contar nos dedos, tive momentos de admiração total e outras de pura raiva, pela forma severa como geralmente me tratam/tratavam. Mas, no fim, é essa forma severa que me estimula(va), em tom de desafio. O tempo não é uma pessoa, mas a maneira como o vejo é a mesma maneira como vejo essas pessoas.
Ele está ali me forçando a ir mais além do que eu imagino que posso, e às vezes até consigo, entrando num deleite de superação pessoal. Há os momentos em que não consigo e, por mais que num instante eu pense que foi, nunca será em vão. Pode não vir em forma de uma leve superação fracassada, mas na forma de uma maneira para não se repetir, ou mesmo de uma que deve ser aplicada de outra forma... entre tantos outros ensinamentos.
O tempo existe para ensinar. O castigo e o sucesso são instrumentos de aprendizado.

Todo mundo reclama do tempo. E todo mundo se impressiona com o tempo. No final de ano, é sempre a mesma coisa: "Como esse ano passou rápido!".
Além de professor e médico, pai e mãe, juiz e promotor, o tempo também é astro. Ainda mais hoje em dia (que, na verdade, para mim, membro da geração do computador, trata-se do sempre), em que a gente faz tanta coisa, tem tanta coisa para ver, ouvir e aprender, bem como várias coisas para não fazer nada (leia-se: não usar os neurônios, o que às vezes é muito bem-vindo), parece que o tempo está curto, ou que só atrapalha...
As pessoas estão sempre com o olho no relógio e no calendário, contando horas, dias ou meses para algum acontecimento, ou para entregar algo a tempo. Tudo muito rodeado de unhas ruídas, cabelos brancos, culpas, ataques e colapsos. Esse tipo de associação o tempo não pediu, embora receba como consequência de suas restrições.
O pobre tempo simplesmente existe. Está ali, não pode mudar, não pode flexibilizar, não pode se comover com os seus anseios, não pode durar mais um pouquinho pela sua felicidade. Ele é aquilo e pronto. A não ser que se confirme a relação entre tempo e universos paralelos, acho muito difícil que nós consigamos interferir no tempo, como tanto sonham o misticismo e a ciência.
Sobra para nós, mortais e transformadores, nos adaptarmos ao tempo e seus limites. Quando o tempo pede disciplina, devemos buscar disciplina; quando pede pelo gozo de um momento, devemos saber aproveitar.
É tão fácil dizer uma coisa dessas diante dos obstáculos de se encontrar esse tipo de equilíbrio, que estou até tomando água de coco na cadeira de praia para ver se a ação alcança as palavras. Serve para quem nunca encontrou essa reflexão de psicólogo: não culpe o tempo, culpe você mesmo e se resolva, ou ao menos tente ( E não se sinta tão frustrado se não conseguir. Muito mais corajoso e digno tentar).
Eu ando na corda bamba nessa história. Vou muito cuidadosamente, às vezes faço grandes avanços, às vezes caio na rede lindamente. Quando caio na rede xingo o tempo, mas sei bem que a culpa é minha e me amaldiçoou por alguns erros tão repetidos.
Bom, pelo menos eu fico satisfeita quando faço bom uso do tempo.



*Stick & Sweet*

1 - O que está ouvindo? Ashanti - Don't let them (ouvindo a rádio do lastfm e descobrindo novas cantoras, que segundo o lastfm, seriam parecidas com a Christina Aguilera. Até gostei dessa Ashanti, apesar de que até hoje para mim esse nome era uma etnia africana - deve ter origem)
2 - Último filme na tv? "Uma questão de bolas"... Comédia besteirol com dodgeball e Ben Stiller... Acho que eu estava de muito bom humor hoje, porque consegui achar graça. Bom, melhor que as comédias adolescentes estritamente sexistas americanas.
3 - Primeiro presente de aniversário deste ano? Super Smash Bros Brawl, pro wii, já com muitas horas de jogatina.
4 - Último show que foi? Qual? Qual? Madonna, Stick & Sweet Tour, no dia 18. High tech, lindo, fantástico, Madonna poderosa e enérgica, supreendentemente simpática e comunicativa.
5 - Reflexão do dia: Você é que se adapta às dificuldades, não elas a você.